Foto: Ascom Uncisal
A ciência atravessa a trajetória da professora Edna Pereira Gomes de Morais desde o início da carreira acadêmica. Docente da Universidade Estadual de Ciências da Saúde de Alagoas (Uncisal) desde 2002, ela construiu um percurso marcado pela integração entre ensino, pesquisa, extensão e assistência em saúde.
Formada em Fonoaudiologia, Edna iniciou sua atuação na universidade ainda nos primeiros anos da consolidação do curso. Ao longo de mais de duas décadas, acompanhou mudanças institucionais, ampliou sua formação e assumiu diferentes funções até se tornar professora titular. Hoje, além de lecionar na graduação e na pós-graduação, também atua diretamente na assistência e na coordenação de projetos científicos.
Na sala de aula, a professora defende que a ciência não deve ser tratada apenas como conteúdo teórico. Para ela, formar profissionais da saúde exige pensamento crítico e decisões fundamentadas em evidências. “A ciência precisa ser uma prática diária, alicerçando o ensino, a pesquisa, a extensão e a assistência”, afirma. Essa visão orienta disciplinas como Pesquisa em Fonoaudiologia, na graduação, e SUS como Escola, no Mestrado Profissional em Ensino em Saúde e Tecnologia (MEST).
A dedicação à produção científica levou à criação do Laboratório de Tecnologia e Evidências em Saúde (LabTES), coordenado por Edna em parceria com a professora Luciana Corá. O espaço reúne projetos de iniciação científica, trabalhos de conclusão de curso e orientações de mestrado, além das pesquisas desenvolvidas pelo Grupo de Pesquisa em Comunicação Humana e seus Distúrbios (GEPCH), liderado pela docente.
Para a professora, o laboratório representa um esforço para aproximar a produção acadêmica da prática clínica. “Embora alguns não compreendam a importância de um laboratório de evidências em saúde, ele tem um papel fundamental na universidade, pois não se limita à produção do conhecimento, mas à sua tradução para a prática”, explica. Entre os estudos em andamento está uma pesquisa financiada pelo Programa de Bolsas de Incentivo à Pesquisa em Saúde (BIPES), que investiga os efeitos de programas de prevenção aos distúrbios vocais em profissionais da voz.
A atuação de Edna também se estende para além dos muros da universidade. Ela coordena o projeto de Promoção da Atenção à Saúde e Bem-Estar Vocal Docente (Provoz) e atua como coordenadora adjunta do projeto Consumo e Produção Científica para o Social (Conciso), iniciativas que levam conhecimento científico à comunidade de forma acessível.
No campo da assistência, a professora integra a equipe do Centro Especializado em Reabilitação (CER III) da Uncisal, onde supervisiona estágios e acompanha atendimentos fonoaudiológicos. Nesse espaço, a ciência orienta desde a escolha de instrumentos validados até o planejamento terapêutico. “A ciência permite um cuidado qualificado, ético e humanizado”, afirma.
Ao refletir sobre sua trajetória e sobre a presença feminina na ciência, Edna reconhece avanços, mas destaca que ainda há desafios. “Hoje vemos mulheres gerenciando laboratórios e conduzindo pesquisas de impacto, mas a desigualdade persiste, especialmente em grandes projetos e em áreas historicamente ocupadas por homens”, observa. Para as jovens pesquisadoras, ela deixa um conselho: “O conhecimento liberta. É preciso fazer ciência com qualidade, ética e consciência, transformando esse saber em algo capaz de melhorar a vida das pessoas”.
Com mais de 20 anos dedicados à universidade pública, Edna Pereira Gomes de Morais construiu uma história marcada pela defesa da ciência como prática cotidiana e como instrumento de transformação na formação profissional e no cuidado em saúde.
* Com Assessoria