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Em cinco pontos, entenda o museu da memória do desastre da Braskem proposto por Teca Nelma

O desastre provocado pela mineração de sal-gema da Braskem transformou bairros inteiros de Maceió e deixou marcas profundas na vida de milhares de moradores. Passados anos do início das desocupações, uma questão segue em aberto: como preservar a memória do que aconteceu e das comunidades atingidas? A partir dessa reflexão, a vereadora Teca Nelma propõe a criação de um Museu de Memórias das Vítimas da Braskem.

A iniciativa está prevista no Projeto de Lei nº 572/2022, que já foi aprovado pela Câmara Municipal e aguarda apenas a promulgação para entrar em vigor. Segundo a autora, a proposta busca garantir que a história dos bairros afetados não seja apagada ao longo do tempo.

“O objetivo central do projeto de lei é eternizar e dar visibilidade à toda a situação vivida pela população atingida pelo crime da mineração de salgema em Maceió, preservando a memória coletiva, histórica e social dos bairros afetados”, afirma a Eufêmea.

Separamos cinco pontos para você entender como funciona o PL.

1) Um desastre que mudou a cidade

A exploração de sal-gema realizada pela Braskem em Maceió teve início na década de 1970. Anos depois, estudos técnicos apontaram a instabilidade do solo em áreas onde ocorreram as extrações, o que levou ao afundamento gradual do terreno e à necessidade de retirada de moradores de bairros como Pinheiro, Mutange, Bebedouro e Bom Parto, além de áreas adjacentes.

O processo resultou na desocupação forçada de residências, fechamento de comércios e ruptura de laços comunitários construídos ao longo de décadas. De acordo com a vereadora, o projeto busca dar visibilidade a esse impacto.

A proposta, segundo ela, pretende “dar vista ao sofrimento, as perdas materiais, afetivas e simbólicas das vítimas, além de divulgar permanentemente um dos maiores desastres urbanos do Brasil, evitando o apagamento histórico do ocorrido e contribuindo para a educação e conscientização das futuras gerações”.

2) Como funcionaria o museu

De acordo com o projeto de lei, o museu terá caráter predominantemente físico, podendo funcionar em imóveis públicos municipais ou em espaços obtidos por meio de convênios e parcerias. O texto também permite a utilização de recursos digitais, o que abre possibilidade para um modelo híbrido no futuro.

O acervo deverá reunir objetos, fotografias, documentos, filmes, registros audiovisuais e outros materiais que ajudem a contar a história dos bairros afetados. A proposta prevê ainda a realização de atividades culturais e educativas, voltadas à preservação da memória histórica.

Segundo Teca Nelma, o espaço não se limita à exposição de objetos. “O museu é concebido como um espaço de denúncia, reflexão e educação histórica, destinado a preservar a memória coletiva sobre o caso Braskem e a impedir que a tragédia seja esquecida ou minimizada ao longo do tempo”, afirma.

3) Quem será contemplado

O projeto contempla moradores e ex-moradores das áreas atingidas pela mineração de salgema, com destaque para Pinheiro, Mutange, Bebedouro, Bom Parto e regiões próximas. Embora o texto não estabeleça critérios individuais, define um recorte territorial claro, abrangendo as comunidades diretamente impactadas.

A legislação não detalha como serão coletados os relatos das vítimas, mas prevê a formação de um acervo histórico amplo. Isso permite a inclusão de depoimentos, narrativas orais e materiais doados pelas próprias comunidades, que poderão ser organizados posteriormente conforme critérios técnicos definidos pelo Poder Executivo.

Para a autora do projeto, o museu representa uma forma de reparação simbólica. Ela avalia o equipamento como “um instrumento fundamental de reparação simbólica, capaz de reconhecer publicamente o sofrimento das vítimas, valorizar suas histórias e reafirmar o direito à memória e à verdade”.

4) Tramitação e próximos passos

O Projeto de Lei nº 572/2022 foi aprovado em segunda discussão pelo Plenário da Câmara Municipal de Maceió em novembro de 2025. Como o prazo legal para sanção ou veto do prefeito transcorreu sem manifestação, o texto depende agora apenas da promulgação pelo presidente da Câmara para se converter formalmente em lei.

A implantação do museu não tem cronograma definido e ficará condicionada à regulamentação e à disponibilidade orçamentária do município.

5) O que muda para a cidade

Caso seja efetivado, o espaço deverá se tornar um local permanente de preservação da memória sobre o desastre da mineração em Maceió, reunindo registros históricos de um episódio que marcou a história urbana da capital alagoana.

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