Uma viagem pensada como despedida e um ensaio fotográfico que acabou se tornando memória permanente. Foi assim que os filhos de Sônia Calegario registraram os últimos momentos ao lado da mãe, antes de sua morte. A história foi publicada pelo Diário do Nordeste.
Moradora de Ji-Paraná, em Rondônia, Sônia enfrentava um câncer em estágio avançado. Mesmo com dores intensas, náuseas e vômitos, manteve-se consciente durante todo o processo e se apoiou na fé e no vínculo com a família. O desejo de rever o mar, um dos seus lugares favoritos, motivou a viagem de mais de 4 mil quilômetros até Maceió, em Alagoas.
Sem condições financeiras para custear o deslocamento de última hora, a família contou com o que descreve como uma “ajuda extraordinária”. Já na capital alagoana, entre abraços e sorrisos, o sentimento predominante era de coragem. Durante todo o ensaio, realizado em outubro de 2025, Sônia estava sob uso de medicações fortes, como morfina, para suportar a dor.
Segundo a filha mais velha, Marcela, o esforço da mãe foi evidente. Ela se manteve de pé para participar das fotos, mesmo em condições físicas debilitadas. O ensaio ganhou repercussão quando a fotógrafa Priscila Letícia compartilhou as imagens nas redes sociais e revelou a história por trás dos registros.
O ensaio

Ao publicar as fotos, ela revelou os bastidores daquele dia e o significado por trás de cada imagem. “Vieram o marido, três filhas, um filho, dois genros e dois netinhos, um de 2 anos e outro ainda na barriga. Ela ainda contou que o encontro foi marcado por demonstrações intensas de afeto.
“Foi um dia de abraços demorados. Cada um que a abraçava parecia tentar guardar o tempo nas mãos”, escreveu.
A fotógrafa também destacou o impacto emocional de acompanhar de perto aquele momento. Mesmo tendo conhecido Sônia apenas naquele dia, ela conta que foi possível perceber o quanto a matriarca era amada e lembrada pela alegria e positividade. “Até o silêncio dizia tudo”, relatou.
Na publicação, Priscila revelou ainda que houve uma mobilização para a entrega rápida das fotos. Com a piora no estado de saúde de Sônia, a família pediu urgência para que ela pudesse ver o ensaio ainda em vida. O pedido foi atendido. “Conseguimos entregar a tempo”, afirmou.
Sônia morreu aos 51 anos, no fim de 2025. Deixou marido, quatro filhos e dois netos. O ensaio fotográfico, segundo a família, foi uma forma de preservar o tempo que ainda restava juntos.
Diagnóstico tardio
Sônia convivia há anos com a bactéria H. pylori, associada a inflamações no estômago. Mesmo após diversos exames, não havia diagnóstico conclusivo. Em 2024, durante uma viagem a Curitiba, decidiu repetir a endoscopia por insistência própria, apesar de ter feito o mesmo exame poucos meses antes.
O resultado confirmou um adenocarcinoma, tipo de câncer gástrico. A notícia abalou a família, especialmente a filha Débora, que relembra ter carregado desde a infância o medo de perder a mãe para a doença.
Após cirurgia e sessões de quimioterapia, houve um período de controle da doença. No entanto, o câncer retornou de forma agressiva, com metástases nos ossos e pulmões.