Por Vanessa Albuquerque
Durante muito tempo, ser mulher foi viver dentro de roteiros previamente escritos. Havia expectativas claras: como se comportar, como falar, como amar, quando casar, quando ser mãe, até mesmo como desejar.
Por séculos, a liberdade feminina foi limitada, vigiada e, muitas vezes, silenciada. Hoje, felizmente, muita coisa mudou. Abrimos portas que antes estavam trancadas. Ocupamos espaços que antes não nos pertenciam. Podemos construir carreiras, decidir sobre nossos corpos, nossas relações e os rumos da nossa própria vida. Mas existe algo sobre a liberdade feminina que nem sempre é dito em voz alta: ela também tem peso.
Ser livre também cansa. Cansa ter que decidir. Cansa sustentar escolhas que, muitas vezes, ainda são questionadas. Cansa carregar a expectativa de dar conta de tudo, de ser bem-sucedida, sensível, forte, bonita, produtiva, independente e ainda emocionalmente disponível.
A liberdade feminina não é leve, mas é necessária para a mulher que quer viver verdadeiramente a sua única vida. Ela exige consciência. Exige responsabilidade. E exige, sobretudo, coragem. Coragem para lidar com dúvidas. Coragem para sustentar decisões que nem sempre serão compreendidas. Coragem para enfrentar a solidão que, às vezes, acompanha quem decide sair do roteiro esperado.
Porque escolher o próprio caminho também significa abrir mão de agradar todo mundo. E talvez essa seja uma das grandes travessias da mulher atual: aprender que liberdade não é sobre perfeição, nem sobre provar algo para o mundo.
Liberdade é poder construir uma vida que faça sentido para si mesma. Com imperfeições. Com aprendizados. Com revisões ao longo do caminho. É poder olhar para a própria história e reconhecer que, apesar das pressões, dos medos e das expectativas externas, ainda assim foi possível escolher.
E é justamente nesse lugar, entre escolhas, questionamentos e reconstruções, que nasce a conversa que quero ter com você por aqui. Porque ser mulher hoje também é viver esse paradoxo: queremos liberdade, mas ainda estamos aprendendo a sustentar tudo o que ela nos pede.
Se existe algo que aprendi ao longo da minha trajetória como psicóloga e sexóloga é que cada mulher precisa encontrar a sua própria forma de existir no mundo. Sem roteiros prontos. Sem encaixes forçados. Sem abrir mão de si mesma.
Uma reflexão do meu coração para o seu, do meu jeito — mas não de qualquer jeito.
Vanessa Albuquerque
@psivanessaalbuquerque