A professora de inglês Isabelle Xisto, que mora em Maceió, passou a ser alvo de ataques misóginos nas redes sociais após publicar um vídeo em que explica a origem e o significado de termos como “red pill”, “incel” e “MGTOW”. O conteúdo foi divulgado no dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, e rapidamente gerou uma onda de comentários agressivos.
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Em menos de 24 horas, a publicação recebeu mais de 100 comentários. Muitos deles continham xingamentos e tentativas de desqualificar a educadora. Entre as mensagens deixadas na postagem estavam frases como “mi mi mi”, “eu fingindo que mulher importa” e “quanta besteira”.
No vídeo, Isabelle propõe uma reflexão sobre como a linguagem pode ser usada para disseminar discursos de ódio ou, ao contrário, servir como ferramenta de resistência e transformação social. Em um trecho da publicação, ela afirma que a criação e a apropriação desses termos revelam a forma como determinados grupos se organizam para reforçar discursos misóginos.
“A apropriação desses termos e a própria criação desse vocabulário machista revela a forma que um grupo de homens se organizou para colocar mulheres em uma posição de inferioridade, compactuando e disseminando essa retórica misógina”, afirmou.
Isabelle é criadora do perfil educacional @cafesemlegenda, que tem como proposta ensinar inglês de forma acessível por meio de temas do cotidiano e debates sociais. Segundo ela, a ideia é mostrar que aprender um idioma também envolve compreender contextos culturais e discursos presentes na sociedade.
No vídeo publicado no Dia Internacional da Mulher, a professora também destacou que a popularização desses termos evidencia um problema social mais amplo. “A língua é viva e dinâmica. Precisamos que ela também seja uma forma de resistência e de existência para nós, mulheres”, disse.
Apesar das críticas recebidas nas redes sociais, Isabelle afirmou que pretende continuar produzindo conteúdos que relacionem o ensino de idiomas com reflexões sociais.
“Quando nos propomos a aprender uma nova língua, conhecemos novas formas de compreender narrativas e utilizar a linguagem como uma forma de resistência e transformação da sociedade. Se a nossa presença incomoda essa parcela da sociedade simplesmente por existirmos, utilizaremos todas as ferramentas para resistir”, concluiu.