Por Vanessa Albuquerque
As mulheres nunca tiveram tantas formas de comunicação disponíveis. Mensagens instantâneas, chamadas de vídeo, grupos, redes sociais e comunidades digitais. Ainda assim, a sensação de solidão cresce.
Em 2026, um fenômeno tem chamado a atenção de pesquisadores da saúde mental: o aumento da solidão subjetiva. Ou seja, pessoas cercadas de contatos, mas carentes de conexão emocional genuína.
Entre as mulheres, essa realidade assume características particulares. Muitas mantêm dezenas de conversas diariamente, mas não possuem espaços seguros para falar sobre seus medos, inseguranças e dores. Outras se tornaram especialistas em cuidar de todos ao redor, mas não sabem para quem ligar quando precisam de ajuda.
Existe uma diferença importante entre estar acompanhada e sentir-se conectada. A conexão emocional exige presença, escuta, vulnerabilidade e confiança, elementos que nem sempre sobrevivem à velocidade das relações digitais.
A solidão feminina contemporânea nem sempre acontece porque faltam pessoas. Muitas vezes, ela acontece porque faltam vínculos profundos.
E talvez esse seja um dos grandes desafios da nossa época: reaprender a construir intimidade em um mundo cada vez mais acelerado.
Isso vale para amizades, relacionamentos amorosos, relações familiares e até para a relação que mantemos conosco mesmas, porque ninguém consegue florescer emocionalmente vivendo apenas de interações superficiais.
Em uma sociedade obcecada por conexão, talvez a verdadeira revolução seja reaprender a criar vínculos. E vínculos, diferentemente dos algoritmos, precisam de tempo, presença e verdade.
Vanessa Albuquerque é psicóloga, educadora em sexualidade e palestrante, com atuação voltada à clínica e à promoção do autoconhecimento, da liberdade emocional e do resgate da identidade feminina. Vanessa é supervisora de psicólogas e desenvolve projetos ligados à educação e ao desenvolvimento de mulheres.