Por Vanessa Albuquerque, Psicóloga e Educadora em Sexualidade
Com a chegada do Dia dos Namorados, uma pergunta volta a ocupar espaço nas redes sociais, nos grupos de amigas e nos consultórios: afinal, ainda vale a pena acreditar no amor?
Em uma época marcada por aplicativos de relacionamento, conexões instantâneas e uma cultura cada vez mais individualista, muitas mulheres se encontram divididas entre dois extremos. De um lado, a ideia de que precisam encontrar alguém para serem felizes. Do outro, o discurso de que não precisam de ninguém. Mas talvez a resposta esteja justamente entre esses dois polos.
A mulher contemporânea já não busca um relacionamento por necessidade econômica, aprovação social ou imposição cultural. Ela busca por escolha.
O problema é que muitas de nós crescemos sem referências saudáveis sobre o que significa construir intimidade emocional. Aprendemos a identificar a paixão, mas não necessariamente a parceria. Aprendemos a tolerar a ausência em nome do amor ou a evitar a vulnerabilidade em nome da independência.
O resultado é uma geração de mulheres emocionalmente fortes, mas muitas vezes cansadas de relações superficiais. Mulheres que desejam conexão, mas que também não querem abrir mão de si mesmas.
A psicologia tem mostrado que relacionamentos saudáveis não surgem da dependência nem da autossuficiência absoluta. Eles nascem da interdependência: a capacidade de compartilhar a vida com alguém sem perder a própria identidade.
Talvez o amor mais maduro de 2026 não seja aquele que completa alguém, mas aquele que encontra duas pessoas já inteiras e dispostas a caminhar juntas.
Neste Dia dos Namorados, talvez a pergunta não seja “quem vai me amar?”, mas “como tenho me relacionado comigo mesma e com os outros?”.
Porque o amor saudável não começa no encontro. Ele começa no autoconhecimento.
Vanessa Albuquerque é psicóloga, educadora em sexualidade e palestrante, com atuação voltada à clínica e à promoção do autoconhecimento, da liberdade emocional e do resgate da identidade feminina. Vanessa também é supervisora de psicólogas e desenvolve projetos ligados à educação e ao desenvolvimento de mulheres.