Ampliar a participação das mulheres nos espaços de poder e fortalecer políticas públicas voltadas à igualdade de gênero, autonomia econômica e inclusão social estão entre as principais propostas da pré-candidata a deputada estadual pelo PT, Elida Miranda.
Em entrevista à Eufêmea, ela afirmou que pretende disputar uma vaga na Assembleia Legislativa de Alagoas nas eleições de 2026 e defendeu uma maior presença feminina nos cargos eletivos como caminho para o fortalecimento da democracia.
A entrevista faz parte de uma série especial da Eufêmea com mulheres que pretendem disputar cargos eletivos nas eleições de 2026.
NOTA DA REDAÇÃO: As perguntas desta série foram enviadas previamente às pré-candidatas. As entrevistas serão publicadas conforme a ordem de recebimento das respostas pela redação da Eufêmea.
Na entrevista, Elida também abordou a sub-representação feminina na política e criticou o que considera estruturas patriarcais que ainda dificultam o acesso das mulheres aos espaços de decisão. Além disso, defendeu a ampliação de políticas públicas voltadas para mulheres negras, população LGBTQIAPN+, trabalhadoras rurais e mães atípicas.
Entre as propostas apresentadas para um eventual mandato, a pré-candidata citou a implantação de lavanderias comunitárias, a ampliação dos restaurantes populares, o fortalecimento da agricultura familiar e a garantia de acesso mais ágil a diagnósticos e laudos para crianças com transtorno do espectro autista (TEA).
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O que motivou sua decisão de disputar um espaço político em um cenário onde mulheres ainda enfrentam violência política, sub-representação e ataques constantes?
Elida Miranda: É exatamente nesse cenário adverso que a participação das mulheres se torna ainda mais necessária. Somos maioria da população e também do eleitorado, mas ocupamos uma parcela muito pequena dos espaços de poder. Isso representa um desafio para a democracia.
A minha decisão nasce da necessidade de ampliar a participação feminina, organizar as mulheres na luta por direitos e garantir que elas estejam nos espaços onde as decisões são tomadas. O cenário adverso não pode ser visto como um obstáculo, mas como motivação para avançarmos.
Muitas candidaturas femininas acabam sendo cobradas apenas por “representatividade”. Para você, qual é o papel concreto de uma mulher na política, além da presença simbólica?
Elida Miranda: Precisamos superar a ideia de que as mulheres estão na política apenas para cumprir uma função simbólica. As mulheres devem discutir todos os temas da sociedade, como economia, orçamento, saúde, educação e trabalho.
Os mandatos femininos não existem apenas para falar sobre os direitos das mulheres. Eles precisam participar dos grandes debates que afetam toda a população. Sem a presença das mulheres nos espaços de decisão, a sociedade fica incompleta.
Quais grupos de mulheres você acredita que seguem mais invisibilizados nas políticas públicas em Alagoas hoje?
Elida Miranda: Sem dúvida, as mulheres negras e as mulheres LBT. Elas enfrentam maiores dificuldades para acessar direitos, emprego, autonomia financeira e espaços de poder.
Existe um apagamento dessas mulheres, e isso precisa ser enfrentado. São grupos que continuam sofrendo com desigualdades históricas e que precisam de políticas públicas específicas para garantir cidadania e oportunidades.
Como você pretende se posicionar diante de pautas relacionadas à violência contra a mulher, desigualdade salarial, direitos reprodutivos e autonomia feminina?
Elida Miranda: Meu posicionamento é de defesa integral dos direitos das mulheres. Precisamos fortalecer os mecanismos de acolhimento às vítimas de violência e criar condições para que elas consigam romper esse ciclo.
A autonomia financeira é fundamental nesse processo. Também é necessário garantir que a igualdade salarial saia do papel e se torne realidade. Em relação aos direitos reprodutivos, o debate deve ser tratado como uma questão de saúde pública e de garantia de direitos.
Quais projetos ou propostas você considera prioridade para a população alagoana caso seja eleita?
Elida Miranda: Uma das prioridades é implementar políticas de cuidado que reduzam a sobrecarga das mulheres. Defendo a criação de lavanderias comunitárias e a ampliação dos restaurantes populares, para que as mulheres tenham mais tempo para estudar, trabalhar e cuidar de si mesmas.
Também pretendo fortalecer a agricultura familiar por meio da criação de feiras regionais que facilitem a comercialização da produção. Outra pauta importante é garantir acesso mais rápido aos laudos para crianças com transtorno do espectro autista (TEA), permitindo que as famílias tenham acesso aos direitos previstos em lei.
Existe alguma estrutura política, cultural ou social que você acredita que ainda impede mulheres de ocuparem espaços de liderança em Alagoas? Como enfrentar isso?
Elida Miranda: Ainda existe uma estrutura patriarcal que concentra poder e dificulta a participação das mulheres nos espaços de decisão. Essa lógica precisa ser enfrentada com mais organização, conscientização e participação política.
Precisamos construir uma sociedade mais igualitária, onde as mulheres tenham as mesmas oportunidades de ocupar cargos de liderança e influenciar os rumos do estado. Essa luta também deve contar com o apoio de homens comprometidos com a igualdade de direitos.