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Projeto antirracista de escola estadual alagoana é selecionado para feira em São Paulo

Foto: Assessoria

O racismo estrutural, a discriminação e a violência nas relações cotidianas viraram debate e também encenação nas salas de aula da Escola Estadual Graciliano Ramos, em Palmeira dos Índios. Agora, essa experiência de arte e conscientização promete romper as divisas de Alagoas: o projeto “Teatro do Oprimido na Luta Antirracista”, desenvolvido pelo grupo teatral da escola, “Os Loucos Também Amam”, foi selecionado para a Feira de Ciências e Tecnologia das Nações (FeNaDANTE). Uma iniciativa do Colégio Dante Alighieri, o evento ocorre de 21 a 25 de setembro, em São Paulo.

Utilizando a metodologia do Teatro do Oprimido, criada pelo teatrólogo brasileiro Augusto Boal nos anos 70, a iniciativa levou cerca de 20 estudantes a embarcarem em oficinas e processos criativos. O impacto, no entanto, foi muito além do grupo: as apresentações e debates mobilizaram mais de 400 pessoas entre Palmeira dos Índios e o município vizinho de Estrela de Alagoas.

O teatro traz a voz

Para quem está nos palcos, a aprovação foi fruto do trabalho de meses de dedicação exaustiva entre estudos, ensaios e organização. A estudante Sâmylla Macêdo, de 17 anos, uma das integrantes do projeto, relata que a notícia gerou um sentimento difícil de mensurar.”Ficamos extremamente honrados e orgulhosos. Ver todo esse esforço sendo reconhecido e saber que conseguimos uma oportunidade tão incrível para levar esse projeto tão lindo lá para fora é algo muito especial para nós”, conta Sâmylla.

Apaixonada pela arte dramática, a jovem explica que o palco se tornou a ferramenta ideal para dar leveza e profundidade a um tema tão sensível e urgente. “O teatro quebra barreiras e traz para o mundo uma maneira muito linda de se expressar. Acredito que ele traz a voz do que precisa ser escutado e demonstra da maneira mais clara o que é estar no lugar do outro”, afirma.

Além dos palcos urbanos, o grupo levou a peça “Terra de Alguém” até o Povoado Jurema, na zona rural de Estrela de Alagoas, para discutir o racismo ambiental e a defesa dos territórios tradicionais.

Impacto 

O projeto provocou transformações profundas na rotina e na percepção dos próprios alunos sobre o cotidiano em que vivem.

“Fazer parte do projeto foi um marco na minha vida, principalmente por conseguir enxergar com mais nitidez tantas coisas que acontecem no nosso dia a dia e passam despercebidas. Minha vontade de sempre tentar melhorar aumentou. Evito brincadeiras que machucam e procuro aconselhar aqueles que talvez nem tenham essa consciência”, reflete Sâmylla.

Para o professor Anderson Gomes, coordenador do grupo “Os Loucos Também Amam”, esse amadurecimento dos alunos dentro e fora da sala de aula é o maior indicador de sucesso do trabalho coletivo. “Essa seleção demonstra que a escola pública produz conhecimento de qualidade e que nossos jovens têm muito a contribuir para os debates nacionais sobre educação, cultura e direitos humanos”, destaca.

FeNaDANTE

Chegando em sua 8° edição, a FeNaDANTE é uma Feira de Ciências e Tecnologia que visa divulgar pesquisas de pré-iniciação científica desenvolvidas por estudantes de escolas públicas e particulares de diferentes localidades brasileiras e de outros países. 

A Iniciativa pretende fomentar o desenvolvimento desses projetos dentro das instituições de Ensino Básico, possibilitando um maior envolvimento dos alunos com a produção científica nas diversas áreas do conhecimento.

*Com Assessoria

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