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Santo Antônio casamenteiro ou terapeuta de casais? O que as festas juninas revelam sobre nossos desejos afetivos

Por Vanessa Albuquerque, Psicóloga e Educadora em Sexualidade

Junho chega carregado de simbolismos. Bandeirinhas, fogueiras, quadrilhas e, claro, as brincadeiras envolvendo Santo Antônio, tradicionalmente conhecido como o santo casamenteiro.

Embora muitas pessoas encarem essas tradições apenas como folclore, existe algo muito interessante por trás delas: a necessidade humana de pertencimento. A verdade é que, por trás das simpatias e das brincadeiras, existe uma pergunta profundamente humana: “Será que existe alguém para mim?”.

Ao longo da história, o casamento representou segurança, estabilidade e reconhecimento social. Para muitas mulheres, inclusive, era uma das poucas possibilidades de construção de identidade. Mas os tempos mudaram. Hoje, as mulheres estudam, empreendem, ocupam espaços de liderança e constroem seus próprios projetos de vida.

Ainda assim, o desejo por amor continua existindo. Não porque falte alguma coisa, mas porque a conexão afetiva é uma necessidade humana legítima.

O problema surge quando transformamos o relacionamento em um projeto de salvação emocional. Nenhum parceiro consegue preencher vazios construídos ao longo de anos. Nenhuma aliança substitui a autoestima. Nenhuma cerimônia resolve feridas emocionais não cuidadas.

Talvez, se Santo Antônio atendesse em consultório hoje, não perguntasse apenas se você deseja casar. Talvez perguntasse: “Você está construindo uma relação saudável consigo mesma?”.

Porque relacionamentos duradouros não dependem apenas de encontrar a pessoa certa. Dependem também de se tornar alguém emocionalmente disponível para viver uma relação saudável. E isso nenhuma simpatia consegue fazer por nós.

Quem sou?

Vanessa Albuquerque é psicóloga, educadora em sexualidade e palestrante, com atuação voltada à clínica e à promoção do autoconhecimento, da liberdade emocional e do resgate da identidade feminina. Também é supervisora de psicólogas e desenvolve projetos voltados à educação e ao fortalecimento do desenvolvimento feminino.

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