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Estudante da Ufal cria identidade visual para memorial de 145 vítimas da violência em AL

Um memorial criado na Universidade Federal de Alagoas (Ufal) para homenagear 145 vítimas da violência e pessoas desaparecidas no estado ganhou uma nova identidade visual desenvolvida por uma estudante de Design. O projeto busca tornar novamente visíveis as histórias representadas pelas árvores do Bosque da Vida, no Campus A.C. Simões, em Maceió.

A proposta foi desenvolvida pela estudante Alícia Almeida Monteiro em seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), apresentado em julho na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU). Intitulado Bosque da Vida: identidade visual como instrumento de memória e vínculo afetivo, o trabalho criou uma marca e um sistema de identidade visual para o memorial.

O Bosque em Defesa da Vida começou a ser implantado em 2012 como resposta ao cenário de violência registrado em Alagoas na primeira década dos anos 2000. Cada uma das 145 mudas plantadas representava uma vítima ou pessoa desaparecida.

A iniciativa reuniu familiares, amigos, integrantes da comunidade acadêmica e representantes da sociedade em torno da defesa dos direitos humanos e da preservação da memória das vítimas.

Com o passar dos anos, no entanto, parte das árvores não resistiu e placas que identificavam as homenagens foram deterioradas pela exposição ao sol e à chuva. Segundo o estudo, a situação se agravou durante a pandemia, e a área passou a ser utilizada por muitas pessoas apenas como caminho entre setores do campus, sem que o significado do local fosse conhecido.

“Um espaço de memória que não se reconhece, que não se distingue, que não comunica sua própria existência, corre o risco de desaparecer novamente, desta vez, da consciência coletiva”, afirmou Alícia.

Cada árvore representa uma vida

O memorial surgiu a partir de um projeto de extensão da Ufal desenvolvido pelas professoras Elaine Pimentel, da Faculdade de Direito de Alagoas (FDA); Ruth Vasconcelos, do Instituto de Ciências Sociais (ICS); e Regina Cœli Marques, da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo.

Durante a pesquisa, Alícia recuperou documentos sobre a criação do espaço, realizou visitas ao Bosque e conversou com as professoras responsáveis pelo projeto original.

Segundo a estudante, as entrevistas foram importantes para que a nova identidade visual incorporasse não apenas características físicas do local, mas também as histórias e os significados atribuídos ao memorial desde sua criação.

“A construção de uma identidade visual para um espaço memorial exige um processo sensível de escuta e interpretação”, explicou.

Folha, chama e raízes

A nova marca desenvolvida para o Bosque reúne três elementos principais: uma folha, uma chama e raízes.

A folha representa a natureza e a renovação da vida. A chama simboliza a preservação da memória, enquanto as raízes representam permanência, pertencimento e os vínculos entre as vítimas homenageadas, os familiares, a universidade e as pessoas que participaram da construção do memorial.

A estudante também utilizou como referência elementos já presentes no espaço, como a disposição triangular das árvores e o Baobá, espécie de origem africana associada à ancestralidade, resistência e sabedoria.

No Bosque, o Baobá também faz referência às vítimas do Quebra de Xangô, episódio de perseguição e intolerância contra religiões de matriz africana ocorrido em Alagoas em 1912.

Além da marca, o projeto criou paleta de cores, tipografia, ícones, padrões gráficos, materiais de comunicação e um manual para orientar a aplicação da identidade visual.

A proposta poderá servir ainda como referência para futuros projetos de sinalização, urbanização, divulgação e educação patrimonial do espaço.

“O Bosque existe para que ninguém seja esquecido e todos sejam sentidos”, diz uma das mensagens criadas por Alícia para o projeto.

Para a estudante, a identidade visual pode contribuir para que o memorial volte a ser reconhecido pela comunidade acadêmica como um espaço dedicado à memória das vítimas e à valorização da vida.

“Cada árvore plantada é uma vida que permanece resistindo ao esquecimento, florescendo em meio ao caos. Elas são mais que lembrança. São presença”, escreveu no manifesto desenvolvido como parte do trabalho.

*Com Assessoria

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