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Sachês de nicotina, cigarros eletrônicos e produtos de tabaco aquecido têm ganhado espaço como alternativas ao cigarro convencional, mas especialistas alertam que o uso desses produtos pode manter a dependência de nicotina e não deve ser considerado inofensivo.
Os sachês, por exemplo, são colocados entre o lábio e a gengiva e liberam nicotina no organismo sem a necessidade de combustão. Apesar da ausência de fumaça, a substância continua sendo capaz de causar dependência.
Segundo a professora de Medicina e pneumologista da Afya Unima Miriãn Silva, a variedade de dispositivos disponíveis exige que o debate sobre o tabagismo vá além do cigarro tradicional, principalmente entre adolescentes e adultos jovens.
Os sachês de nicotina costumam ser comercializados em diferentes sabores e embalagens atrativas. Para a especialista, essas características podem despertar curiosidade e favorecer a experimentação, além de transmitir uma percepção equivocada de que o produto oferece menos riscos.
Sinais de dependência
A dependência de nicotina pode ser percebida a partir de mudanças no comportamento do usuário. Entre os sinais de alerta estão o aumento da frequência do consumo, dificuldade de passar períodos sem nicotina, nervosismo quando não está usando a substância e necessidade de consumir logo após acordar.
“Normalmente, a dependência da nicotina está associada aos prejuízos advindos do tabagismo. Isso geralmente ocorre quando o hábito se torna mais frequente, até mesmo diariamente, inclusive com a necessidade de se fumar logo nos primeiros 30 minutos do dia”, explica Miriãn.
Outro sinal apontado pela pneumologista é continuar fumando mesmo quando a pessoa está doente ou apresentar dificuldade para evitar o consumo em determinadas situações.
Como buscar ajuda
A orientação é procurar acompanhamento profissional ao identificar sinais de dependência. O tratamento pode envolver diferentes estratégias, definidas de acordo com cada paciente.
Segundo a pneumologista, além do acompanhamento médico e da possibilidade de uso de medicamentos, o tratamento pode contar com uma equipe multidisciplinar, incluindo psicoterapia e acompanhamento nutricional quando necessário.
A especialista também alerta que substituir o cigarro convencional por outros dispositivos que utilizam nicotina não significa necessariamente abandonar a dependência.
“Não há comprovação de eficácia de que o uso desses dispositivos auxilia na cessação do tabagismo. Pelo contrário, muda a forma de uso de nicotina”, afirma.
Para quem deseja parar de fumar ou de consumir nicotina, a recomendação é buscar orientação profissional e evitar a substituição por produtos apresentados como alternativas ao cigarro.
*Com Assessoria