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Professora que foi pioneira na educação inclusiva em AL tem trajetória resgatada por projeto

A trajetória da professora Wandette Gomes de Castro, considerada uma das pioneiras da educação inclusiva em Alagoas, está sendo resgatada pelo projeto “Mulheres de Alagoas”. A educadora começou a defender o acesso de crianças com deficiência à escola ainda na década de 1960, quando o preconceito e a falta de estrutura dificultavam a inclusão desses estudantes.

O projeto “Mulheres de Alagoas: Salvaguarda do Patrimônio Imaterial, Memória Viva e Devolutiva Comunitária” reconhece a contribuição da professora para a educação no estado e busca preservar sua história.

Wandette foi uma das precursoras da educação especial em Alagoas. Em uma época em que crianças com deficiência eram frequentemente excluídas das escolas, ela defendia a criação de espaços públicos preparados para atender às necessidades de cada estudante.

A diretora do Centro de Referência de Educação Especial Professora Wandette Gomes de Castro, Arli Rijo, relembra as dificuldades enfrentadas pelas famílias na época.

“As crianças vinham amarradas em calças jeans. Os pais não sabiam o que fazer, e a professora Wandette fazia questão de que elas fossem inseridas no espaço educacional”, contou.

Legado na educação especial

O trabalho da professora contribuiu para o desenvolvimento da educação especial em Alagoas e influenciou gerações de educadores.

Em reconhecimento à sua trajetória, o Centro de Referência de Educação Especial Professora Wandette Gomes de Castro recebeu seu nome. A unidade foi criada por meio do Decreto nº 36.404, de 29 de dezembro de 1994, a partir de uma iniciativa da ex-deputada estadual Tereza Nelma.

Atualmente, o centro oferece atividades voltadas ao desenvolvimento e à autonomia de estudantes com deficiência, como cozinha inclusiva, educação física, artes, horta acessível, psicomotricidade e oficinas pedagógicas.

As atividades buscam desenvolver habilidades pessoais, intelectuais, físicas e sociais, além de contribuir para a preparação dos estudantes para o mundo do trabalho.

Desafios da educação inclusiva

Apesar dos avanços, o acesso à educação ainda é um desafio para pessoas com deficiência no Brasil.

Segundo dados do Censo Demográfico 2022, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), uma em cada cinco pessoas com deficiência no país é analfabeta.

Em Alagoas, mais de 33 mil pessoas declararam ter diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA). Desse total, aproximadamente 11,4 mil frequentavam escolas ou cursos superiores, segundo o levantamento.

Ao resgatar a história de Wandette Gomes de Castro, o projeto “Mulheres de Alagoas” busca preservar a memória de mulheres que contribuíram para a formação da identidade alagoana e dar visibilidade ao legado da professora na defesa do acesso à educação para pessoas com deficiência.

*Com Assessoria

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