Foto: Reprodução/Instagram
A estudante de jornalismo Júlia Neves publicou um vídeo nas redes sociais relatando que ela e o namorado sofreram racismo durante um evento de samba realizado na última segunda-feira (1º), em um bar localizado no bairro do Prado, em Maceió.
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À Eufêmea Júlia informou que registrou um boletim de ocorrência online por calúnia e que o casal está sendo acompanhado juridicamente pelo Instituto Negro de Alagoas (Ineg), que deve orientar os próximos passos da atuação legal.
Segundo Júlia, os dois estavam no local para comemorar o aniversário de uma amiga quando foram abordados por quatro homens que cercaram a mesa em que estavam. “Um deles já chegou me mandando abrir a bolsa e na hora eu não entendi. Perguntei: como assim abrir a minha bolsa? Aí o outro falou que tinha sido furtado e queria conferir se não estava na minha bolsa”, disse.
Ela contou que resistiu à abordagem e decidiu gravar o momento. “Enquanto eu gravava, um dos caras me mandou parar de gravar e eu falei que não ia parar, porque era o meu celular e eu podia filmar sim”, relatou.
Ainda de acordo com Júlia Neves, um dos homens envolvidos era segurança do estabelecimento, mas só teria se identificado depois. Ela relatou também que, durante a discussão, uma mulher se aproximou e reforçou a exigência para que abrisse a bolsa. Júlia disse que respondeu não conhecer nenhuma daquelas pessoas e insistiu que não abriria seus pertences.
Após insistência, Júlia abriu a bolsa diante dos presentes. “Depois de muita coação, de muito constrangimento, não me restou mais nada a fazer a não ser abrir minha bolsa. Nela só tinha caderno, estojo, coisas da faculdade”, contou.
Júlia afirmou ainda que não recebeu apoio imediato do bar. Segundo ela, pediu em voz alta pela presença do gerente, mas não obteve resposta. Apenas depois do ocorrido, o responsável teria aparecido e mostrado as imagens da câmera de segurança.
Do lado de fora, uma viatura policial foi acionada, mas a estudante afirma que também não recebeu suporte. “Eu falei que tinha acabado de ser acusada de roubo e que me mandaram abrir a bolsa. O policial respondeu que eu estava gesticulando demais, chamando atenção, e disse para eu tomar cuidado”, declarou.
Júlia destacou que a denúncia foi registrada pelo número 190 e que o casal está tomando medidas legais. “Quantas pessoas que se parecem com a gente não são confundidas todos os dias e acusadas de algo que não cometeram? A gente sabe que isso não foi só calúnia, isso tem nome e isso é racismo”, afirmou.
Confira a nota da Polícia Militar de Alagoas na íntegra:
“A Polícia Militar de Alagoas (PM-AL) informa que, na noite de terça-feira (02), recebeu uma ligação via 190 relatando um possível caso de constrangimento ilegal em um estabelecimento comercial localizado na Rua Álvaro Marinho, no bairro do Prado, em Maceió.
A ligação foi direcionada à mesa de despacho do 1º Batalhão, setor do 190 responsável pelo atendimento das ocorrências na área do bairro. Durante o contato, uma terceira pessoa que prestava apoio à vítima confirmou a situação e informou que os suspeitos já haviam deixado o local. Diante disso, a orientação repassada foi para que a vítima se dirigisse a uma delegacia e registrasse a ocorrência junto à Polícia Civil.“