Foto: Site da Marcha das Mulheres Negras
A Marcha Nacional das Mulheres Negras, que acontece nesta terça-feira (25) em Brasília, é uma das maiores mobilizações políticas lideradas por mulheres no país. O ato reúne movimentos de todas as regiões para denunciar o racismo, o sexismo e a violência, e reafirma a luta histórica das mulheres negras por reparação e por condições dignas de vida, dez anos após a primeira marcha que levou mais de 100 mil pessoas à capital federal.
Por que a Marcha existe?
A Marcha nasce de uma trajetória longa de enfrentamento. Desde o período colonial, mulheres negras se organizaram em formas de resistência e aquilombamento. Nos anos seguintes, especialmente a partir dos anos 1950, passaram a atuar em movimentos populares e associações de moradores.
Na década de 1970, suas pautas se somaram ao movimento feminista e às lutas antirracistas, consolidando o Feminismo Negro no Brasil. O objetivo central sempre foi o mesmo: enfrentar a dupla opressão de raça e gênero e reivindicar melhores condições de vida.
Quando aconteceu a 1ª Marcha?
A primeira Marcha Nacional das Mulheres Negras aconteceu em 18 de novembro de 2015 e reuniu mais de 100 mil mulheres em Brasília. Elas marcharam com o lema Contra o Racismo e a Violência e Pelo Bem Viver. Naquele momento, denunciaram o racismo estrutural, a violência policial, o genocídio da juventude negra e os altos índices de violência doméstica e feminicídio.
O que significa “Bem Viver” dentro da Marcha?
Bem Viver é o conceito que defende uma vida plena, com direitos garantidos, acesso digno à saúde, educação, trabalho, moradia, terra e cidade. Para o movimento, Bem Viver não é sobreviver. É viver com dignidade, segurança e igualdade.
Por que a Marcha volta agora, dez anos depois?
A Marcha retorna em 2025 para reafirmar que a luta continua e que as desigualdades permanecem profundas. O lema deste ano é Por Reparação e Bem Viver. A escolha reforça que não existe Bem Viver possível sem que o Estado reconheça a dívida histórica com a população negra, especialmente com as mulheres negras.
O que é Reparação e por que isso é central para a Marcha?
Reparação é o conjunto de medidas econômicas, políticas e simbólicas para enfrentar os danos causados por séculos de escravidão, racismo e exclusão. O debate ganha força com a PEC 27 de 2024, conhecida como PEC da Reparação, que cria um fundo nacional de 20 bilhões de reais para políticas de igualdade racial. A PEC prevê também indenizações de empresas que lucraram com a escravidão.
Um exemplo recente é o Banco do Brasil, que em 2023 reconheceu sua participação no tráfico de africanos e pediu perdão ao povo negro.
Qual é a relação entre a Marcha e o Sistema Único de Saúde?
A luta das mulheres negras foi fundamental para a construção da Reforma Sanitária Brasileira, que resultou no SUS. Mesmo sem terem seus nomes registrados nos espaços centrais de decisão, atuaram nas comunidades, denunciando esterilizações forçadas, falta de métodos contraceptivos e ausência de políticas de saúde voltadas às especificidades da população negra. A Marcha, portanto, também reivindica saúde integral e direitos reprodutivos.
Quem organiza a Marcha deste ano?
A Marcha de 2025 tem participação nacional e internacional. Movimentos de mulheres negras dos 27 estados brasileiros vão ocupar Brasília. A Comissão Intersetorial de Saúde da Mulher do Conselho Nacional de Saúde e a Rede Nacional de Mulheres Negras no Combate à Violência convocam conselheiras e conselheiros de saúde para integrarem a mobilização.
Por que essa Marcha importa para o Brasil?
Porque as mulheres negras são a base da sociedade brasileira e também o grupo mais afetado pelo racismo, pela precarização do trabalho, pela violência e pelas desigualdades.
A Marcha é um chamado público para que o país encare essas injustiças e avance em políticas de igualdade racial e de gênero. Ao ocupar Brasília, essas mulheres afirmam que democracia não existe sem justiça racial e sem o direito ao Bem Viver.
Quando e onde a Marcha acontece?
A Marcha acontece nesta terça-feira, 25 de novembro de 2025, em Brasília, com programação durante todo o dia na Esplanada dos Ministérios.