Alagoas contabilizou 13 casos de feminicídio entre janeiro e junho de 2025. O número representa 52% dos registros de 2019, ano mais letal da série histórica, quando 25 mulheres foram assassinadas em crimes de gênero.
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A delegada Ana Luiza, da Polícia Civil de Alagoas (PC/AL), esclareceu que o estado atingiu um recorde histórico na responsabilização de agressores neste ano. Segundo ela, mais de 2 mil homens envolvidos em violência doméstica e familiar já foram presos em Alagoas, o maior número registrado até hoje.
Para a delegada, o dado demonstra uma atuação diária e rigorosa das forças de segurança. “O agressor precisa ser responsabilizado penalmente e cumprir a pena no sistema prisional”, afirmou.
Outro ponto destacado pelas autoridades é o aumento das denúncias de ameaça. De acordo com ela, o indicador é considerado positivo porque mostra que mais mulheres estão buscando ajuda antes que a violência física aconteça. “A violência é um ciclo, e muitas vítimas não estão aguardando que esse ciclo avance para procurar a polícia. Esse comportamento é fundamental para salvar vidas”, explicou Ana Luiza.
Na rede de atendimento, a Casa da Mulher Alagoana registrou 1.321 atendimentos entre janeiro e agosto de 2025. Desde sua criação, em 2021, o equipamento já realizou quase 6 mil acolhimentos, reunindo suporte jurídico, psicológico e social para mulheres em situação de violência.
Relembre os casos
As vítimas registradas neste semestre representam histórias interrompidas pela violência. Entre os casos confirmados está Crislane Maria, 19 anos, dona de casa, morta dentro de casa enquanto cuidava do filho pequeno. Luana Cabral, 27, diarista, foi assassinada após tentar romper um relacionamento marcado por agressões anteriores.
Esses são apenas alguns dos casos registrados este ano. Alagoas contabilizou, ao todo, 13 feminicídios no primeiro semestre de 2025, distribuídos em diferentes regiões do estado e quase sempre marcados pelo mesmo padrão: crimes cometidos por companheiros ou ex-companheiros, após histórico de ameaças, controle e violência doméstica.
As autoridades reforçam que a repressão, a denúncia precoce e o fortalecimento da rede de proteção seguem como pilares essenciais para reduzir os índices e evitar novos crimes ao longo do ano.