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Série especial revela histórias e avanços das mulheres oficiais na PM de Alagoas

Foto:  Igor Lessa/Weslley Ferreira e arquivos pessoais

Na próxima sexta-feira (28),conforme a Lei nº 8.118/2019, pela sexta vez, será comemorado o Dia da Policial Militar Feminina do Estado de Alagoas, desde a sua instituição. Para enaltecer o papel da mulher, a Polícia Militar de Alagoas (PM-AL) apresenta uma Série Especial, composta por três matérias.

Esta é a primeira delas, que ressalta a presença e atuação da mulher no universo dos quartéis e nas ruas alagoanas, mais especificamente, no âmbito do oficialato. A segunda matéria a ser publicada vai destacar a presença e atuação das praças mulheres. A história por trás da data encerra a sequência, com o terceiro texto.

Em ordem crescente, na hierarquia militar, o quadro de oficiais é composto por: aspirante, 2º tenente, 1º tenente, capitão, major, tenente-coronel e coronel. Dados da Diretoria de Pessoal da PM indicam que a presença da mulher no oficialato é uma realidade em todos os níveis da carreira militar.

Em novembro de 2025, no oficialato, a distribuição por patentes em ordem decrescente é a seguinte: duas na patente de coronel; 13 tenentes-coronéis; 27 na de major; 38 na de capitão; e, nos postos de 1º e 2º tenentes, 15 e 12 respectivamente. Nas próximas semanas, seis cadetes do 3º ano serão declaradas aspirantes. A formatura do Curso de Formação de Oficiais (CFO) está marcada para o mês de dezembro.

Cada uma dessas mulheres, em suas respectivas atribuições, patentes e setores, contribui para uma corporação mais forte e um melhor serviço prestado à população. Ao longo de mais de três décadas, outras tantas cumpriram sua missão e deixaram um legado.

Entre aquelas que compõem as fileiras da Briosa, estão três que serão apresentadas a partir de agora. A primeira é a mais experiente do grupo e, mais do que isso, é uma verdadeira história viva da corporação, sendo uma de suas pioneiras. A coronel reformada Cláudia Maria da Silva foi uma das três mulheres admitidas em janeiro de 1988, após aprovação no primeiro concurso para oficiais.

Natural de Pernambuco, onde já atuava como soldado desde 1986, prestou novo concurso, trocou a Polícia Militar de Pernambuco (PMPE) pela PM-AL, seguiu sua carreira e fincou raízes em terras alagoanas. Declarada “aspirante 1990”, foi comandante da Companhia Feminina e, ao longo do serviço ativo, comandou setores e companhias e exerceu, por exemplo, funções como subchefe da Assessoria Militar do Tribunal de Justiça de Alagoas, acumulando ainda as formações acadêmicas em Letras e em Direito.

Na percepção da veterana, as pioneiras, sejam oficiais ou praças, honraram o pioneirismo. “As integrantes das primeiras turmas honraram seu papel. Realmente as dificuldades existiam, porque os homens também não estavam acostumados com as mulheres nos quartéis. Aos poucos as coisas foram mudando e hoje os tempos são outros”, enfatizou a coronel Cláudia.

A segunda representante é a major Clarissa Calvano, integrante da Diretoria de Saúde. Odontóloga formada pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal) no ano de 2002, esposa e mãe. Com um vasto currículo no âmbito da odontologia e no meio militar, atualmente, além da saúde bucal e dos sorrisos de PMs e familiares, dedica-se também a cuidar diretamente da segurança e qualidade de vida da tropa. É coordenadora da Área Temática Melhoria da Qualidade de Vida dos Profissionais de Segurança Pública na PM-AL (MQVPSP) e vice-presidente da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes da Diretoria de Saúde (Cipa/DS).

Entre seus pares, superiores e subordinados, é reconhecida como referência no serviço. A major destaca a satisfação em cumprir, de fato, as missões que a farda lhe confere desde 2006: “É recompensador ver o sorriso de um paciente diante do espelho, após um atendimento. Da mesma forma, há um sentimento profundo de dever cumprido quando um processo de aquisição ou serviço é finalizado, pois sabemos o quanto esses trâmites são complexos, mas relevantes para a corporação e para os usuários dos serviços de saúde da PM-AL”, disse. A terceira militar apresentada é a capitã Roberta Correia, do Comando Regional de Policiamento Metropolitano (CPRM). Ela atua como coordenadora de área operacional do Centro de Operações da Polícia Militar (Copom).

O trabalho de extrema responsabilidade que desempenha hoje, remete com orgulho às lembranças da menina sertaneja, de infância humilde no município de Pão de Açúcar: “Desde cedo conheci o valor do trabalho e da responsabilidade: aos 7 anos, já ajudava minha mãe na feira vendendo milho, coxinha, flau, verduras e cuidando dos meus irmãos. Apesar das dificuldades, sempre tive clareza de que os estudos seriam o caminho para transformar a minha realidade e a da minha família”.

Foi assim que concluiu a escola e aos 18 anos foi aprovada no concurso do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e ingressou no curso de Química na Ufal. Entre os desafios de deixar o interior pela capital e conciliar trabalho e estudos, conquistou seu diploma e uma vaga no Centro de Formação de Oficiais (CFO) da PM, concluído em 2016. No combate ao crime nas ruas, serviu em unidades operacionais como o 2º Batalhão, sediado no município de União dos Palmares.

Mais do que servir e mudar a própria condição e a de sua família, a militar testemunha que os estudos e o trabalho lhe permitiram realizar sonhos. “A estabilidade e as oportunidades oferecidas pela corporação me permitiram realizar um sonho de infância: cursar Medicina, formação que hoje concilio com minhas funções de oficial”, relatou a capitã.

As três militares compartilharam experiências, visões e opiniões sobre ser policial militar feminina em Alagoas.

Na sua visão, o que significa ser policial feminina?

Coronel Cláudia: Para ser sincera, quando sonhava entrar na carreira militar, desde muito nova, nunca foquei nessa temática de gênero. Meu desejo era vestir uma farda, desfilar nas paradas militares, prestar continência. Sempre admirei muito a disciplina dos militares. Quando fiz o Curso de Soldado em Pernambuco, comecei a entender a importância de ser policial feminina. Hoje, depois de ter cumprido minha missão, vejo com clareza o quanto a mulher avançou em todos os setores da sociedade. Ser mulher não significa fragilidade, mas, sim, uma sensibilidade relacionada à capacidade de compreender, nuances emocionais, no trato com a comunidade de uma forma geral.

Major Clarissa: Ser policial feminina no quadro de saúde significa exercer a missão de cuidar com responsabilidade para garantir a saúde e o bem-estar dos profissionais de segurança pública e de suas famílias, seja no atendimento direto, seja na gestão de projetos que fortalecem a Corporação e contribuem para um serviço mais humano e eficiente. Conciliar as demandas do trabalho com a vida pessoal é um desafio constante, comum a muitas mulheres que dividem o tempo entre a missão profissional e o papel essencial na família. Ainda assim, seguimos firmes, entregando dedicação, competência técnica e sensibilidade. Ser policial feminina na área de saúde é representar a força que acolhe e transforma, sempre em prol da Corporação e da população que servimos.

Capitã Roberta: Para mim, representa responsabilidade, competência e orgulho. É atuar com profissionalismo em uma instituição majoritariamente masculina, sendo respeitada pelo trabalho que realizo e pela postura que mantenho. É equilibrar firmeza e sensibilidade, trazendo contribuições próprias e essenciais para a segurança pública. É, acima de tudo, mostrar que dedicação, preparação e ética constroem uma carreira sólida e respeitada.

Como a senhora vê o papel da policial feminina atualmente na corporação?

Coronel Cláudia: Meu entendimento é que o homem e a mulher foram criados, cada um, com suas especificidades. Os dois juntos se completam. A Polícia Militar com a entrada da mulher passou a representar a sociedade de fato como ela é. O homem e a mulher trabalhando juntos, em prol do bem comum e da segurança da comunidade.

Major Clarissa: Não tenho dúvidas de que o papel da policial feminina na corporação é essencial. Seja na atividade operacional, administrativa ou no atendimento oferecido pelo quadro de saúde, as policiais contribuem para uma abordagem mais humana e inclusiva, fortalecendo o diálogo com a sociedade, o atendimento às vítimas e a construção de ambientes de trabalho saudáveis. Não existe Polícia Militar completa sem o olhar humano feminino, que compreende, escuta e acolhe. A mulher policial é parte indispensável de uma instituição que busca evoluir continuamente para servir melhor à população e aos próprios profissionais que a compõem.

Capitã Roberta: A policial feminina ocupa hoje um espaço de grande importância na PM-AL. Contribuímos com perspectivas variadas, habilidades complementares e uma atuação que muitas vezes aproxima a polícia da comunidade. A presença feminina fortalece a instituição, tornando-a mais plural, humana e eficiente. Temos exemplos marcantes dessa evolução: a tenente-coronel Josiene Lima (diretora de Comunicação Social); a major Kelma Moreira, pioneira nos quadros femininos da PM-AL e que segue na ativa (Diretoria de Proteção Social); e a major Noemi Firmo (Batalhão de Polícia Escolar), comandando batalhões com firmeza e excelência. Esses nomes mostram que o espaço da mulher não só existe, como está consolidado e em constante expansão. A presença feminina hoje é sinônimo de profissionalismo, liderança e capacidade.

Qual momento a senhora aponta como mais marcante na sua carreira e por quê?

Major Clarissa: Quando penso em um momento marcante da minha carreira, percebo que não há apenas um. O primeiro grande impacto, sem dúvida, foi ser aprovada no concurso. Eu não tinha a pretensão de seguir a carreira militar, mas aquela oportunidade mudou completamente o rumo da minha vida. Tornar-me policial militar foi uma verdadeira virada de chave, que abriu portas para experiências que eu jamais imaginei viver. Ao longo desses 19 anos, inúmeros momentos me fizeram agradecer a Deus por ter ingressado na corporação. Foram muitos laços construídos, amizades que levo comigo, além de situações em que pude sentir, de forma concreta, a importância do meu trabalho.

Além disso, a instituição também transformou minha vida pessoal: foi nela que conheci meu marido, companheiro de profissão e pai dos meus filhos, que me ajuda diariamente a compreender, ainda mais, a realidade do policial militar combatente. Por tudo isso, não consigo escolher um único momento marcante. Minha trajetória é feita de muitos episódios significativos e tenho certeza de que outros ainda virão. Cada etapa, cada desafio e cada conquista contribuíram para construir quem sou hoje como profissional e como pessoa.

Capitã Roberta: O momento mais marcante da minha trajetória foi o período em que atuei no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (CFAP). Ali pude entender plenamente a dimensão do meu papel enquanto oficial: formar, orientar e preparar novos militares. Foi no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (CFAP) que percebi a importância de servir também como exemplo. Sentir o respeito e a confiança dos alunos ampliou meu senso de responsabilidade para contribuir para uma polícia mais preparada e consciente. Esse período marcou profundamente a minha carreira e a minha visão sobre o impacto do meu trabalho.

Coronel Cláudia: Com certeza, o momento mais marcante foi quando acabei o CFO em Minas Gerais e cheguei aqui em Alagoas como aspirante. Essa transição foi o divisor de águas em minha carreira, pois compreendi o grande desafio de iniciar as atividades da Companhia Feminina no Estado de Alagoas. Tenho muito orgulho de ter feito parte desse início, repleto de obstáculos, mas, também, coroado de vitórias e conquistas. Todo esse trabalho reflete hoje a força e a garra das pioneiras, para as futuras gerações.

A memória de quem abriu caminhos e deixou sua marca na instituição é reconhecida pelo Comando Geral. A foto acima registra o momento de honra ao veterano, em que a coronel Cláudia recebeu a continência de todos os militares presentes durante cerimônia da PM, realizada no Tribunal de Justiça.

Nesta quinta-feira (27), os leitores conhecerão histórias e destaques sobre as praças mulheres da corporação, na Parte 2 da Série Especial sobre o Dia da Policial Militar Feminina de Alagoas 2025.

*Com Assessoria

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