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‘Mulheres de Axé’ celebra força feminina e religiões de matrizes africanas

Foto: Assessoria

O auditório da Reitoria da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) recebe na sexta-feira, 27 de março, o evento “Mulheres de Axé: Iyás Raízes do Mundo”, uma iniciativa do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas (Neabi) da Universidade, com o intuito de lembrar a importância das mulheres – mães, ekedys, cambonas, iaôs – nas casas de santo, representando os pilares da resistência, sabedoria, cura e acolhimento.

Para participar e ter direito à certificado acadêmico, basta realizar inscrição através do formulário disponibilizado na bio dos perfis @neabiufal e @eti.neabiufal, ou ainda presencialmente, no dia do evento.

Conforme a professora Rosa Correia, vice-coordenadora do Neabi e professora do curso de Relações Públicas, “o auditório será transformado em um grande terreiro, ou um grande xirê, onde o presente e o passado (ou a ancestralidade) se conectarão através de uma sequência de apresentações culturais, narrativas e homenagens às mulheres de santo”.

“Essas figuras femininas são as guardiãs de ensinamentos ancestrais, cuidando dos oris (cabeças) e zelando pela tradição, pelos ritos, pela continuidade dos saberes da religiosidade afro-ameríndia brasileira, mantendo viva a cultura dos orixás (forças da natureza), da pajelança indígena e das entidades das ruas e espíritos da sabedoria popular”, explica.

A programação desta edição se divide em duas discussões principais: uma mesa-redonda formada por integrantes de cinco Ilês (terreiros ou casas de santo), apresentando suas experiências de atendimento à sociedade, seja como mulher de terreiro ou como profissional nas áreas da saúde, estética, moda, entre outras áreas; e uma roda de conversa sobre a mudança do nome da Avenida Fernandes Lima para Avenida Tia Marcelina, ação solicitada pelos povos de santo e entidades do movimento negro à Defensoria Pública.

“A proposta de mudança de nome do principal eixo-viário de Maceió tem como alegação o fato de ser Fernandes Lima associado ao maior episódio de violência à cultura negra alagoana e aos Direitos Humanos, o Quebra de Xangô, em 1912. Uma das vítimas mais conhecidas desta violência orquestrada pelo estado de Alagoas no início dos anos 1900, aponta a comunidade das casas de santo, foi Tia Marcelina, uma Iyá carismática que morreu dias depois da destruição de seu terreiro”, comenta a professora.

O evento é realizado pelo Núcleo de Estudos Afro-brasileiros e Indígenas da Ufal e, este ano, conta com a parceria do Neabi do Instituto Federal de Alagoas (Ifal) e da Patacuri, organização da sociedade civil (OSC) que atua no desenvolvimento da cultura afro-ameríndia. “Será não apenas um território aberto ao povo de santo dentro da universidade, mas um espaço que privilegiará a releitura da história de Alagoas e o debate da memória negra, colocando em pauta silenciamentos e apagamentos, físicos e simbólicos, realizados há séculos pelo estado brasileiro”, destaca.

Programação

O evento começa com a apresentação do minidocumentário “Iyás: Raízes do Mundo”, produzido pela aluna do curso de Relações Públicas, Vitória Ribeiro, resultado da disciplina de extensão obrigatória (PIEX II). Vitória é umbandista, de Coruripe, e se inspirou nas mulheres do terreiro que frequenta para fazer seu registro.

Na sequência, acontecerá a mesa, com o mesmo nome do filme, que trará as narrativas de Iyás convidadas: Mãe Bárbara Kafungidan, Mãe Carla Yápandálomim, Mãe Sophia Braz, Mãe Nany Guessenã e a Ekedy Dayse de Ayrá. Em seguida, haverá uma homenagem a outra grande mãe de santo alagoana, Mãe Netinha, falecida em 2006. Considerada a Ialorixá mais antiga do Xangô de Alagoas e uma grande ativista social no Jacintinho, onde atuava na educação de jovens e adultos e na proteção de crianças e adolescentes.

Abrindo a noite, será feita a reapresentação do documentário “Cartas à Tia Marcelina”, dirigido por João Macena, aluno de Teatro da Ufal, que traz alguns aspectos do Quebra de Xangô e da vida de Tia Marcelina, e que dará início à discussão sobre a possível mudança do nome da Avenida Fernandes Lima. Estarão presentes para este momento a professora Rachel Rocha, o defensor público Othoniel Pinheiro, à frente da petição que representa a vontade dos terreiros e do movimento negro, e o desembargador Tutmés Airan, atualmente reconhecido por Mãe Mirian como Obá de Xangô (defensor da justiça), e a ex-presidente do Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racia (Conepir), Salete Bernardo.

Além de documentários e debates, haverá também apresentações culturais, como a companhia de teatro Nagô Teatral e o Afoxé Igbalé.

*Com Assessoria

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