O julgamento do caso do desaparecimento de Davi Silva acontece nesta segunda-feira (4), no Fórum do Barro Duro, em Maceió. Logo no início, o pai, Cícero Lourenço da Silva, fez um desabafo e relembrou a mãe de Davi, que morreu após anos em busca de respostas sobre o filho.

Emocionado, ele disse que o sofrimento acabou afetando a saúde dela. “Dona Maria, que é a mãe dele, trabalhava no Mercado da Produção vendendo coentro pra sustento dele. Lá levou um tiro de raspão na cabeça.”
Ele relembra um atentado que aconteceu em 2015 com Maria José. Ela foi baleada de raspão na cabeça enquanto esperava um ônibus no bairro da Levada. Os tiros atingiram outro homem, que morreu no local.
“Depois ficou pensando no nosso filho, o que ele fez, o que não fez. Qual era a obrigação do policial? Pegar meu filho e levar pra minha casa, porque eu sou o pai e ela é a mãe. A gente tinha tomado as providências. Ela morreu… foi operada do coração, morreu por causa disso. Pensava tanto, quebrou tanto a cabeça com isso. E eu quero justiça”, disse.
Maria José da Silva morreu depois de mais de 10 anos procurando pelo filho. Segundo a família, ela teve problemas no coração.
Os réus Eudecir Gomes de Lima, Carlos Eduardo Ferreira dos Santos, Victor Rafael Martins da Silva e Nayara Silva de Andrade respondem por tortura, homicídio qualificado e ocultação de cadáver.
Caso Davi

Davi desapareceu em 2014, quando tinha 17 anos. Ele foi levado por policiais militares no bairro Benedito Bentes, em Maceió. De acordo com as investigações, o jovem pode ter sido torturado e morto. O corpo nunca foi encontrado.
O julgamento é aberto ao público e reúne familiares, entidades e representantes da sociedade. O caso já tinha sido adiado outras vezes, o que aumentou a espera por uma decisão.