Por Bel Alvi
Foto: Itaciara Albuquerque
Gigi,
Durante muito tempo, eu achei que seria eu quem ensinaria tudo para você. Achei que seria eu quem mostraria os caminhos, prepararia você para a vida e ajudaria você a crescer.
Mas a verdade é que, desde que você chegou, foi você quem mais transformou a minha forma de enxergar o mundo.
Você refinou partes minhas que talvez eu nunca tivesse desenvolvido sozinha.
Antes de ser sua mamãe, eu acreditava que produtividade era fazer mais. Hoje, você me ensinou que presença vale muito mais do que pressa. Me ensinou sobre prioridades sem precisar dizer uma palavra. Me mostrou que nem tudo merece a nossa energia, que algumas coisas podem esperar e que existem momentos que simplesmente não voltam.
Você refinou em mim a capacidade de perceber detalhes. Talvez por isso hoje eu fale tanto sobre experiência, encantamento e intencionalidade. Porque a maternidade me ensinou algo muito poderoso: as pessoas raramente esquecem como foram feitas se sentir.
Você também refinou minha inteligência emocional. Não aquela inteligência emocional bonita das frases prontas, mas a construída no cansaço, na culpa, nas dúvidas e no amor que transborda mesmo nos dias difíceis.
Você me ensinou a respirar mais fundo. A pedir paciência — muita, porque pouca não me serve. Rsrsrs. Me ensinou a desacelerar. A entender que nem tudo está sob controle — e que tudo bem.
E talvez uma das maiores transformações tenha sido entender que força não é dar conta de tudo. Força, muitas vezes, é continuar mesmo insegura. É reaprender. É reconstruir. É seguir em frente carregando amor e responsabilidade ao mesmo tempo.
Filha, você provavelmente nunca vai imaginar quantas habilidades profissionais foram refinadas em mim simplesmente porque você existe.
Você me tornou mais humana, mais sensível, mais estratégica, mais resiliente e mais consciente sobre pessoas. E isso atravessou diretamente a forma como eu lidero, como eu empreendo e como eu me relaciono com o mundo.
Curiosamente, o mercado muitas vezes enxerga a maternidade como uma limitação profissional. Mas eu queria que você soubesse: você nunca diminuiu a minha potência. Você ampliou.
Porque ser sua mamãe não me afastou dos meus sonhos. Me aproximou do meu propósito.
E se hoje eu auxilio pessoas e empresas a construírem experiências mais humanas, mais intencionais e mais encantadoras, existe muito de você em tudo isso.
Obrigada por me permitir viver o papel mais desafiador, transformador e humano da minha vida.
Eu te amo.
Indo e voltando… voltando e indo.
Com amor,
Mamãe