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Pré-candidata, Dafne Orion afirma que representatividade feminina deve resultar em mudanças concretas

A pré-candidata a deputada federal pelo PT, Dafne Orion, afirmou que pretende disputar uma vaga na Câmara dos Deputados nas eleições de 2026 com foco na defesa dos serviços públicos, na ampliação de políticas voltadas às mulheres em situação de vulnerabilidade e no fortalecimento da participação popular nas decisões políticas.

Em entrevista à Eufêmea, Dafne defendeu que a presença de mulheres na política precisa ir além da ocupação de espaços e resultar em mudanças concretas na vida da população, especialmente para grupos que enfrentam desigualdades históricas.

Segundo ela, mulheres negras, mulheres trans, mulheres de baixa renda e aquelas que vivem abaixo da linha da pobreza devem estar entre as prioridades das políticas públicas. A pré-candidata também afirmou que pretende defender, em um eventual mandato, propostas voltadas à saúde e à educação públicas, à valorização dos direitos trabalhistas, ao acesso a serviços essenciais e ao enfrentamento da violência contra as mulheres.

A entrevista faz parte de uma série especial da Eufêmea com mulheres que pretendem disputar cargos eletivos nas eleições de 2026.

Nota da redação: As perguntas desta série foram enviadas previamente às pré-candidatas. As entrevistas são publicadas conforme a ordem de recebimento das respostas pela redação da Eufêmea.

Confira a entrevista na íntegra

O que motivou sua decisão de disputar um espaço político em um cenário onde mulheres ainda enfrentam violência política, sub-representação e ataques constantes?

Dafne Orion: Eu tenho uma convicção muito clara: as grandes transformações que melhoram a vida do povo só acontecem quando existe organização coletiva e compromisso real com quem trabalha todos os dias para sobreviver. Acredito na força da construção coletiva, na participação popular e na capacidade que o nosso povo tem de mudar a realidade quando está unido em torno de um projeto comum.

Muitas candidaturas femininas acabam sendo cobradas apenas por “representatividade”. Para você, qual é o papel concreto de uma mulher na política, além da presença simbólica?

Dafne Orion: A representatividade é fundamental, mas ela precisa vir acompanhada de ações concretas. Não basta ocupar espaços; é preciso transformá-los. Como mulher, meu papel é atuar com planejamento, estratégia e compromissos muito bem definidos, sempre colocando as necessidades da população no centro das decisões. Fazer política é agir para produzir mudanças reais na vida das pessoas.

Quais grupos de mulheres você acredita que seguem mais invisibilizados nas políticas públicas em Alagoas hoje?

Dafne Orion: Precisamos olhar com prioridade para aquelas que historicamente enfrentam mais desigualdades e vulnerabilidades: mulheres negras, mulheres trans, mulheres de baixa renda e aquelas que ainda vivem abaixo da linha da pobreza. São elas que sentem de forma mais intensa os impactos da exclusão social, da violência e da falta de oportunidades. Construir políticas públicas para essas mulheres é construir uma sociedade mais justa para todas.

Como você pretende se posicionar diante de pautas relacionadas à violência contra a mulher, desigualdade salarial, direitos reprodutivos e autonomia feminina?

Dafne Orion: Nenhuma política para as mulheres pode ser construída sem ouvir as próprias mulheres. Nosso esforço será sempre o de construir posicionamentos e propostas de forma coletiva, com muita escuta, diálogo e participação de quem vive diariamente os desafios que queremos enfrentar. A defesa da vida, da dignidade e dos direitos das mulheres é, para mim, uma pauta inegociável.

Quais projetos ou propostas você considera prioridade para a população alagoana caso seja eleita?

Dafne Orion: Minha atuação estará voltada para a defesa de projetos que garantam acesso à saúde e à educação públicas de qualidade, salário justo e direitos trabalhistas, além do acesso universal aos serviços essenciais, como água, energia e gás, especialmente para a população mais vulnerável.

Também defendo a melhoria da qualidade desses serviços para toda a sociedade, uma política de segurança pública baseada na cidadania e na prevenção da violência, o combate a todas as formas de violência contra as mulheres e a defesa permanente da democracia e do Estado Democrático de Direito.

Existe alguma estrutura política, cultural ou social que você acredita que ainda impede mulheres de ocuparem espaços de liderança em Alagoas? Como enfrentar isso?

Dafne Orion: O machismo continua sendo um instrumento de manutenção de privilégios e de concentração de poder nas mãos daqueles que têm dificuldade de conviver em um ambiente verdadeiramente democrático. Combater essa estrutura é fundamental para garantir igualdade de oportunidades, respeito e participação plena das mulheres em todos os espaços da sociedade.

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