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Projeto transforma cicatrizes em tatuagens e ajuda participantes a recuperar autoestima

Foto: Assessoria

Um projeto social criado em Maceió utiliza tatuagens para cobrir cicatrizes e ajudar pessoas a reconstruir a relação com o próprio corpo. A iniciativa Linhas de Recomeço foi idealizada pela tatuadora Andressa Monike Fialho e atende principalmente integrantes da comunidade LGBTQIAPN+.

A primeira etapa do projeto ofereceu gratuitamente a cobertura artística de cicatrizes provocadas por cirurgias, acidentes e episódios de automutilação. As inscrições foram realizadas em junho, durante o Mês do Orgulho LGBTQIAPN+, e já foram encerradas.

Segundo Andressa, a ideia surgiu após ela perceber que muitas pessoas deixavam de procurar o procedimento por vergonha das cicatrizes, medo de julgamentos ou insegurança em frequentar estúdios de tatuagem.

“Mais do que oferecer uma técnica, eu queria criar um espaço onde elas encontrassem acolhimento, respeito e segurança durante todo o processo”, afirmou.

Os candidatos preencheram um formulário, passaram por uma pré-seleção e participaram de uma avaliação presencial. O processo contou com o acompanhamento do Instituto Brasileiro de Transmasculinidades em Alagoas (Ibrat-AL).

Os materiais utilizados nas tatuagens foram fornecidos pela E-Tattoo, enquanto a Panta Cosméticos disponibilizou produtos para os cuidados durante a cicatrização.

Participantes relatam mudança na autoestima

O estudante de Psicologia Lucas Levi, de 20 anos, contou que deixou de usar algumas roupas por sentir vergonha das cicatrizes. Após participar do projeto, ele afirma que passou a se sentir mais confortável com o próprio corpo.

“Hoje consigo vestir roupas que antes não conseguia usar. É a minha tatuagem preferida e a mais importante, porque é a que carrega mais significado”, disse.

O estudante de Contabilidade Felipe Santos, de 25 anos, também relatou que se sentia incomodado com olhares e perguntas sobre as marcas.

“Hoje sinto que estou recomeçando. Estou mais confiante e seguro para ocupar os lugares sem precisar me esconder ou me sentir julgado”, afirmou.

Atendimento continua com valor social

Embora a etapa gratuita tenha sido encerrada, o atendimento para cobertura de cicatrizes continua sendo oferecido no Gato Preto Studio, em Maceió, mediante pagamento de um valor social.

Andressa atua como tatuadora há seis anos e atualmente realiza uma especialização em dermatologia estética para aprofundar os conhecimentos sobre procedimentos em áreas com cicatrizes.

Mais informações sobre o serviço podem ser encontradas no perfil @gatopreto.studio, no Instagram.

*Com Assessoria

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