Duas estudantes do curso de Design da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) foram selecionadas para apresentar, em um congresso nacional, um projeto de plataforma digital voltada ao apoio à terapia on-line de crianças com ansiedade social.
Chamado de “Ria que Passa”, o projeto foi desenvolvido por Kamilly Cavalcanti Santos e Beatriz de Albuquerque Maranhão Bezerra, com orientação de Layane Araújo. O trabalho será apresentado no 16º Congresso Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento em Design (P&D Design), entre os dias 7 e 9 de outubro, no Recife (PE).
O estudo foi aprovado para apresentação oral no eixo de Fatores Humanos, Acessibilidade e Experiência do Usuário. A proposta reúne conceitos de design, psicologia e palhaçoterapia para criar um ambiente digital de suporte ao atendimento psicológico infantil.
A ideia começou a ser desenvolvida em 2024, durante uma disciplina de Sistema de Identidade Visual da Ufal. Inicialmente, as estudantes criaram a identidade visual do projeto, começando por desenhos feitos à mão e passando por diferentes etapas de refinamento.
Depois, a dupla decidiu ampliar a proposta e transformá-la em um projeto com aplicação social, que também passou a integrar o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC).
“A gente imaginou utilizar o Ria que Passa como uma plataforma de terapia on-line que utiliza da palhaçoterapia para crianças”, explicou Beatriz.
Segundo a estudante, a expansão do atendimento remoto após a pandemia de Covid-19 também influenciou a escolha do formato.
“Uma forma de romper com as barreiras geográficas e também com toda a questão que veio com a pandemia foi pensar em algo que pudesse acompanhar essa nova realidade do remoto e do on-line”, afirmou.
Como funciona a plataforma
A plataforma foi planejada para ser utilizada principalmente pelos responsáveis pelas crianças e pelos profissionais de psicologia. Entre os recursos previstos estão criação de conta, área específica para psicólogos, acompanhamento de informações relacionadas à terapia e um blog.
Apesar de a interface utilizar elementos lúdicos ligados à palhaçaria, esses recursos não aparecem durante a videochamada. No momento da consulta, a proposta é manter apenas o contato entre a criança e o profissional.
O projeto tem como referência a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e concentra a pesquisa no atendimento de crianças com ansiedade social.
“Quando chega na videochamada, realmente fica só ali o terapeuta ou psicólogo e a criança e a técnica da TCC”, explicou Kamilly.
As estudantes destacam que a plataforma não foi projetada para que as crianças utilizem o sistema sozinhas. A participação dos responsáveis faz parte da proposta, inclusive para permitir o acompanhamento do processo terapêutico.
Pesquisa reúne diferentes áreas
Para desenvolver o projeto, as estudantes pesquisaram temas como terapia on-line, atendimento infantil, ansiedade social, Terapia Cognitivo-Comportamental e palhaçoterapia.
Segundo Kamilly, um dos principais desafios foi reunir diferentes áreas de pesquisa em uma única proposta.
“Não dá para a gente pesquisar só sobre terapia, porque a gente está falando da on-line, está falando para crianças, está falando da abordagem da TCC e está falando para ansiedade social”, disse.
A estudante ressalta que, por ser um campo ainda em desenvolvimento, não é possível atribuir resultados específicos à utilização da palhaçaria no tratamento.
“É um estudo que ainda fica muito em aberto, porque as pesquisas ainda estão sendo feitas. A gente não consegue dizer que a palhaçaria, sozinha, causa determinado resultado, porque existem vários fatores externos”, afirmou.
Por esse motivo, o projeto mantém o foco especificamente na ansiedade social infantil, sem tentar abranger todos os transtornos ou modalidades de acompanhamento psicológico.
“Nosso recorte é bem específico, para a gente poder focar naquilo e poder entregar um conteúdo verídico”, destacou Kamilly.
Protótipo foi desenvolvido no Figma
Até chegar ao protótipo atual, as estudantes passaram por etapas como elaboração de fluxogramas, mapa de empatia, criação de personas, análise de soluções existentes e desenvolvimento de um Design System, que reúne padrões para orientar a experiência e a interface da plataforma.
O protótipo foi construído no Figma. As estudantes também pesquisaram experiências de utilização da palhaçaria em contextos de cuidado, como o projeto Sorriso de Plantão.
Antes de avançar no desenvolvimento, a dupla realizou uma etapa de validação da proposta. Em 2024, produziu um vídeo institucional e divulgou o material no Instagram do projeto, acompanhado de um formulário para medir o interesse do público. Segundo as estudantes, 43 e-mails foram cadastrados.
Projeto será apresentado em outubro
A submissão ao P&D Design aconteceu enquanto o TCC ainda estava em desenvolvimento. A sugestão de enviar o trabalho ao congresso partiu da orientadora Layane Araújo.
Para participar, as estudantes adaptaram o projeto às exigências do evento. O trabalho foi submetido em maio de 2026, e a aprovação foi divulgada no dia 6 de setembro.
“É uma validação muito importante para a gente, principalmente no âmbito acadêmico. É saber que estamos indo no caminho certo, que o artigo e o projeto são interessantes e que é um estudo válido”, afirmou Beatriz.
Desde a submissão, o projeto passou por novas etapas de desenvolvimento e, segundo as estudantes, aproxima-se da fase de testes.
Além do trabalho acadêmico, o projeto também é resultado de uma parceria iniciada nos primeiros períodos da graduação. Beatriz e Kamilly desenvolveram diversos trabalhos juntas ao longo do curso.
“Eu acho que o TCC é um reflexo de uma graduação, uma jornada acadêmica de muita união, de uma mão realmente lavar a outra. A gente sempre dividiu os trabalhos. Não tinha como esse ser diferente”, contou Kamilly.
“Eu acho que sempre fez muito sentido esse projeto ser com ela, não ser sozinha”, completou.
*Com Assessoria