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Movimentos de mulheres se unem em ato contra PL do aborto em Maceió: “as vítimas não devem ser criminalizadas”

Texto: Raíssa França e Rebecca Moura

Foto: Rebecca Moura/Eufêmea

Contra o Projeto de Lei 1904/2024, que prevê que o aborto após 22 semanas seja equiparado ao crime de homicídio, mesmo que em casos de estupro, movimentos feministas, sindicatos e associações se uniram e realizaram um ato nesta terça-feira (18) em frente à Câmara de Vereadores de Maceió, no bairro do Jaraguá.

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Com faixas, cartazes, adesivos e discursos contrários ao PL, as manifestantes demonstraram sua indignação. Quem participou do ato foi Lenilda Luna, do Movimento Mulheres Olga Benário. Ela disse que a intenção do ato é denunciar o que está por trás do PL 1904.

“Não podemos aceitar a criminalização das vítimas, das crianças e adolescentes que engravidam, muitas vezes, vítimas de estupro. O que precisamos são penas mais rigorosas e medidas protetivas para as crianças e adolescentes. Quem precisa ser criminalizado é o estuprador”, destacou Lenilda.

A professora da UFAL, Elvira Barretto, comentou que o ato representa um repúdio contra um PL criminoso. “Isso vai além das questões dos direitos humanos; trata-se do respeito e valorização dos direitos das mulheres de forma geral, particularmente das crianças e adolescentes”, disse.

Ela reforçou que no Brasil, duas pessoas são estupradas por minuto, segundo dados. “O problema está no criminoso e na discussão sobre o processo de socialização e educação dos homens para não serem estimulados a cultura do estupro”, acrescentou.

A presidenta dos Urbanitários de Alagoas, Dafne Orion, enfatizou que é inadmissível um projeto que visa apenas usar a vida das mulheres como barganha política para atender aos interesses dos homens. “Estamos aqui dando total apoio a todas as mulheres, porque a vida delas importa”.

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Veja as imagens do protesto. Créditos: Rebecca Moura/Eufêmea