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Pré-candidata, Tereza Nelma defende inclusão social e diz que AL precisa voltar a ter uma voz feminina em Brasília

Depois de ter sido a única mulher da bancada alagoana na Câmara dos Deputados, Tereza Nelma (MDB) quer retornar ao Congresso Nacional nas eleições de 2026. Pré-candidata a deputada federal, ela afirma que pretende levar novamente para Brasília pautas ligadas à inclusão social, à defesa dos direitos humanos e à proteção de grupos historicamente invisibilizados.

A Eufêmea iniciou uma série de entrevistas com mulheres que pretendem disputar cargos eletivos em 2026.

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Na conversa, ela falou sobre violência política de gênero, relembrou episódios de machismo enfrentados ao longo da trajetória pública e defendeu que a presença feminina nos espaços de decisão precisa resultar em mudanças concretas na vida da população.

Tereza também destacou a situação de mães solo, mulheres com deficiência, mães atípicas, trabalhadoras rurais e pescadoras que, segundo ela, seguem enfrentando barreiras para acessar direitos e políticas públicas. Ao abordar as prioridades de um eventual novo mandato, afirmou que pretende fortalecer políticas de inclusão e acessibilidade, ampliar oportunidades para pessoas com deficiência e atuar na defesa das mulheres, das crianças e da população idosa.

O que motivou sua decisão de disputar um espaço político em um cenário onde mulheres ainda enfrentam violência política, sub-representação e ataques constantes?

Tereza Nelma: Minha motivação sempre foi a defesa das pessoas e dos direitos humanos. Ao longo da minha vida, aprendi que não basta reconhecer os problemas; é preciso ocupar os espaços onde as decisões são tomadas. Venho de uma família pobre e sei como é difícil melhorar a condição social.

Nessa luta, o acesso à universidade e a participação na política estão entre os maiores desafios para as mulheres, mas também são fundamentais para construir uma sociedade mais justa, inclusiva e democrática.

Nunca me deixei intimidar pelos obstáculos. Pelo contrário, eles reforçaram meu compromisso de continuar lutando ao lado de quem mais precisa.

Muitas candidaturas femininas acabam sendo cobradas apenas por “representatividade”. Para você, qual é o papel concreto de uma mulher na política além da presença simbólica?

Tereza Nelma: A representatividade, entendida como o compromisso com os avanços sociais, é importante porque garante diversidade nos espaços de poder. Mas ela precisa vir acompanhada de trabalho e resultados.

Durante meu mandato como deputada federal, fui a única mulher da bancada alagoana na Câmara dos Deputados. Tive a oportunidade de ocupar espaços estratégicos e fui a mais votada pela bancada feminina para assumir a Procuradoria da Mulher da Câmara.

Foi nesse período que ajudei a criar o Observatório Nacional da Mulher na Política, um instrumento que monitora a participação feminina e combate a violência de gênero no Brasil. Isso mostra que a presença feminina na política não é apenas simbólica: ela produz mudanças concretas e fortalece a democracia.

Quais grupos de mulheres você acredita que seguem mais invisibilizados nas políticas públicas em Alagoas hoje?

Tereza Nelma: Talvez sejam as mães solo, que hoje representam uma parcela significativa das mulheres responsáveis pelo sustento e pela chefia de suas famílias. Elas dão uma contribuição fundamental à sociedade, apesar da discriminação que ainda enfrentam. Muitas seguem à espera de políticas públicas que garantam melhores condições de vida.

Ao lado delas, estão as mulheres com deficiência, as mães atípicas, as mulheres idosas, as trabalhadoras rurais e as pescadoras. Todas enfrentam situações de vulnerabilidade social e barreiras injustificáveis para acessar direitos e oportunidades.

Quando falamos de inclusão, precisamos olhar principalmente para quem historicamente ficou à margem das políticas públicas.

Como você pretende se posicionar diante de pautas relacionadas à violência contra a mulher, desigualdade salarial, direitos reprodutivos e autonomia feminina?

Tereza Nelma: Defendo o fortalecimento das políticas de proteção às mulheres, o combate firme à violência em todas as suas formas e a ampliação das oportunidades para que elas tenham independência econômica e autonomia.

Também acredito que precisamos avançar na construção de uma sociedade que respeite as mulheres, valorize seu trabalho e garanta igualdade de oportunidades. Essa é uma pauta de direitos humanos e de justiça social.

Durante meu mandato, articulei a construção do Hospital de Amor, em Arapiraca, além de fortalecer o trabalho da Casa Rosa no combate ao câncer. Também estimulei a criação de associações Pestalozzi em vários municípios.

Neste mês, será inaugurado, em Maceió, o prédio que abrigará o maior centro de reabilitação de alta complexidade do Nordeste. Esse é o destino das minhas emendas parlamentares: melhorar a condição de vida das pessoas. Continuo morando na mesma casa há mais de 25 anos.

Quais projetos ou propostas você considera prioridade para a população alagoana caso seja eleita?

Tereza Nelma: Alagoas precisa voltar a ter uma voz feminina forte, independente e comprometida com o enfrentamento de práticas machistas e discriminatórias.

Lembro que, depois de ser eleita deputada federal, um desses políticos machistas me disse, em tom de ironia: “Nós esquecemos de você. Na próxima, vamos te vigiar”. E isso realmente aconteceu. Onde eu tinha apoio, eles confrontavam, inclusive com ameaças. Mas não desisto.

Acho que hoje as mulheres e também os homens comprometidos com a democracia estão mais sensibilizados para a importância de ter, na Câmara dos Deputados, uma representante identificada com os direitos humanos e com a proteção das crianças e da juventude.

Minha prioridade será fortalecer as políticas de inclusão social e acessibilidade, ampliar oportunidades para as pessoas com deficiência, defender os direitos das mulheres e das pessoas idosas, além de buscar investimentos que gerem desenvolvimento com justiça social.

Quero levar para Brasília a experiência de quem dedicou a vida à defesa de direitos e à construção de políticas públicas que transformam vidas.

Existe alguma estrutura política, cultural ou social que você acredita que ainda impede mulheres de ocuparem espaços de liderança em Alagoas? Como enfrentar isso?

Tereza Nelma: Sim. Ainda existem barreiras culturais que fazem com que as mulheres precisem provar sua capacidade o tempo todo para ocupar espaços de liderança. Isso acontece na política, no esporte, na cultura, no mercado de trabalho e em diversas outras áreas da sociedade.

Enfrentar essa realidade exige mais participação feminina, combate à violência de gênero e fortalecimento de mecanismos que incentivem e protejam as mulheres que escolhem a vida pública.

A democracia, sustentada por práticas republicanas, é fundamental para a plena realização das mulheres. É a liberdade que nos torna mais fortes, amplia o alcance da voz feminina, abre novos espaços e cria condições reais para que as mulheres participem das decisões em igualdade de condições.

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