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Rugas, eu? Na era virtual, é cada vez maior a procura por harmonização facial; mulheres são as campeãs

Está cada vez mais distante o tempo em que procedimentos estéticos eram coisa de famosos ou dos mais velhos, que buscavam nesse tipo de recurso uma forma de reduzir os efeitos da idade, as indesejadas rugas trazidas com o tempo. Hoje, cada vez mais os jovens buscam na estética um meio para se sentir bem.  E quem nunca sonhou com isso? No mundo virtual, onde as pessoas se expõem seja para falar do próprio dia a dia ou como ferramenta de trabalho, a aparência conta e como conta. É aí onde surge aquele desejo de dar uma repaginada no visual e a busca pela harmonização facial. 

O Eufemea conversou com a cirurgiã-dentista Juliana Fragoso, formada pela Universidade Federal de Alagoas (Ufal), especialista em ortodontia e ortopedia dos maxilares (ABO- PE 2010) e com especialização em andamento em harmonização orofacial (FACSET- MG), que conta como funciona, para que servem os tratamentos e os cuidados que se deve ter na escolha  do profissional.  

“Cada vez as pessoas vêm procurando mais os procedimentos estéticos, querendo melhorar alguma coisa na sua aparência. Eu vejo isso como uma necessidade de se sentir bem, porque hoje em dia, até com essa questão das redes sociais, as pessoas estão cada vez mais expostas. Com isso, vem a vontade de estar com a aparência cada vez melhor. É a vaidade misturada com a necessidade de se sentir bem”, revela a especialista. 
O antes e o depois é registrado pela profissional que foge da padronização hoje tão valorizada …

Mas não basta apenas querer ficar mais bela, é preciso cuidado na escolha do profissional e do local, como pontua Juliana.  “Com o profissional adequado, com um ambiente adequado e próprio para o procedimento, o produto correto, as chances de intercorrências são bem reduzidas”, ela diz. 

São as mulheres, segundo Juliana, as que mais procuram os procedimentos estéticos, mas os homens também recorrem às técnicas, só que com uma diferença. “Nas mulheres, muitas querem procedimentos que sejam pouco mais radicais, que modifiquem bastante a aparência. Os homens, a maioria, desejam mudanças mais sutis, que as pessoas não percebam tanto que houve aquela intervenção. Mas, ainda assim, o público feminino é o grande campeão de procura”. 

Novo sorriso 

Enquanto cirurgiã-dentista, Juliana destaca que seu trabalho é com procedimentos estéticos na face e na boca. “A gente também não pode esquecer que o nosso sorriso é responsável por 30% da nossa harmonia facial, tá aí clareamento realizado em consultório e o caseiro que também  é uma alternativa importante no processo de rejuvenescimento facial, porque os dentes amarelados  envelhecem até 12  anos a pessoa”, ela alerta, ao dizer que no consultório são feitos “botox, preenchimento e os fios faciais”. 

E como da odontologia a profissional foi parar na estética facial? Ela conta que é ortodontista por formação, especialista.  

“A minha natureza era sempre de melhorar o sorriso, na forma do alinhamento, dos dentes, do posicionamento dentário mesmo. Mas aí eu sempre achava que no final do tratamento a gente conseguiria melhorar mais ainda se tivesse um lábio, um queixo, um mento um pouquinho mais bem posicionado e aí com a junção da harmonização e a ortodontia a gente consegue ter uma finalização perfeita”. 
…E mostra como o tratamento ajuda na mudança de marcas indesejadas e também na autoestima

Ela destaca ainda que os cirurgiões-dentistas trabalham também com harmonização facial e que a especialidade deles foi reconhecida pelo Conselho Federal de Odontologia e pelo Conselho Regional de Odontologia em 2019. “Foi um ganho maravilhoso para a profissão porque a gente ficou respaldado completamente pelas diretrizes dos órgãos competentes a realizar esse tipo de procedimento”. 

Quanto aos procedimentos mais procurados, Juliana Fragoso informa que são os preenchimentos labiais, de olheira e o botox, que normalmente, segundo ela, “é o primeiro que as pessoas costumam fazer para suavizar as ruguinhas, os pés de galinha”. 

Sem padrões: carro-chefe! 

Mas e o que é de fato a tão falada harmonização facial? “É uma prevenção ao envelhecimento. A gente vai tentar retardar o envelhecimento. E aí, o que a gente recomenda? Que quando as pessoas começarem a sentir qualquer mudança no rosto, começar o aparecimento das ruguinhas quando sorrir, perceber que aquele famoso bigode chinês está ficando marcado, a pessoa pode iniciar o processo de harmonização facial. Hoje em dia, as pessoas estão iniciando um processo bem preventivo, por volta dos vinte e poucos anos”, revela Juliana Fragoso. 

Quase todas as pessoas podem fazer os procedimentos, como atesta a profissional. “A gente precisa realizar uma consulta, uma anamnese, para saber se a pessoa toma algum medicamento, se tem alguma restrição, grávidas, mulheres em aleitamento exclusivo não deve realizar, mas na consulta a gente consegue avaliar se o paciente tem indicação ou não. Eu prezo pela naturalidade”. 

“Acho que as pessoas estão procurando harmonização facial e algumas estão querendo ficar padronizadas. Eu não gosto do termo, a padronização. Acho que cada um tem que ter um tratamento individualizado e indicado exclusivamente para a pessoa, porque aí você vai ressaltar a sua beleza, a sua parte boa e esconder aquela imperfeição e aí, sim, você vai fazer uma harmonização legal, vai ficar bonita e as pessoas não vão saber direito o que você fez, mas vai ficar mais bonita”.
“Eu acho que ainda respeitar a individualidade e a essência de cada um é o carro-chefe”, afirma Juliana, ao mostrar a mudança trazida pelos procedimentos cada vez mais procurados

Longe de padrões, a profissional é enfática: “Eu não sou a favor da padronização: de todo mundo ter queixo quadrado, bocão. Eu acho que ainda respeitar a individualidade e a essência de cada um é o carro-chefe”.  

Por isso, os tratamentos são individualizados, como afirma a especialista e a duração varia de acordo com o produto. “O botox, que é a toxina botulínica para prevenir as rugas, dura entre três e cinco meses, em média. Pessoas que são atletas, que fazem crossfit, que têm a mímica facial muito forte, essa duração é comprometida, dura um pouco menos. Pessoas que usam acelerados metabólicos, também. Já o preenchimento facial, que é com ácido hialurônico, dependendo da localização, dura entre seis meses e um ano”. 

Os materiais utilizados são biocompatíveis e os riscos são muito reduzidos, diz Juliana Fragoso, segundo a qual, “tendo uma técnica correta de aplicação, um material adequado, os riscos são muito pequenos”. 

Mudança ajuda na autoestima 

Não é apenas a aparência que muda com o tratamento estético. Juliana ressalta que a mudança ajuda também na autoestima. “Nessa era da rede social, se pessoa se vê mais bonita, sem ruga, que está com o lábio mais bonito, mais contornado, que não está com aquela cara de cansada porque removeu a olheira, com certeza a autoestima dela vai melhorar. Isso aí é fato, não tem nem o que questionar”. 

Já os valores, o Conselho de Ética não permite que sejam expostos e somente após uma consulta para avaliação podem ser passados individualizados, “porque a quantidade que a gente vai usar em um paciente não é a mesma que a gente vai usar no outro. Então, até assim é difícil falar em valores gerais. E se a pessoa demorar a começar o tratamento, com certeza ela vai gastar mais, porque como a gente falou é um tratamento para prevenção ao envelhecimento. Se você deixa estar com as rugas instaladas, com o rosto precisando de muito mais ácido hialurônico, com certeza o seu tratamento vai ser mais caro do que a pessoa que procurou desde os primeiros sinais”. 

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Comportamento Cotidiano Interna Notícias

Para cada mulher branca morta, 18 negras são assassinadas em AL: “Ausência de políticas públicas”

Em 2018, 55 mulheres negras foram mortas em Alagoas. Entre as brancas, foram três mortas. Os dados do Atlas da Violência, divulgado no final de agosto deste ano, mostra que o estado tem a maior diferença entre violência de mulheres negras e não negras. Para cada mulher branca morta, 18,3 negras são assassinadas.

No Brasil, o cenário também é assustador. Ainda em 2018, uma mulher foi assassinada no Brasil a cada duas horas: foram 4.519 vítimas. Dessas, 68% são mulheres negras. 

O número de mortes de mulheres caiu quase pela metade entre 2017 e 2018: de 104 mulheres negras para 55 vítimas de homicídio. 

O Eufêmea conversou com a cientista social, Amanda Balbino e a estudante de Direito e militante, Mariana Cândido para entender o cenário em Alagoas.

Para Amanda, o Atlas deste ano trouxe dois modos comparativos importantes de análise. “O primeiro longitudinal dos dados de 2008 a 2018, e o segundo dos dados mais recentes de 2017 a 2018, os quais nos possibilita uma avaliação realista do aumento e da diminuição de incidência dos casos de feminicídios nas Unidade Federativas e suas regiões”, disse.

Cientista política, Amanda Balbino

A cientista social disse o número de homicídios femininos no Brasil teve uma relativa queda entre os anos de 2017 e 2018, mas a situação de melhora não se deu para as mulheres negras, que continuam sendo as maiores vítimas de feminicídio. 

“Importante salientar que o paradigma racial não atinge tão somente os jovens negros do sexo masculino, mas também as jovens mulheres negras, em proporções inferiores entre si, mas superiores se somadas juntas em comparação a outras categorias raias como branco, amarelo e índio”, reforçou Amanda.

O fato, para ela, é que em 2018, 68% das mulheres assassinadas no país eram negras. “Essa diferença fica ainda mais explícita quando nos deparamos com os dados que apontam para a concentração de dos índices de letalidade na população negra”.

Segundo Amanda, a desigualdade social, a marginalização do povo preto – seja socialmente, culturalmente ou na construção de estereótipos – reafirmam aspectos de colonização. “Ou seja,  pela ausência de políticas públicas, de acesso a garantias básicas como saúde, educação e segurança”.

A cientista acredita que pensar em política antirracista também é pensar em diminuição dos números de letalidade feminina e masculina pela condição de cor. “Caso contrário continuaremos a ter o estado que mais mata mulheres negras no Brasil”. “Um estado para mulher negra não viver”.
Faltam políticas públicas

Não é de hoje que a estudante de Direito, Mariana Cândido luta pelas mulheres do Estado. Na avaliação da militante, todos os relatórios sobre violência vão colocar sempre o destaque negativo para as pessoas negras.

Mariana é estudante e militante

“Não está no plano de vida de uma pessoa negra praticar crimes. É como se tivesse tudo no plano da vontade daquela pessoa que comete atos que são considerados crimes. Fora do plano da criminalidade, as pessoas negras são mais vítimas”, explicou.

Segundo Mariana, as mulheres negras estão no topo dos feminicídios, das violências, e são as que morrem mais. “Essas mulheres também estão no topo do desemprego”.

A estudante explicou que a cara do desemprego é mulher, negra e nordestina. “Nessas análises setoriais nós precisamos ver quem ocupa os destaques de marginalização e subalternidade na sociedade”. 

Mariana disse que é triste perceber que os governantes não percebam os dados para planejar e desenvolver políticas públicas de inserção para diminuir a realidade.

Por outro lado, a estudante disse que não existe solução rápida e fácil quando se trata dos problemas raciais do país. “Eu já olho torto quando encontro alguém com uma solução assim”.

E questiona: “Como alguém que não tem o que comer, ou onde morar, e quando tem, tem seu filho alvejado por tiros no quintal de casa?”. Mariana diz que são essas situações que precisam ser refletidas.

Para ela, a sociedade precisa refletir sobre o passado que traz uma história marcante para os negros. “Nós temos um problema gigantesco com identidade, não sabemos nem para onde vamos e nem de onde viemos. Nós precisamos discutir a nossa formação histórica. O que nos mantém de pé? Infelizmente, são estruturas que nos desumanizam”. E a formação sócio-histórica mostra como as relações funcionam hoje.

De acordo com a estudante, enquanto não tiver uma organização coletiva e política para mudar esse cenário, a negritude vai viver assim para sempre.

“As estruturas que nos formaram junto com uma sociedade violenta – desde as estruturas até a construção do subjetivo – coloca sempre a mulher negra em situação de subalternização”, justificou.

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Inspiradoras Interna Notícias

Jovem ganha prótese nova e realiza sonho de entrar no mar sozinha e andar de salto

A estudante de enfermagem Rafaela Reis Rocha tem 22 anos e nutre sonhos e planos como toda jovem de sua idade. Ter uma carreira de sucesso e oferecer uma vida melhor para os pais estão entre seus objetivos. Mas o que para muitos pode parecer bobagem, para ela foi algo com o que esperou ao longo de sua vida: entrar no mar sozinha e andar de salto. 

Rafaela mora em Vila Velha (ES) e viu recentemente sua história de superação, como define, ganhar as redes sociais, ao fazer uma vaquinha eletrônica para conseguir uma nova prótese para a perna direita. Foi só postar nas redes, que rapidamente viu surgiu o começo da mudança. 

“Já tinha feito o orçamento de uma prótese e precisava arrecadar 21 mil reais e com apenas 24 horas conseguimos o valor de 25 mil reais”, ela diz. De Manhuaçu (MG), ela se mudou para Vila Velha para estudar no curso de enfermagem.  

Rafaela conversou com o Eufemea, a quem contou sua história de luta e superação.  

“Eu faço enfermagem na UFES [Universidade Federal do Espírito Santo], tenho uma irmã mais velha, e divido apartamento com uma amiga e meu namorado. Eu fiz a vakinha online porque tinha que trocar a minha prótese, já que ela está em uso há 7 anos e não se comportava ao meu ritmo, mesmo com as manutenções sendo feitas regularmente. E como minha mãe está desempregada, e a única renda que temos é a do meu pai, não tínhamos condições de comprar uma prótese nova”, disse. 

Rafaela: “Eu sei que pode parecer bobo para as pessoas, mas sempre sonhei em entrar no mar sozinha”. Fotos: Arquivo pessoal

A jovem nasceu com uma malformação. “Descobrimos o que eu tinha somente quando nasci, que era uma malformação congênita chamada hemimelia fibular, que consiste no meu caso na ausência completa da fíbula, osso longo que junto da tíbia é responsável pela sustentação corporal”, diz. 

Ela conta ainda que não tinha o pé totalmente formado, possuindo apenas três dedos e sem a formação do calcanhar. “Além disso, tinha uma diferença de tamanho de 5cm da perna direita para a esquerda que foi se agravando com o passar do tempo devido ao meu crescimento, chegando a uma diferença de 17cm quando amputei a perna. E nos exames pré-natais não foi possível ver essa deficiência que eu possuía”. 

“Os médicos falavam da possibilidade de fazer cirurgias para alongar os ossos, mas no meu caso não teve sucesso. Somente quando troquei de médico foi que ele falou com meus pais e comigo que o único recurso era a amputação”.  

A primeira cirurgia veio quando ela tinha apenas seis meses e a última, com 14 anos, quando amputou a perna. 

Sem condições financeiras para bancar uma nova prótese, ela viu nas redes sociais o caminho para buscar ajuda. “O curso que faço na UFES é de período integral, com isso não consigo trabalhar e dependo dos meus pais. Eles fazem o possível para continuar me mantendo em outra cidade para conseguir terminar meu estudo. Algumas atividades, como academia e pilates, tive que parar devido à pandemia e por minha mãe ter ficado desempregada”, revela Rafaela, ao dizer que não tem nenhum outro caso na família. 

Superação 

Foi na adolescência, diante do olhar da sociedade, que ela conta que sofreu até se redescobrir. “Eu sempre convivi muito bem com a minha deficiência física principalmente quando criança, mas com a adolescência e entendendo a maldade da sociedade e os olhares que tinha na rua eu passei a me esconder, só usava calças largas e saias longas para tampar a órtese que usava na época”. 

“Com os problemas de saúde que vinha sofrendo com a diferença de tamanho de uma perna para outra eu resolvi amputar, e mesmo essa decisão tendo sido feita por mim, ainda sofri um pouco até me aceitar de verdade como me aceito hoje. Eu sempre digo que a amputação foi uma libertação pois pude usar as roupas que sempre quis, e que as minhas amigas e primas usavam, como shorts, saias e vestidos”. 
A primeira cirurgia veio quando ela tinha apenas seis meses e a última, com 14 anos, quando amputou a perna

O Eufemea perguntou como Rafaela se sente hoje. “Me vejo como uma mulher normal, que mesmo com as dificuldades que tenho na vida sempre consigo conquistar o que quero, e muitas pessoas me ver como superação e uma mulher forte e guerreira”, ela disse. 

Alegre, ela conta da discriminação e sentimento de piedade estampado no semblante das pessoas. “Discriminação sim quando faço algo que é meu direito como pessoa com deficiência física, já o sentimento de dó eu sentia mais quando era mais nova ou quando conto a minha história de vida para a pessoa. Me incomoda sim, porque eu não me vejo como uma pessoa incapaz de realizar atividades rotinas do dia a dia”. 

Mas tudo para Rafaela se resume na palavra superação. É com essa determinação que acreditou e conseguiu concretizar seus maiores sonhos.  

“Eu sei que pode parecer bobo para as pessoas, mas sempre sonhei em entrar no mar sozinha e andar de salto. Ambos já consegui realizar graças à prótese nova! Eu planejo me formar na faculdade e ter uma carreira de sucesso para conseguir dar uma vida melhor aos meus pais, e realizar mais alguns sonhos que temos juntos”. 
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Inspiradoras Interna Notícias

Com açúcar, com afeto: como duas sócias criaram uma marca de doces e sobreviveram à crise da pandemia em Maceió

Foi na cozinha de um espaço discreto no bairro da Jatiúca, em Maceió, que a mágica aconteceu. O doce da advogada Sandy Farias e o afeto da administradora Andréa Pessôa fizeram com que nascesse uma das maiores marcas de doce do Estado: Le Brulé.

No início, as duas amigas se desdobravam para tudo: atender, anotar pedidos, fazer as encomendas. Tudo era por meio de delivery.

Mas o sucesso da doceria foi tão grande que as duas empreendedoras pensaram em expandir e abriram uma cafeteria na Ponta Verde. “O café tem mais de quatro anos que está funcionando”, contou Andréa.

Conheça como surgiu a Le Brulé no vídeo abaixo:

O propósito da Le Brulé vai além de ser uma doceria ou cafeteria. De acordo com a confeiteira Sandy Farias, o objetivo foi de quebrar o paradigma de confeitaria da cidade. “Não tínhamos tantos modelos de negócios semelhantes ao nosso. Pesquisamos e criamos tudo”.

Sandy e Andréa. Foto: Maciel Rufino

Para que a marca se consolidasse foi preciso investimento e profissionalização. “Desde o maquinário ideal até a formação da equipe dentro de uma área que a gente não tinha nem onde buscar a mão-de-obra”, contou Sandy.

A equipe foi criada do zero e hoje conta com cerca de 20 funcionárias. Todas mulheres. 

“A maternidade empodera”

Sandy e Andréa se completam. Enquanto uma fica com a parte dos doces, a outra lida com a parte administrativa. “É um orgulho grande ter começado só nós duas. Nunca fugimos do que acreditávamos”, disse Andréa.

As duas passaram por alguns desafios no começo da Le Brulé. O principal deles foi conciliar o trabalho com a maternidade. “É muito desafiador ser mãe e empreender, mas a maternidade empodera”, disse Sandy. E a sócia completa: “O que importa é que estamos passando para os nossos filhos o que amamos fazer e isso nos deixa bem”.

Para as duas, cada dia é desafiador, mas ambas respiram o empreendedorismo. 

Le Brulé ia fechar as portas na pandemia

Com a chegada da pandemia, as duas não imaginavam que passariam por um desafio ainda maior após anos consolidadas no mercado. É que as proprietárias, no dia 8 de julho, anunciaram por meio da conta oficial da cafeteria no Instagram que iriam fechar o local por causa da pandemia.

A marca iria continuar operando apenas com encomendas e delivery. Foi uma volta ao passado. “Nós tínhamos acabado de comemorar uma semana antes, os quatro anos da Le Brulé, mas precisamos fechar antes do decreto emergencial do Governo”, explicou Andréa.

No vídeo abaixo, elas falam sobre esses desafios na pandemia:

As duas precisaram desse tempo para entender como iam suportar esse momento, mas optaram por fechar a cafeteria. “Nós precisamos voltar para o início que foi a estratégia maior para a sobrevivência do negócio. Foram dias difíceis”.

Só que as empreendedoras foram surpreendidas. Com o anúncio na rede social, vieram mensagens de tristeza dos clientes lamentando o fato. Mas entre eles estava alguém que estenderia as mãos para as duas.

Fã da marca e consumidor assíduo da cafeteria, o empresário Thiago Nascimento lançou a proposta de entrar como o novo sócio de Andréa e Sandy. “Não esperávamos. Ele tem toda experiência com o empreendedorismo e que é determinado na área”. 

A chegada de um homem para a marca foi vista como mais uma força para fazer o sonho delas continuar. “Ele tinha outros planos que eram bem parecidos com o que imaginávamos”, comentou Andréa.

A Le Brulé conta com três sócios agora, mas para as empreendedoras – apesar delas terem criado a marca – a Le Brulé têm significados diferentes.

Andréa, Sandy e Thiago. Foto: Instagram/Le Brulé

Para Andréa, a marca trouxe um renascimento da vida profissional. “É algo que não tem preço. É um significado imensurável”.

Já para Sandy, a Le Brulé foi um divisor de águas. “Existe uma Sandy antes e outra depois. Nem nos meus melhores sonhos ela existia do jeito que ela é”.

Agora, após anos no mercado, a marca vai continuar viva e levando açúcar e afeto para quem consome. A história da Le Brulé não parou e existem vários capítulos que serão construídos. Para 2021, segundo as duas anteciparam ao Eufêmea, a marca será expandida.
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Casamento infantil e o peso para o futuro das meninas no Brasil: “Prática nociva”

Uma a cada quatro meninas no Brasil se casa antes dos 18 anos, segundo relatório mundial do Fundo de População da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre as violações de direitos contra mulheres e meninas divulgado este ano. O país ocupa a 4ª posição mundial em casamentos infantis, como atesta a advogada Maryah Salgado, idealizadora do Mulher de Direitos, espaço digital para compartilhar informações descomplicadas sobre o Direito da Mulher. 

“É uma posição que reflete o nosso contexto histórico-cultural. O Brasil por muito tempo permitiu e incentivou o casamento infantil seja para embranquecer a população, para repassar patrimônio ou para isentar a pena de um estuprador de vulnerável”, pontua a advogada, formada pela PUC-PR em 2012, pós-graduanda em Filosofia e Direitos Humanos pela mesma instituição.

De acordo com a especialista, “a ONU considera como casamento infantil aqueles celebrados com menores de 18 anos. A legislação brasileira permite o casamento a partir dos 16 anos com a autorização dos pais ou responsáveis. Até ano passado, era permitido o casamento de menores de 16 anos caso a menina estivesse grávida ou para evitar uma imposição de pena. A luta agora é para que a legislação brasileira reconheça o casamento infantil como os celebrados com menores de 18 anos e o proíba sob qualquer hipótese”. 

Tema ainda tratado como distante da realidade brasileira, o casamento infantil traz consequências graves para as meninas, como explica a advogada Maryah Salgado.  

“O Brasil foi construído a partir da exploração do corpo feminino. Há uma grande dificuldade em se reconhecer meninas como sujeitas de direito, que possam construir uma vida independente e autônoma. Quando uma menina engravida, é muito forte no imaginário social que o casamento seja uma solução para aquele problema. É por isso que se torna tão necessário falar sobre as consequências do casamento infantil, como a perpetuação da pobreza, a evasão escolar, a subordinação da menina ao seu marido e, principalmente, o aumento de chance de sofrer violência doméstica”. 

No Instagram, a advogada Maryah Salgado, idealizadora do Mulher de Direitos, mostra os números e aponta para as consequências do casamento infantil

Estudo realizado pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), entre os anos de 2014 e 2018, destaca a advogada, aponta que “o Brasil casou quase 182 mil crianças, sendo 93% meninas. É muito provável que esse número seja muito maior, uma vez que muitos casamentos infantis são celebrados na informalidade”. 

Estupro de vulnerável 

Questionada por que esses casamentos seguem acontecendo, já que ato libidinoso ou sexo com menores de 14 anos é considerado crime de estupro de vulnerável no país, Maryah Salgado ressalta que “o casamento infantil é uma prática que, muitas vezes, é vista como solução para algum problema, seja a gravidez, seja a pobreza. Como grande parte deles acontece na informalidade, é difícil que a legislação consiga atingir a todos”.  

“O casamento infantil com certeza vem acompanhado do crime de estupro de vulnerável e esse crime pode ser cometido contra meninas e meninos. Acontece que a gente sabe que, de uma forma geral, é um crime cometido em sua maioria contra meninas”. 

Maryah afirma também que “a lei tipifica o estupro de vulnerável como “ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 anos”, com pena de reclusão de 8 (oito) a 15 (quinze) anos”.  

Eufemea – Podemos dizer que esta é uma violação de direitos humanos?  

Maryah – Com certeza. O casamento infantil é uma prática nociva, principalmente para meninas, pois a submete a uma relação na qual ela, provavelmente, não possuirá poder decisório e perderá consideravelmente sua mobilidade social. O casamento infantil é uma das principais causas de evasão escolar, o que impede que meninas tenham meios de se emancipar socialmente e as submetem a situações que aumentam a probabilidade de sofrerem violência.  

Há casos de crianças casando com adultos. Você recebe denúncia de cárcere privado nesse tipo de situação, quando a menina é muitas vezes proibida até de sair de casa? Qual o procedimento?  

Nesses casos, o ideal é que busque os canais de denúncia da sua cidade. Quando se envolvem crianças, é preciso entrar em contato com o Disque 100 ou diretamente no NUCRIA – Núcleo de Proteção à Criança e ao Adolescente. 

E as consequências emocionais, físicas e de vida para as meninas, que precisam arcar com responsabilidades de adultos ainda tão cedo, quais são?  

Essa pergunta foge um pouco da minha área do saber, mas sabemos o quanto a infância é uma parte importante das nossas vidas. Uma mulher que foi cerceada desse período por consequência de um casamento, provavelmente será dependente e subordinada por toda a sua vida, uma vez que foi impedida de atingir seu pleno potencial. 

Você atendeu já algum caso desse tipo, tem relatos?  

É muito difícil que haja denúncias e judicialização desses casos mesmo porque, muitas vezes, são os próprios familiares que permitem o casamento infantil. Nós precisamos lembrar que, nesses casos, a vítima é uma criança que não tem a quem reportar ou pedir ajuda. 

Quase toda família tem o caso de uma menina, menor de 18 anos, que casou porque engravidou. É uma prática cultural, enraizada, que agora que estamos começando a ter um olhar mais crítico e humanizado. 

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Dona de Ateliê conta história de empreendedorismo marcada por recomeços, dedicação e amor

Há 12 anos, Cilmery Marly Gabriel de Oliveira, 41 anos, mais conhecida como Cil Oliveira produziu – durante uma brincadeira com uma amiga – o seu primeiro acessório para uso pessoal. Ela não imaginava que as peças que iriam fazer sucesso, mas rapidamente as encomendas começaram a surgir. O Eufêmea conta a história de empreendedorismo da alagoana Cil Oliveira que comanda o ateliê Coolture. Apesar de estar no mercado, a diretora criativa vê que o empreendedorismo feminino ainda é visto como uma atividade inferior em Alagoas.

Ao Portal, Cil disse que ao longo dos anos, o ateliê passou por várias fases e muitos recomeços. “Há dois anos tivemos mais uma reviravolta com mudanças marcantes: troca do nome da marca, nova logo e um olhar mais profissional com qualificação de equipe e estrutura da empresa”.

Mas engana-se quem acha que essas mudanças são negativas. Elas fortalecem e ensinam. Assim como algumas empreendedoras espalhadas em Alagoas, Cil tem uma rotina diária puxada. Ela é formada em fisioterapia e é especialista na área de Cárdio-Respiratória e Mestre em Ciências aplicadas à pediatria. Ela trabalha em dois dos maiores hospitais do Estado.

“Por isso muita gente me pergunta como consigo conciliar a correria dos plantões com a empresa, principalmente porque sou responsável por toda a parte de criação e desenvolvimento de coleções, bem como a produção de quase todas as peças. Realmente não é nada fácil”, diz.

E por causa disso, os feriados e finais de semana não são de descanso para ela. “Qualquer tempinho fora dos hospitais me dedico a empresa”.

Mas a diretora criativa do ateliê ainda tem a casa, as atividades físicas e a família. “É realmente uma maratona diária. Mas quando fazemos com amor a gente nem sente tanto o cansaço. Sempre falo que as horas que me dedico a minha arte são as mais prazerosas do meu dia”.

Falta de incentivo e valorização
Uma das coleções de Cil

Um dos principais desafios para a diretora criativa está na falta de incentivo e valorização aos artistas da terra. “E é um peso extra quando se trata das mulheres, pois ainda prevalece uma cultura de se associar o empreendedorismo feminino a um simples hobby”.

Para ela, a atividade ainda é vista como inferior. “Menosprezando o potencial e a capacidade de grandes artistas, principalmente no segmento da moda”.

O empreendedorismo feminino, de acordo com Cil, é um trabalho sério que exige esforço, estudo e dedicação. 

“Muitas pessoas ainda não sabem diferenciar a “menina que faz bijuteria” da designer empreendedora que criou uma marca, que gerencia várias atividades, que se capacita, que está sempre em busca do novo, do melhor para seu produto e/ou serviço”, ressalta.
Cil é diretora criativa do Ateliê

O trabalho de Cil junto ao ateliê vem crescendo a cada ano. No começo do ano, ele foi aprovado numa curadoria para participar como expositores no Minas Trend que é o maior salão de negócios de moda da América Latina. Mas por causa da pandemia, o evento foi adiado.

“Mas continuamos nos capacitando e investindo na estruturação da empresa para, se Deus quiser quando tudo isso passar, participar deste grande evento e assim conseguir uma maior projeção nacional impulsionando nossos clientes de atacado e tornando ainda mais sólido nosso papel de levar a moda alagoana para o mundo”, disse Cil.

A diretora criativa vê o ateliê como o filho dela. “É meu sonho onde dedico meus conhecimentos, minha energia, minha vontade de crescer sempre e de ajudar outras mulheres a se sentirem ainda mais bonitas, poderosas, especiais e capazes de realizar tudo que desejarem”.

O ateliê é a fábrica de felicidade para Cil. “Cada peça que desenvolvo só se torna completa quando a vejo exaltando a beleza única que há na mulher que a usa”.

Nova coleção

Inspirada no sentimento de renovação e esperança, a Diretora Criativa, Cil Oliveira escolheu o arco-íris como inspiração para desenvolver a mais nova Coleção Cápsula batizada de Rainbow.

O lançamento traz consigo um querer de dias mais positivos, iluminados e descontraídos. “Nosso maior desejo é o de levar beleza, alegria e leveza a todos neste momento de transição. Desejamos que nossa cliente se entregue à alegria, vista-se do seu melhor sorriso e deixe nosso arco-íris colorir seus melhores momentos”, reforça a mente criativa à frente da marca. Para estrelar a campanha foi convidada a estilista alagoana Manu Mortari, uma mulher inspiradora e que espalha alegria e cor por onde passa.

Coleção Cápsula Rainbow do ateliê Coolture traz positividade e estilo para o Verão’21
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Diarista queimada pelo ex vira ativista em defesa de mulheres vítimas de violência: “Não se calem”

Setembro de 2018. A diarista Marciane Pereira dos Santos, à época com 36 anos, voltava para casa, no bairro Jardim Tropical, em Serra, Espírito Santo, com os dois filhos, de dois e cinco anos, quando foi abordada pelo ex-companheiro, André Luiz dos Santos. Eles tiveram um relacionamento por sete anos e estavam separados há três meses. André não aceitava o fim do relacionamento conturbado.   

Vendo que ela havia chegado, acompanhada dos filhos e da sobrinha, André a chamou para conversar e fazer uma série de indagações. Logo depois, ele, que é cadeirante, ajudado por conhecidos, entrou na casa dela, jogou objetos no chão e, aos gritos, pegou uma faca, tentou derrubá-la, sem conseguir. Marciane, achando que não passaria de uma discussão, pediu ajuda a vizinha para fazer uma comida para os filhos.  

Nesse momento, a sobrinha diz que André está chamando e quando ela vai atender foi surpreendida por ele que jogou diesel com solvente e ateou fogo. Daquele dia em diante, tudo mudou na vida da diarista, que teve cerca de 40% do corpo queimado, o rosto desfigurado, passou por 18 cirurgias e hoje é ativista em defesa das mulheres vítimas de violência. André segue preso e responde por tentativa de homicídio. 

O Eufemea conversou com Marciane, que conta sua história de dor e luta, que ela ainda assim encara com humor e otimismo. 

“Os vizinhos chamaram a polícia, ambulância, me socorreram. Minha sobrinha jogou água no meu cabelo que estava em chamas. Foi um processo que eu  falo: gente, que dor. A sensação que tinha é que ele poderia voltar a qualquer hora para terminar o serviço, mesmo eu estirada ali no chão”, ela conta ao dizer que ainda precisa fazer várias cirurgias para tentar recompor parte do que as chamas destruíram. 

As queimaduras de 2º e 3º graus sofridas por ela atingiram as regiões da face, do pescoço, do tronco e dos membros. Ela perdeu uma perna. “Ficou cicatriz muito feia. Então, com certeza, eu vou continuar ainda com os procedimentos médicos”. 

No hospital, ela ficou durante cinco meses, dois meses e meio dos quais em coma induzido. “Precisei de muito sangue, porque meu corpo ficou muito danificado, cozinhou praticamente. Foi muito enxerto. Foi muita coisa que passei dentro do hospital para chegar onde estou hoje”, relembra. 

Ela conta que estava estirada no chão quando chegou a polícia, a ambulância. “Isso tudo eu ainda estava acordada. Entrei na ambulância e falei: moço, eu não quero morrer porque tenho dois filhos pra cuidar. Eu creio que Deus me ouviu lá do céu. Depois que eu entrei na ambulância, não lembro mais de nada”, relata. 

Mulheres Guerreiras 

A diarista encontrou no sofrimento forças para lutar por ela e por outras mulheres vítimas da violência. Foi encontrada pelo grupo Mulheres Guerreiras, que soube da história dela e a convidou para fazer parte. O movimento dá assistência multidisciplinar e apoio financeiro a cerca de 70 mulheres.  

Com integrantes do grupo Mulheres Guerreiras, que descobriram a história dela e a convidaram a participar do movimento que ajuda vítimas de violência. Fotos: Arquivo pessoal
“Hoje eu tento conversar com mulheres que mandam mensagem no meu Facebook, WhatsApp, no Instagram. Tento orientar”, ela diz, ao falar que sua maior dificuldade em se engajar ainda mais é a dependência de um acompanhante para se locomover. Mas esse grupo veio para somar, porque é onde temos parcerias com advogados, psicólogos, orientamos as mulheres nas delegacias, para denunciar. Mostrar que elas não estão sozinhas”. 

Sem revolta 

Quando indagada se sente revolta e tristeza pelo que ocorreu a ela, Marciane sorrir: “Revoltada? Tristeza? Só que não. Eu me sinto bem, alegre, feliz, contente e agradecendo a Deus todos os dias porque Ele me permitiu viver. E dizer que a Marciane vai ficar triste? Não, não vai. A Marciane eu acho que ela usa a mesma expressão da Bíblia: até a tristeza do meu lado tem que pular de alegria”. 

“Sei que foi doloroso, triste, doeu, deixou muita sequela, mas é o que eu falo para todo mundo, acho que de todas as coisas ruins que ele me fez e de tudo o que ele me fez perder, o mais doloroso foi ter me afastado dos meus filhos. “Mas eu gostaria que estivesse do meu lado. Ele me fez perder perna, boca, nariz, mão, mas não me fez perder o meu caráter, a minha vida”. 

O filho mais novo, de 4 anos, ela conta, vive com a avó. A mais velha, de 7 anos, mora com ela. “Por ele ser um bebê eu percebi que não sou apta para cuidar dele”. 

De flores e cartas de amor, a humilhações  

Quanto ao comportamento do ex-companheiro, Marciane conta que ele “era violento nas palavras. “Ele nunca sequer levantou a mão pra mim. Eu não esperava essa crueldade. Mesmo ele dando sinais nas suas agressões em palavras, eu não achava que ele teria a covardia de fazer isso comigo, a ponto de deixar os filhos dele sem a mãe.  Às vezes ele me ameaça, vou te matar, tomara que um carro passe por cima de você. Ele não se importava de me humilhar na frente dos outros, se tivesse de falar gracinha, principalmente quando bebia. Então, assim, a violência dele foi mais no sentido da agressão e não de bater”, diz Marciane, ao contar que não deu ouvidos às pessoas que tentavam alertá-la. 

Marciane conta que no começo recebia cartas de amor, mas com o tempo as agressões verbais foram ocorrendo, até que ele ateou fogo nela

“A irmã dele um dia me falou: poxa Marciane, você é uma pessoa nova, bonita, sai fora, o meu irmão não presta. A mãe dele também falou: olha, o meu filho não presta. Porque se um filho tem coragem de xingar a mãe, a irmã, o que diria de uma mulher. Sempre me avisaram, mas não no sentido da violência, de agressão, de xingamento, de ignorância. Mas eu achava que eu podia mudar ele, que ia ficar tudo na boa, tudo tranquilo”. 

No começo do relacionamento “foram muitas flores”, ela lembra, “com direito a escrever cartas, mandar caixas de bombom, bilhete, muito gostoso. Ele nunca me bateu, mas sempre me agrediu em palavras. Coisas que doíam a alma. Quando ele decidiu me bater foi para me matar”.  

“Não sejam mais uma vítima, não se calem!” 

Às mulheres ela manda uma orientação: “Que não sejam mais uma Marciane, mas que aprendam a ouvir, ficar atentas aos sinais, porque eles vão te xingar, reclamar até do esmalte da unha e muitas vezes elas vão achar que é normal. Vão xingar e depois vão dizer: me desculpa amor, eu errei, eu falhei. Sejam inteligentes, espertas, saiam fora enquanto podem, não se calem, não sejam mais uma vítima. Denunciem, peçam ajuda aos verdadeiros amigos, à família. Me avisaram”. 

“Eu só não saberia que ele chegava nesse ponto da agressividade. Me xingava, me humilhava, pedia desculpa. E é o que está acontecendo com muitos outros casais. De se calar e achar que ele vai mudar. A decisão tem que vir dela. Que ela saia, que lembre que é capaz, forte, guerreira e vai conseguir vencer na vida. Que não é totalmente dependente de um homem. Pelo contrário, o homem é quem depende da gente”. 

Ajuda de todos 

Sem poder trabalhar, Marciane – que hoje tem 38 anos, também atuava como doméstica, cuidadora de criança, de idosa – , conta que precisa da ajuda, tanto financeira como física.  Mora de aluguel, tem renda mínima e como o dinheiro não dá, acaba recebendo ajuda em cesta básica. Ela também precisa de cremes, hidratantes que ajudam no corpo queimado.

“Hoje minha vida é depender dos outros, de tudo”, ela diz ao contar que busca agora ajuda para colocar uma prótese na perna e comprar uma cadeira motorizada. 

Reaprender é a palavra de ordem para ela. “Tem uma amiga que vem aqui, me dá banho, lava minha roupa, arruma minha casa. Me acompanha nos médicos quando é preciso”.   

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“O autoconhecimento sexual vem a partir da masturbação”, afirma educadora em sexualidade

(Foto: Think Stock)

Você conhece o seu próprio corpo? Sabe onde sente prazer e o que gosta? O que te excita? Uma rápida pesquisa feita na rede social do nosso Portal que perguntava se a mulher conhecia a vulva dela mostrou o quanto ainda sentimos vergonha ao falar desse assunto. Afinal, apenas duas mulheres disseram que conheciam As outras sequer responderam. Mas como chegar a esse autoconhecimento? Segundo a educadora em sexualidade, Laylla Brandão, o autoconhecimento vem a partir da masturbação.

Em entrevista ao Eufêmea, Laylla Brandão  falou sobre o autoconhecimento corporal e ressaltou que ele é importante não apenas no momento que você está se envolvendo com outra pessoa, mas também para si mesmo.

“A gente fala do reconhecimento da nossa genitália, pode ser vulva, pode ser pênis, e entendendo as estruturas dele, onde é, por exemplo, o canal vaginal onde é que acontece a penetração. Os nossos pontos de prazer principalmente”, explicou.

A especialista reforçou que não só a vulva têm pontos eróticos excitáveis. “O nosso corpo inteiro tem. Então esse autoconhecimento não se diz respeito apenas a nossa vulva, mas também para o corpo. Em que local gosto de ser tocada? É no pescoço? na pele? na perna?”.

Laylla disse que cada pessoa vai ter um mapa que excite ela. “Nada é igual para ninguém”. Porém, todas as mulheres possuem algo em comum: o clitóris. 

“O clitóris é o único órgão feminino que tem a única função de nos dar prazer”. Por isso, a especialista reforça que é importante o reconhecimento dessa vulva é interessante.

“Ela é cheia de pontos excitáveis. Reconhecer a estrutura da vulva, os grandes lábios, os pequenos, o clitóris, é entender como que a mulher quer ser tocada para levar o sexo ou a masturbação”, reforçou.

“O homem, ele já tem toda essa facilidade da masturbação, porque, culturalmente, eles são incentivados a isso desde sempre. Então esse homem sabe como estimular, mas ele sempre estimula de uma única forma que é o vai e vem do movimento peniano. Mas existem outras”, comentou.

Já a mulher, quando ela conhece a sua vulva que reconhece o seu clitóris, que é o órgão do prazer, ela consegue entender que vários pontos desse clitóris pode ser estimulado. “Pode ser dentro do canal vaginal, onde a gente chama do ponto G”.

Laylla disse que a mulher pode chegar ao orgasmo não apenas esquecendo a vulva. Mas “se a mulher começa a mentalizar o sexo, os momentos de prazer, ela consegue ganhar um nível de excitação tão grande que qualquer movimento consegue ofertar ela um orgasmo”.

A educadora disse que entregar o prazer na mão de outra pessoa não é indicado. “Porque na verdade o outro não conhece seu corpo não sabe o que é que você sente no momento que é tocado”.

Reconhecer a vulva, segundo Laylla, vai trazer mais independência sexual e apropriação do corpo. “Quanto mais a gente se conhece e reconhece o nosso prazer, muito mais fácil de ter e obter o prazer em qualquer momento que você desejar”.

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Marca baiana faz ensaio fotográfico com meninas e lança campanha para doar bonecas pretas

Você tem uma boneca preta? A pergunta de uma criança surgiu no meio de uma das ações realizadas pela Dugueto, no bairro Nordeste de Amaralina, em Savaldor (BA), onde a marca de roupa nasceu e se consolidou no mercado como empreendedorismo social. Diante da pergunta, Adriano Soares, proprietário da Dugueto, decidiu lançar uma vaquinha e arrecadar valores para a produção de bonecas pretas, que serão doadas para meninas da periferia da capital baiana em 12 de outubro, Dia das Crianças. 

Para reforçar a campanha da representatividade, a Dugueto também realizou um ensaio fotográfico com crianças prestas da comunidade, que esbanjam beleza e sorriso, numa produção de encher os olhos.  

“Sempre tento fazer ações para a comunidade. Em uma dessas que realizei, uma criança perguntou se eu tinha uma boneca preta e eu não tinha. Eu já estava procurando para comprar, mas não sabia que as crianças também queriam esse tipo de boneca.Então, eu já comecei a produzir desde esse evento que a gente fez aqui para comprar bonecas pretas e não essas industrializadas, para movimentar o black mami e ter essa representatividade”, conta Adriano, nascido e criado na comunidade. 
As meninas que participaram do ensaio fotográfico são da comunidade e esbanjaram beleza. Fotos: @renanbenedit

Com a ação, diz o empreendedor, a Dugueto quer “levar representatividade por meio das bonecas, não só para as crianças, mas para as mães. Muitas quiseram ter contato, ter uma boneca que fosse exatamente igual a elas na infância e não tiveram e que ainda querem e não conseguem achar. É algo que a gente quer propor para a autoestima das crianças, para elas se enxergarem nas bonecas”. 

Adriano diz ainda que “o mercado entende que bonecas pretas não são o ideal. Muita gente ainda pensa que boneca tem que ser aquela clara, padrão. Algumas fábricas fazem, mas a demanda não acompanha. A produção de bonecas pretas é tão baixa que quando as pessoas procuram sai um preço muito maior. Então, uma mãe não consegue dar um brinquedo de uma boneca preta para sua filha e isso acaba virando uma bola de neve. Muitas mães continuam me procurando e me dizendo que mesmo depois de velhas não conseguem ter acesso a uma boneca preta, por ser caro e por não acharem. Essa é uma forma de achar que sim, que nós podemos fazer por nós mesmos isso que é para o bem e a autoestima das crianças”. 

Envolver as meninas no ensaio de fotos e produzir as bonecas é a forma que a Dugueto encontrou para o bem e a autoestima das crianças

Num texto no instagram, onde mostra o ensaio fotográfico das meninas, a Dugueto destaca “que no ato de brincar a criança fantasia, cria expectativas, se inspira, se espelha, e a partir disso a representatividade pode ser tão significativa a ponto de a criança saber que sua imagem pode sim ser considerada bela, contribuindo para a construção de uma identidade segura. O real espelho”. 

Serão produzidas em torno de 80 a 85 bonecas de pano, artesanais, e bonecos para meninos. O preço da produção, segundo Adriano, é elevado, por isso a necessidade da vaquinha, cuja meta era de arrecadar R$ 4 mil e ultrapassou.

Para garantir o máximo de proteção às crianças nesse período de pandemia, as bonecas serão higienizadas e colocadas em sacos plásticos. “Estamos fazendo uma sondagem, para não haver aglomeração e fazermos a distribuição das bonecas nas casas das crianças, aqui na comunidade”, diz Adriano Soares. 

A marca 

Como conta o fundador, a Dugueto é uma marca periférica de Salvador, na região do complexo do Nordeste de Amaralina.  

“A marca foi criada a partir de uma produtora de clips, que se chamava produto do Gueto. Comecei a produzir camisas da produtora e a partir delas fui dando seguimento à marca. 

As meninas na preparação para desfilar com muita beleza na comunidade Nordeste de Amaralina, em Salvador (BA)

Além do mercado nacional, a Dugueto já atende clientes também em países como Portugal, Alemanha, Índia e Inglaterra. A maior dificuldade, segundo o proprietário, “é o frete. Sai muito caro”.