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Da dor à solidariedade: trans conta como ato de preconceito estimulou a criação de projeto social

A paulistana Lanna Hellen, 32 anos, mora em Maceió há seis meses, é uma mulher transgênero e ganhou o noticiário local e nacional ao ser expulsa de um shopping center na parte alta da cidade, em janeiro deste ano, após protestar por ter sido, segundo ela, impedida de usar o banheiro feminino. Não foi a primeira vez que sofreu humilhação, mas nem o preconceito que enfrenta a fez desistir de apoiar ao próximo. Ao contrário. Em meio à pandemia, ela criou um projeto para ajudar moradores de rua e famílias de baixa renda.


Graças à ação social, ela consegue ajudar 120 pessoas duas vezes por semana, toda terça e sexta-feira. Leva a essas pessoas almoço, produtos de higiene e roupas. Conta com ajuda de doadores anônimos e do projeto Vaso Novo. Lanna criou um conta no Instagram, onde divulga a iniciativa, e lançou um canal no YouTube para reforçar o pedido de apoio, garantir as doações e manter o projeto. Conta ainda com o trabalho de Blenda Lorraine Machado, que faz as fotos e vai com elas às ruas da cidade para fazer a entrega dos produtos e alimentos.

Foto: Cortesia ao Eufemea


Ao Eufemea, Lanna contou sobre o projeto e sua vida. “Saí de São Paulo para fugir de uma depressão. Sofro preconceito desde quando eu me assumi homossexual para a minha família bem conservadora, de Pernambuco. Foi difícil para minha mãe me aceitar, sofri muita agressão, apanhei muito quando jovem. Saí de casa cedo e por não ter apoio da família eu aprendi a conhecer as coisas logo cedo, tanto o caminho errado como o certo. Mas o caminho certo eu só aprendi depois que conheci o caminho errado”, ela relata.


E o errado, ela diz, foi ter se envolvido com as drogas. “Fui presa, parei em clínicas de reabilitação. Cheguei no fundo do poço. Conheci muitas pessoas na mesma situação e o dinheiro ia todo com droga. Não sobrava para a comida. Eu não tinha apoio da família. Fui jogada ao vento, como essas pessoas que são moradoras de rua, a maioria usuárias de drogas, nem todas, muitas sofreram na vida, tentaram a vida em outro lugar e não deu certo. Querendo ou não estão na rua. Eu sofri muito no passado, na adolescência e aprendi a me tornar um adulto logo cedo”, lembra Lanna.

A vida toda foi de depressão. “Por sempre viver só. Essa vida de uma mulher trans é uma vida solitária. Uma vida difícil, é luta. Se você não tiver emprego tem que se prostituir”, relata.


Mudou para Maceió na busca por uma vida nova. “Tenho uma irmã por parte de pai aqui, ela me deu apoio, aluguei um espaçozinho e eu sempre tive vontade de fazer um projeto social. Quando conheci Maceió, me chamou a atenção ali na área de Jaraguá, uma cabana de lona e as pessoas limpando peixe cheio de mosca, para comer. Aquilo mexeu comigo, me fez voltar ao passado e eu por já estar quatro anos limpa, bem, longe das drogas, decidi aproveitar a situação de preconceito que me aconteceu no shopping, aquela transfobia. Por causa da repercussão, o Instagram que fizeram para mim chegou a de quase 12 mil pessoas. O projeto começou a partir do preconceito que sofri. Aproveitei a repercussão para ajudar a quem necessita”, explica Lanna, ao dizer que vai prosseguir.


“Mesmo passando a pandemia, a quarentena, o projeto vai continuar. O projeto ajuda 120 vidas, eu levo almoço duas vezes por semana, levo cesta básica, produto de higiene. É uma luta constante. É difícil conseguir doação, perdi muitos seguidores, pelo gesto de estar ajudando ao próximo, mas vou continuar. Creio em Deus que a tendência é crescer”, fala com otimismo.


Ela deixa a seguinte mensagem nesse momento de pandemia: “Que as pessoas tenham fé, que isso tudo vai passar. É só um momento difícil, de luta, e quem puder ajudar às pessoas que não têm condições, que estão passando por dificuldade, ajude com pelo menos o mínimo. Cada um fazendo um pouquinho, a gente pode fazer a diferença, mudar o mundo, o Brasil. Essa pandemia vai passar e vai servir para a gente ser mais solidária, abraçar mais as pessoas que precisam, os nossos familiares, dar mais valor às pessoas. A mensagem é de solidariedade”.

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Estilo de vida Interna

Mulheres na música: a arte como alívio nos momentos de incerteza e dor

Quatro mulheres com histórias de vida diferentes, mas unidas por algo em comum: o amor pela música. Alagoanas que têm na arte musical a capacidade de transformar dor e sofrimento em alegria. Insegurança e medo, em leveza e confiança e, assim, chegar até onde o povo está. Nesse período de pandemia e distanciamento social, é na música que muitas pessoas têm se refugiado para atravessar de forma mais suave em meio a tantas incertezas.

Mas e os artistas, como estão fazendo para sobreviver e manter a profissão viva neste momento? O Eufemea entrevistou as cantoras May Honorato, Andréa Laís, Myrna Araújo e Elaine Kundera.

Aos 15 anos, May Honorato já cantava e compunha e hoje se divide entre o amor pela música e a medicina. No dia 1º de maio, após dois anos de trabalho, lançou o CD Clarão que ela jamais imaginaria que seria colocado ao público em meio a uma pandemia. Os planos eram bem diferentes, mas ela não recuou.

“A gente já tinha outras ideias, outros projetos, arranjos na cabeça, mas o que mais nos moveu foi a sensação de que a gente precisa dividir coisas bonitas, coisas que pudessem tocar e se comunicar com as pessoas nesse momento de tanta tristeza, não só para aqueles que perderam entes queridos, mas quem está constantemente sob tensão, que tem um impacto muito significativo sobre a saúde mental de todo mundo”, diz May.

“A gente fala sobre descansar a cabeça, de parar, de rir e chorar diante das situações, de não subvalorizar sua dor, o seu sentimento. E Clarão veio dialogar com esse momento. É quase como se o CD estivesse planejando ele mesmo o lançamento dele para que fosse o mais aproveitado, o mais sentido possível”, descreve.

Em situações adversas como a pandemia, May entende que a música e outras expressões artísticas acabam que transportando para um outro universo “dentro do mundo que um artista cria e isso é uma coisa que acaba cuidando da pessoa, preservando a saúde mental um pouquinho mais. Outra forma de ajudar é que a música, quando é expressa, sintoniza com o que está sentindo, você se sente menos só. É quase como se estivesse acompanhada, como se aquilo fosse um eco do que você está sentindo, como se fosse alguém segurando sua mão num momento de tensão, às vezes de alegria também. É terapêutica. Todo mundo deveria tentar cantar e compor. E todo mundo é capaz”, diz.

“A música é a minha forma de me expressar, o que eu penso, sinto, e de traduzir o que vivo. E acho que se relaciona um pouco com a nossa forma de lidar com a efemeridade das coisas. A música para mim é uma forma de fazer alguma coisa que toque e permaneça e aí é claro que é esse permanecer também é relativo porque vai sendo ressignificado por cada pessoa que ouve, vai se transformando, mas enfim, esse se transformar talvez seja a única forma de ficar. Eu diria que a gente produz arte para ficar de alguma forma”, descreve May Honorato.

Para o pós-pandemia, ela planeja fazer o show de lançamento Clarão.

Lives, ‘fenômeno inesperado’

Andréa Lais é socióloga e música desde sempre, como diz. Cantava na igreja e de lá se descobriu a amante da arte. Profissionalmente, canta desde 2009. “A música representa muito para mim. Acho que tem a ver com identidade, expressividade, com necessidade mesmo de sobrevivência. Acho que quando a música se apresenta assim, não é mais uma questão de escolha, mas de necessidade mesmo. Eu preciso da música para ficar bem e para me sentir plena e completa”, ela diz.

A relação com a sociologia, ela fala que se deu paralelamente. Hoje, cursa doutorado na Bahia, mas não abre mão da música. “Sociologia e a música me complementam e acho que elas se encontram, sim, porque tudo o que eu acredito do ser artista e de que o engajamento que o artista pede, a Sociologia também me ensina e me dá base para entender e construir de proposta do que eu quero no meu trabalho artístico”, afirma.

Nesse período de pandemia, ela diz que foi o momento para mostrar a força da música e das artes na vida das pessoas.

“A música é uma linguagem forte, que acessa muita gente, mas nesse momento falar da arte em geral, tudo o que a gente tem consumido de expressão artística, desde filme, clipe, audiovisual, livro, poema, acho que a importância para a sociedade ficou mais escancarada na pandemia. Acho que na correria do dia a dia, da rotina do trabalho, a gente não está tão atento quando isso se torna serviço essencial para se manter vivo, esperançoso, para aliviar a angústia. Então, é uma função realmente profunda que a música e a arte operam em todos os grupos humanos que se conhece”, relata.

Andréa Laís participou de várias lives, no comando ou enquanto convidada. Ela entende as lives como um fenômeno inesperado, mas que foi um meio de aproximação com as pessoas de um modo geral. “Os artistas não só precisam financeiramente ter esse contato, mas também como forma de escape existencial. Quem é artista precisa estar compartilhando da sua arte. Inicialmente foi uma necessidade de partilhar e depois começou rapidamente a se construir um mercado de profissionalização das lives, que também é importante porque os artistas estão sem poder rentabilizar essas apresentações e realmente precisam profissionalizar porque provavelmente será o último segmento a voltar ao ‘normal’”.

“Agora, mais do que nunca, acho que o que é mais importante numa live, no contato artista e as pessoas, é o quanto de autêntico e verdadeiro tem naquela live. Em relação a Alagoas acho que isso tem acontecido muito bem, tem muitos artistas incríveis, que eu espero que continuem e que se popularizem. Que as lives, a aproximação e a facilidade que o público está tendo de acessar os seus próprios artistas nesse momento ajudem para quando a gente voltar para um contato, isso se reverta num real público nos lugares, shows, teatros, incentivo ao trabalho e na presença, que é disso que a gente precisa”, pontua.

De cantora a dona de escola de música

Myrna Araújo é proprietária de uma escola de música. A pandemia chegou, a escola precisou ser fechada por causa do isolamento social, mas sem a interrupção das aulas, que continuam de forma on-line. A menina que pensou muitas vezes em desistir da música, como afirma, se manteve firme na condução da escola que construiu por acreditar no poder transformador da música.

Natural de Arapiraca, Myrna conta que quase por um acaso, ao ver a lista dos cursos da Ufal, decidiu fazer música, com bacharelado em canto lírico. Foi paixão de primeira. A carreira, ela diz que começou mais cedo, quando cantava na igreja que freqüentava e depois incentivada pela mãe a se apresentar em eventos aos 15 anos.

“A música significa vida. Muitas vezes, no início da minha trajetória musical eu pensei muito em desistir, a vida do artista em si é muito difícil, mas sempre existia um evento que acabava me puxando de volta para esse mundo e depois que eu virei professora de canto, não larguei mais, porque eu vi que sendo professora eu poderia ter uma renda financeira que poderia me sustentar, principalmente porque tenho duas crianças. Hoje em dia eu consigo viver bem de música, dando aula e cantando em vários eventos”, relata.

Casou com um músico com quem viveu oito anos e teve duas filhas e daí por diante não parou de realizar shows. Tempos depois, surgiu também a oportunidade de começar a dar aula de canto na Academia de Música, no Farol, e em escolas. Para montar o próprio negócio foi um passo. Incentivada por uma amiga, que é sócia e trabalha com ela até hoje, alugou uma sala. Nascia ali a escola de música localizada atualmente num espaço mais amplo, no Pinheiro.

“Com a chegada da pandemia tentei não me desesperar, porque a internet sempre foi uma fortaleza pra gente, eu e a Marina Reis, que é minha sócia, foi a primeira pessoa que deu a ideia e quem se disponibilizou a fazer a marca da escola, e ela continuou comigo. Faz todo o conteúdo digital da escola. A internet sempre foi nossa aliada na divulgação. A maioria dos alunos chegou por divulgação na internet, então a gente sabia que ia conseguir manter. Não 100% dos alunos, mas pelo menos 80% ainda permanecem com a gente fazendo aulas on-line. Tem alunos que não permaneceram fazendo aulas, mas continuaram mantendo as mensalidades até hoje. São pessoas que a gente cultivou, são parceiros que a gente deve gratidão infinita”, conta Myrna.

Ela diz que está conseguindo pagar todos os custos da escola, onde ela também mora. “Os meus gastos fixos a gente está conseguindo manter na medida do possível. Conseguindo pagar as contas e guardando o pouco dinheiro que sobra. A gente nunca sabe quantos alunos vão permanecer, quantos vão entrar”, diz.

Também faz lives toda semana para tentar manter o público da internet ativo, além de stories no Instagram, Facebook. “Mantém as pessoas mais próximas da gente. Tem pessoas que pedem para fazer um precinho mais baixo e a gente faz. A gente não deixa de ter o aluno porque ele só pode pagar um valor menor. Essa pessoa quer estar envolvida com música. A gente prefere ter essa pessoa com o valor que ela consegue pagar do que afastar. Também baixamos a mensalidade, demos um desconto inclusive para os que já são alunos, depois que tudo voltar ao normal, a gente volta ao valor que era antes. Se tem uma coisa que eu aprendi e que ainda estou aprendendo com a pandemia é a ser cada vez mais humana”, ela diz.

Dos bares, ao desemprego

“A música é a minha vida! Minha maneira de viver! A música me levou e quando percebi já era artista, sem escolher”, resume Elaine Kundera, que vive exclusivamente da música há 34 anos. “Sou musicista e cantora”, destaca.

Antes da pandemia, ela tocava em um barzinho em Maceió, em festas particulares, shows e eventos públicos, além de fazer temporadas e apresentações em outros Estados. “Estou sem trabalho, sem renda nenhuma, porque até o momento nem fui aprovada para receber o auxílio emergencial do governo federal”, ela revela, ao dizer que conseguiu aprovação para o edital da Secretaria de Estado Cultura de Alagoas (Secult) de incentivo para artistas durante a pandemia.

É nas lives que Elaine Kundera tem encontrado espaço. “Fiz duas lives programadas pelo YouTube e fiz duas lives surpresas no Facebook e instagram. Acredito na força da arte, no poder de cura da música. Então, as lives são uma forma de tentar amenizar um pouco toda essa tensão, levando minha música para aqueles que curtem meu trabalho e também me faz muito bem. Quando canto me sinto viva”, ela diz.

“Quando fiz a primeira live pelo youtube, pedi doações aos que assistiam (#chapeusolidario) e toda a renda arrecadada eu repassei para músicos que estavam numa situação pior que a minha. Naquele momento ainda não havia sido liberado o auxílio emergencial. E depois vi isso sendo feito por outros artistas”, conta.

“Ainda não sabemos como irá se comportar o mundo. Seremos os últimos trabalhadores a voltar à ativa. Então, por enquanto, não estou fazendo planos. Estou apenas alimentando sonhos”.

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Cinco filmes que toda mulher deveria assistir; confira a lista

O final de semana chegou e por causa da pandemia do novo coronavírus, vamos ficar em casa para nos proteger e proteger os outros. Pensando em te ajudar neste momento, o Eufemea fez uma lista de cinco filmes que toda mulher deveria assistir. 

Ma Ma

No filme Ma Ma, Penélope Cruz é uma professora talentosa e uma mãe carinhosa. Ela descobre um câncer de mama e conta com o apoio do novo companheiro e do filho, além de acreditar no poder da cura da menina que ela espera. 

Livre

Depois de um divórcio (e muitas drogas), Cheryl (Reese Witherspoon) decide que para conseguir superar as dores do passado, ela precisa caminhar a Pacific Crest Trail, uma trilha que segue pela costa oeste americana, desde a fronteira com o México até os limites com o Canadá. Com uma mochila nas costas e zero experiência em trilhas, Cheryl encontra novas emoções, pessoas e muito tempo para repensar suas escolhas.

As sufragistas

No início do século XX, após décadas de manifestações pacíficas, as mulheres ainda não possuem o direito de voto no Reino Unido. Um grupo militante decide coordenar atos de insubordinação, quebrando vidraças e explodindo caixas de correio, para chamar a atenção dos políticos locais à causa. Maud Watts (Carey Mulligan), sem formação política, descobre o movimento e passa a cooperar com as novas feministas. Ela enfrenta grande pressão da polícia e dos familiares para voltar ao lar e se sujeitar à opressão masculina, mas decide que o combate pela igualdade de direitos merece alguns sacrifícios.

Frances HA

Frances (Greta Gerwig) divide um apartamento em Nova York com Sophie (Mickey Sumner), sua melhor amiga. Brincalhona e com ar de quem não deseja crescer, ela recusa o convite do namorado para que more com ele justamente para não deixar Sophie sozinha. Entretanto, a amiga não toma a mesma atitude quando surge a oportunidade de se mudar para um apartamento melhor localizado, mesmo que isto signifique que ela e Frances passem a morar em locais diferentes. A partir de então tem início a peregrinação de Frances em busca de um novo lugar que se adeque às suas finanças, já que ela é apenas aluna em uma companhia de dança à espera de uma chance de integrar o grupo de bailarinos que encenará o espetáculo de Natal. Mesmo diante das dificuldades, Frances tenta manter o alto astral diante os problemas que a vida adulta traz.

Joy: o nome do sucesso

Baseado em uma historia real, o filme conta a historia de mulher que é criativa desde a infância, Joy se torna fundadora e matriarca de um bilionário império, transformando sua vida e a de sua família.

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“Nós achamos a nossa filha”, diz casal que adotou bebê com síndrome de down

Paola de Castro Cunha era adolescente quando sonhava com uma filha com síndrome de down e bailarina. O que ela não sabia é que o sonho era um aviso de quem viria no futuro: a Agnes. Já adulta e casada com o administrador Adalberto Oliveira, de 33 anos, a engenheira de 32 anos mostrava ao esposo que tinha vontade de adotar.

Adalberto tinha o mesmo sonho de Paola, mas ficou assustado quando ela contou que queria uma filha com síndrome de down. “Eu tomei um susto. Fiquei até resistente por um tempo”, disse o esposo em um vídeo divulgado nas redes sociais da companheira.

Entretanto, com o tempo, Adalberto deixou a resistência de lado e afirmou que estava pronto para ser pai. “Vamos buscar a nossa bailarina”, disse à esposa.

A luta do casal que mora em Goiás foi grande: eles fizeram um cadastro para adoção e especificaram que queriam uma menina com síndrome de down.

As primeiras tentativas foram frustradas já que ambos souberam que em Goiás não existia uma criança com aquele perfil. “Foi quando fizemos uma busca ativa e decidimos procurar nossa criança por contra própria em outros estados”, disse Paola.

Para ajudar, os amigos criaram uma campanha na internet divulgando o perfil de criança que o casal queria adotar. “Aí um dia meu esposo atendeu o telefone e disse que tinham achado a nossa filha”, contou Paola.

O casal não pensou duas vezes e dirigiu por 12h para chegar até o interior de São Paulo e conhecer Agnes, de apenas dois meses.

A química entre os três bateu no instante em que se conheceram. “Eu não tive dúvidas que ela era nossa filha. Todos nós chorávamos”, reforçou Paola.

No hospital, o casal ouviu que eles poderiam pensar melhor se queriam ficar com ela. “Ela tinha uma condição de saúde também. Estava com um problema de cardiopatia, mas não tínhamos nem o que pensar. Nós achamos a nossa filha. Nos tornamos pais assim que a vimos”, afirmou a engenheira.

Por causa da cardiopatia, Agnes precisou fazer uma cirurgia e está internada. Sem a presença da bebê em casa, Adalberto disse que o clima mudou.

“Falta algo. Estamos chorosos, e não conseguimos viver mais sem a Agnes. Ela tem o cromossomo do amor”, enfatizou.

A gestação de Agnes foi diferente das outras. Ela começou no coração. “Ela não só tem o nosso amor, mas de toda família”, finalizou Paola.

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Mãe e filha unidas por amor e trabalho contra a Covid: “Fizemos um juramento! Vamos honrá-lo”

Laços de amor e sangue unem mãe e filha. Mas não só! Laços de trabalho também. As duas são da área de saúde e atuam lado a lado no enfrentamento ao novo coronavírus. Kélvia Emmanuela Lopes Guimarães Ferreira é enfermeira intensivista e emergencista e a mãe, Maria Aparecida Lopes da Silva é auxiliar de enfermagem. As duas trabalham juntas num ambulatório, na periferia de Maceió, onde compartilham os plantões, os riscos e o medo do vírus.  A mãe contraiu a doença, mas se recuperou e diz que se sente apta ao trabalho, que retomou nessa quarta, dia 27.

De poucas palavras, Maria Aparecida disse ao Eufemea que se sente muito bem em trabalhar com a filha, que gosta muito do que faz, mesmo diante dos riscos. Já a filha, fala sobre os sentimentos que se misturaram desde que a pandemia chegou a Alagoas.

“Fomos acometidos primeiramente por um pânico. Tivemos muito medo de lidar com o desconhecido, foi preciso buscar conhecimento e força pra lutar a guerra da saúde. Minha mãe trabalha na área desde antes de eu nascer. Hoje, tem 63 anos, faz parte do grupo de risco e optou, juntamente com muitos enfermeiros de todo o mundo, de continuar na linha de frente tentando salvar vidas”, conta Kélvia, que trabalha também no recém-inaugurado Hospital Metropolitano de Maceió.

Os dias são de aflição. “Todos os dias saímos de casa com medo de adoecer. E pior, trazer pra casa o vírus. Trabalhamos 12 horas por plantão, no ambulatório, e eu faço mais 24 horas na UTI do Hospital Metropolitano nos cuidados diretos aos pacientes com Covid-19 ou que ainda estão aguardando resultado do exame. Lá é onde me sinto com mais temor. Para nos proteger usamos os EPI’S fornecidos pelas instituições e por cuidado acabamos adquirindo mais alguns para reforçar a segurança”, relata Kélvia.

Estar lado a lado com a mãe no trabalho é motivo de força, ela diz.

“Ter minha mãe trabalhando comigo significa muita coisa. Foi vendo ela trabalhar cuidando das pessoas que me inspirou a ser o que sou hoje, e ver ela apesar da idade e estar na linha de frente do combate à pandemia me encorajou a lutar também”.

Ao ressaltar as conversas que mantêm. “Nunca imaginei que passaríamos por uma pandemia, já faz mais de 100 anos da última. Fomos pegos todos de surpresa. Sempre conversamos sobre o trabalho e as inovações de terapia e do tratamento, do manejo e dos cuidados que teremos de ter ao nos depararmos com um paciente acometido pela Covid-19”.

No início da profissão ela fala que foi mais complicado lidar com a relação mãe e filha no trabalho.

“A vida toda ela me direcionou, e achou um tanto estranho e até retrucou um pouco de ser direcionada e comandada. Mas com os anos, ela foi entendendo o meu papel de gerente de equipe de enfermagem e aceita e respeita minhas decisões. Sempre buscamos separar o profissional do pessoal. Em nenhum momento eu pensei em abandonar o trabalho, mas senti muita vontade de pedir para que ela o fizesse. Por fim, ela acabou por se contaminar e eu tive de lidar com um dilema de permanecer firme e forte no trabalho com a cabeça pensando em como ela reagiria ao vírus. Graças a Deus ela se recuperou e está retornando à linha de frente para lutarmos até o fim dessa pandemia. Quando eu era ainda criança ela me levava pra o trabalho e eu ficava assistindo ela trabalhar. Acredito que isso me inspirou a ser o que sou hoje”.

Formada há 11 anos, mesmo tempo em que atua na profissão, Kélvia diz que é casada, tem dois filhos. O marido também trabalha na saúde. “Optamos por deixar os meninos conosco, tomando as precauções possíveis e trabalhamos em horários opostos para poder revezar nos cuidados de casa e dos nossos filhos”, diz.

E traduz na seguinte fala o que é, para ela, ser enfermeira: “Ser enfermeira no Brasil sempre foi um desafio, muitas lutas pela valorização da classe de enfermagem, a eterna luta pelas 30 horas, piso salarial, o descanso digno, enfim. 2020 foi descrito como o ano da enfermagem pela OMS, e isso pareceu se encaixar perfeitamente com a triste notícia de que íamos passar por uma pandemia. Quero deixar uma mensagem especial para mães e filhas, irmãs. Que não desistam. Os pacientes precisam de nós e fizemos um juramento! Vamos honrá-lo. E todas as nossas guerreiras colegas de profissão que isso vai passar! Vamos vencer”.

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Do Agreste para Harvard: “Meu sotaque é minha identidade cultural”, diz estudante

O sotaque de Natália Cecília Carvalho Ribeiro, de 23 anos, revela quem é ela: nordestina, alagoana e nascida em Arapiraca, Agreste de Alagoas. A história de Natália ganhou destaque na última semana após ela ter sido aprovada para estudar na universidade de Harvard, situada na cidade de Cambridge, nos arredores de Boston, nos Estados Unidos. 

A universidade é uma das mais famosas e tradicionais do mundo. E é para lá que Natália vai. Para que a alagoana alcançasse essa conquista foi preciso muito estudo e dedicação. Em 2018, Natália começou a cursar Relações Exteriores na Universidade Federal de Santa Catarina, mas não imaginava que queria ir para Harvard.

Ela contou ao Eufemea que só conheceu como funcionava Harvard após um vídeo da deputada federal Tabata Amaral (que na época não era parlamentar) em uma entrevista que ela contava como tinha saído do lugar que morava – que era considerado muito pobre – para entrar na universidade.

“Ela falou de forma tão genuína e sincera que eu me identifiquei, e pensei que queria estudar lá também”, contou Natália.

Durante esse tempo, a estudante precisou se dedicar, mandar e-mails, tirar boas notas e ingressar em grupos de pesquisa. “Em 2018, eu tentei entrar e fui rejeitada, mas decidi que não ia desistir. Se ninguém acreditava em mim, eu precisava acreditar”, reforçou.

Foi em 2020 que os frutos de Natália foram colhidos: a aprovação veio. Em Harvard, ela vai estudar economia por um ano na Faculty of Arts & Sciences.

Mas os sonhos de Natália não param por aí. A alagoana garantiu que sonha em chegar ao topo de uma grande empresa ou fundar uma empresa. “Quero ser reconhecida como uma liderança feminina”.

Para ajudar outros estudantes, inclusive os da rede pública de ensino, Natália fundou uma página no Instagram chamada “Nordeste nerd” para levar informação e no futuro oferecer bolsas de estudo para talentos.

“Nós precisamos valorizar a educação da forma que ela tem que ser dada. Todo mundo sabe que a gente só muda o mundo através da educação, mas é preciso que se tenha oportunidades”, comentou.

Identidade cultural

Natália contou ao Eufemea que, certa vez, ouviu um comentário que a magoou. “Uma pessoa da universidade me disse que se eu quisesse que as pessoas me levassem à sério e como acadêmica, eu precisaria disfarçar meu sotaque”.

Entretanto, a alagoana não baixou a guarda e garantiu que o sotaque dela é a identidade cultural. “O lugar de onde veio é parte da minha personalidade, da forma que eu enxergo o mundo e dos sonhos que tenho”.

Para ela, “estar junto das raízes é afastar os comentários ofensivos”. Por fim, Natália vai levar para Harvard o chapéu de couro – símbolo do Nordeste -. “Toda vez que acontece uma coisa importante na minha vida, uso esse chapéu para lembrar das minhas origens”. Conforme a alagoana, o chapéu serve para reafirmar que os preconceitos contra os nordestinos são irreais.

“Nós que somos do Nordeste, do Sertão, do Agreste, somos tão capacitados e inteligentes quanto às outras pessoas de todo o Brasil. E o que mais precisamos é de mais oportunidades”, finalizou.

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Pandemia leva população à automedicação e ao estoque de remédios; saiba os riscos

O alerta vem do Conselho Regional de Farmácia de Alagoas (CRF/AL), que chama atenção para os riscos da automedicação. A entidade reforça o que para muitos pode até parecer algo repetitivo, mas não para quem trabalha nesse controle e sabe que consumir remédio por conta própria pode trazer complicações graves. Nesse período de pandemia, a situação se agrava e tem aumentado a preocupação dos profissionais da área.

“Não tem como saber se foi especificamente por causa da pandemia, mas percebe-se dois movimentos por parte da população: comprar produtos para estocar, dando preferência aos produtos que podem ajudar nos sintomas e o aumento de consumo de medicamentos que as pessoas julgam que previnem a infecção”, alerta Sabrina Neves, integrante do grupo de trabalho de ensino e pesquisa do CRF no Estado.

Na lista dos medicamentos que tiveram ‘explosão’ de vendas, ácido ascórbico, colecalciferol, dipirona sódica, hidroxicloroquina, ibuprofeno. E com eles, os riscos para o organismo e a vida.

“Os riscos são: provocar reações adversas, mascarar sinais e sintomas de outras doenças, inclusive do Covid-19. Se a pessoa fizer uso de medicamentos para o tratamento de uma doença crônica, os medicamentos usados por automedicação podem interagir com os medicamentos de uso crônico e prejudicar a doença de base”, afirma Sabrina Neves.

Sabrina Neves fala sobre riscos da automedicação

Alguns desses remédios podem ser comercializados sem receita, outros, em hipótese alguma. “Alguns sim, como os analgésicos e algumas vitaminas. Outros, como hidroxicloroquina são medicamentos que só devem ser vendidos mediante prescrição médica”, ela destaca.

De acordo com a farmacêutica, “tradicionalmente mulheres adquirem mais medicamentos. O motivo principal é que são, na maioria dos casos, responsáveis pelos cuidados da família. No entanto, homens e mulheres se automedicam com frequência parecida. Idosos, pelo uso crônico de medicamentos, tendem a se automedicar menos”, aponta.

Quanto ao uso de hidroxicloroquina, a profissional pontua as recomendações até aqui feitas pelo Ministério da Saúde (MS). “Havia um protocolo do MS recomendando o uso de hidroxicloroquina apenas para grupos de risco e casos mais graves. O que vimos nos últimos dias foi a recomendação oficial de uso da hidroxicloroquina para todos os casos de Covid-19”.

No entanto, ela ressalta que “esta recomendação não está fundamentada em evidências científicas robustas. Os primeiros estudos com hidroxicloroquina foram para pacientes em estado mais grave, aqueles internados, e a respeito do artigo francês, de um estudo cheio de erros, os demais indicam que não há eficácia da hidroxicloroquina. Já para pacientes menos graves, ambulatoriais, não havia evidência até uns dias atrás quando saiu um estudo grande que observou mais de 90 mil pacientes com Covid-19 leve e no início, em uso de hidroxicloroquina. Esse estudo concluiu que não há evidência de que a hidroxicloroquina seja eficaz no tratamento de Covid-19”, afirma.

O Conselho tem se empenhado nas ações, principalmente de conscientização, para mostrar às pessoas “que não há um medicamento que previna ou trate Covid-19. Que o uso de vitaminas deve ser consciente, pois seu excesso faz mal, que medicamentos como analgésicos e antitérmicos só devem ser usados se necessário. E que hidroxicloroquina, cloroquina e outros medicamentos que vêm sendo indicados para tratar Covid-19 não possuem eficácia comprovada. Seu uso não garante cura. Por isso mesmo precisa racionalizar o uso. É importante a avaliação por um médico”, pontua Sabrina Neves.

Quanto a venda em farmácias, ela destaca que “a Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] já mudou a regulamentação de muitos desses medicamentos como foi o caso do Anita e da hidroxicloroquina, exigindo retenção de receita. Cabe as farmácias observar as regras de dispensação desses medicamentos e cumpri-las”, diz.

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Dentista abre mão de fertilização para adotar gêmeas: “Hoje sou totalmente realizada”

A dentista Ivna Oliveira, de 41 anos, tinha uma certeza na vida: que queria ser mãe. Casada com o empresário, João Ribeiro, de 33, Ivna não imaginava que o destino do casal seria ter duas filhas gêmeas que foram frutos da adoção.

Antes das gêmeas Alice e Clara chegarem, Ivna estava em processo de fertilização. “A gente também tinha entrado com ação de adoção, mas na época eu sabia que seria mãe de alguma forma: ou pela fertilização ou pela adoção”.

A dentista disse que sabia que a adoção seria algo demorado já que muitas pessoas acabam ficando anos na fila. “Mas quando eu estava fazendo o processo de fertilização, eu fui chamada para adoção e tive que optar se continuava com a fertilização ou se adotava, e eu quis adotar”.

Ivna disse que as pessoas ainda ligam à adoção ao fato da mulher não poder ter filhos. “Mas comigo não foi assim. Eu queria ser mãe independente da forma que fosse”.

Ivna disse a adoção ainda é um processo lento e que tem amigas que estão há anos na fila. “Apesar disso, eu achava que ia demorar comigo, mas a minha habilitação acabou saindo rápida e eu vi que Arapiraca os processos aconteciam mais rápido. Foi por lá que eu dei entrada”.

“Quando a gente se habilita no cadastro nacional da adoção você determina como você quer a criança. Quanto mais você restringe, mas demora você ser pai”, explicou. As únicas exigências de Ivna foram: que fosse uma menina de até 02 anos.

“Nesse período que estava fazendo tratamento, fiz a fertilização e eu tive cinco óvulos e desses cinco, todos viraram embriões. Eu estava crente que ia engravidar, mas não aconteceu e foi um baque”.

Após essa situação, Ivna demorou mais um tempo para se recuperar do ocorrido e começou a tentar novamente engravidar. Foi numa terça-feira, 11 de outubro de 2016, que a dentista recebeu a ligação de uma assistente social. “Eu achei cedo porque fazia poucos meses que eu tinha entrado com o processo. Não acreditei que tinha chegado a minha hora”.

“Foi quando ela me disse tinham três casais na minha frente que aceitavam gêmeas, mas que não podiam ficar com as meninas e perguntou se eu me interessava”, contou ao Eufemea.

Segundo ela, a família se uniu e ajudou ela e o esposo para que eles montassem um enxoval de urgência para receber as duas. 

Hoje, as meninas estão com 4 anos e Ivna sente-se totalmente realizada. “Sempre quis ser mãe e Deus me preparou. Tive muito apoio do meu esposo também”.

A alagoana disse ao Eufemea que ela não se sente diferente de ninguém e que o amor pelas filhas é imenso. “Elas são inteligentes e uns raios, mas somos loucos por elas”.

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Santa Casa de Maceió e Uber fazem parceria para garantir doações de sangue

Uma parceria entre a Santa Casa de Maceió e a Uber vai garantir que doadores possam se deslocar até o Banco de Sangue do hospital sem custos. A ação visa assegurar os estoques que caírem significativamente em Alagoas com a pandemia do novo coronavírus (Covid-19), afetando pacientes cirúrgicos e oncológicos de urgência e emergência que necessitam das doações para dar continuidade aos tratamentos. A iniciativa ocorre de hoje até a próxima sexta-feira, dia 29.

A assistente social Luiza Inácio dos Santos explica que os tratamentos não param, mesmo com a pandemia, daí a importância da doação de sangue. “Apesar de estarmos passando por uma pandemia, os tratamentos não param. Precisamos manter o estoque, pois a demanda deles continua alta. A situação é ainda mais urgente para os tipos O e A negativos e B positivo. Dependemos de doações para atendermos às solicitações de transfusões e, dessa forma, possamos garantir a segurança destes e outros pacientes”.

Como funciona

Um código promocional específico dará viagens gratuitas de ida e volta aos doadores para cada trecho. O código precisa ser adicionado no aplicativo da Uber antes das viagens (instruções abaixo). A medida faz parte do compromisso anunciado pelo CEO da Uber, Dara Khosrowshahi, de fornecer em todo o mundo 10 milhões de viagens e entregas de alimentos gratuitas para profissionais de saúde, idosos e pessoas em necessidade durante a pandemia.

Os doadores devem ir até a Santa Casa de Misericórdia, localizada na Rua Barão de Maceió, 354. O funcionamento da unidade é de segunda a sexta, 7h30 às 18h. Para tirar dúvidas, os doadores podem entrar em contato diretamente com a Santa Casa por meio dos telefones 2123-6240 e 2123-6098 ou no site  http://www.santacasademaceio.com.br/.

Como Inserir o código

No aplicativo da Uber, selecione a opção “Pagamento”

No item “Promoções”, selecione a opção “Adicionar código promocional”

Insira o código da sua cidade

Por último, clique em “Adicionar”

Critérios básicos para doação:

Estar alimentado e em boas condições de saúde;

Ter idade entre 18 e 60 anos;

Portar documento oficial c/foto: (Identidade, Habilitação, Reservista com foto ou Carteira Profissional);

Pesar a partir de 55 kg;

Não ingerir bebida alcoólica no dia anterior;

Dormir pelo menos 6 horas durante a noite.

Horário de doações:

Segunda à sexta feira das 07:00 às 16:00 horas – O estacionamento é gratuito.

Mais informações pelos telefones: 2123-6098 ou 2123-6240.

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Dona de buffet recria negócio e entra no universo de delivery para se manter na pandemia

O nome dela marcou as festas mais tradicionais de Alagoas. Histórias de vida, de amor, amizade, união guardam num cantinho da casa e do coração o nome de Izabel Pinheiro, que há 25 anos, completados no último dia 19, decidiu investir na concretização de um sonho que se tornou marca registrada no Estado e ganhou “o mundo”, o buffet que leva o mesmo nome dela.


Daí para frente, são mais de duas décadas dedicadas integralmente ao negócio. Porém, com a chegada do novo coronavírus, que atingiu em cheio quem trabalha com festas e eventos, veio o susto. E agora? Como sobreviver à avalanche trazida pelo desconhecido vírus que levou estados a decretarem calamidade pública e isolamento social?


O Eufemea conversou com Izabel Pinheiro e traz o relato de quem em meio a tantas incertezas buscou se reinventar para seguir o trabalho e a vida.


“Foi desesperador, você como empresário não sabe o que é que vai ser da sua empresa, de você. Você fica totalmente perdida”, conta Izabel sobre o que aconteceu quando surgiu a pandemia e o primeiro decreto governamental de isolamento social.


Ela lembra que foi o coach (profissional que ajuda a alcançar objetivos) que trouxe a luz do fundo do túnel de volta. “Eu tenho um coach que me dá muita orientação e foi muito engraçado porque fizemos uma reunião e ele disse: espera aí, uma pessoa que venceu como você venceu, está esperando o que para vencer mais uma vez? Ele foi muito legal, foi perfeito nessa situação. E eu fui à luta. Fui começar a botar a cabeça para funcionar para ver o que seria melhor para o buffet”.


Izabel conta ainda que no começo da pandemia, na primeira semana de confinamento, uma funcionária dela que mora nas proximidades de Rio Largo ligou e disse: “Dona Izabel, os motoristas estão vindo buscar as funcionárias aqui e tá tendo festa na casa dessas patroas”.


A resposta foi imediata, lembra a empresária. “Eu disse a ela: mas eu tenho responsabilidade com a questão de ser formadora de opinião. Eu não posso incentivar as pessoas a fazerem festa nas casas, oferecendo produto. E uma semana depois, com essa conversa que eu tive com o meu coach, percebi que não era nada disso, que tinha que me reinventar, como eu tinha conseguido várias vezes, não só a primeira vez. Foram várias”, ela lembra.


Depois do impacto, a ação


Estava dada a largada para o que viria a ser uma nova forma de trabalhar com buffet. “Começamos a criar. Primeiro com três combos, depois foi pouco e fomos aumentando. O que foi que nós fizemos? Tiramos as coisas que as pessoas amam do buffet, que qualquer pessoa tenha facilidade por questão de preço, porque não é caro, e por questão de quantidades. A comida do buffet você pode comprar. Então nos ajudou e facilitou muito”, diz Izabel.


O entendimento dela é o de que, mesmo com “a empresa parada, por quantos meses ninguém sabe que vamos ficar, mas você começa a se sentir útil. Foi o que eu senti. É uma coisa assim: eu sou gente, eu to aqui, eu tô viva, a minha empresa está em evidência, sabe? Nós pensamos nas sacolas, com a nossa logo (logomarca) do buffet,” lembra.


O primeiro evento no estilo delivery foi na Semana Santa. “Foi grandioso, porque foi a Sexta-Feira da Paixão e a Páscoa. As lojas quase todas fechadas. Foi rápido e sofrido, porque não tinha onde comprar o material. Mas Deus é muito justo com a gente. Ele vai abrindo os caminhos, é impressionante! Terminamos conseguindo comprar as bolsas sem logomarca, depois começamos a colocar”.


Izabel diz que a intenção maior é que o buffet fique vivo na memória das pessoas. “Dizer que dá lucro, não dá, porque o custo fixo é alto, mas ajuda a pagar e também está em evidência. As pessoas estão vendo eu e a Adriana (filha e sócia da empresária), o nome do buffet. Os combos que nós montamos são tão legais que as pessoas dão presente às outras dos nossos combos”, ela diz.


Quanto aos funcionários, ela informa: “Eu coloquei 70% para o governo pagar e fiquei com o restante para mim. Ficamos eu e a minha filha, porque nós fazemos as comidas, montamos, entregamos, a maioria das vezes, porque é muito prazeroso a gente sair, ir entregar. Hoje temos 16 funcionários, mas acredito em Deus que não vai ser preciso mandar ninguém embora”.


No pós-pandemia, delivery continuará


E para o pós-pandemia, o que Izabel Pinheiro planeja? “Rezar, rezar e rezar, porque eu acho que a solução é essa, porque infelizmente é notório que não vai começar a haver eventos agora. As pessoas vão ficar loucas para se verem. Acredito que assim que puder ter festas, as pessoas vão querer fazer a festa, mas o problema é a alimentação da pessoa. Então, é rezar, ter consciência e continuar fazendo o marketing. Uma coisa que nós não fazíamos, o delivery, continuar até sempre agora”, afirma.


Ela diz que nunca perdeu a fé. “Sempre tirei proveito de todas as oportunidades que tive. É incrível como eu consigo tirar proveito das minhas oportunidades e tudo que me vem eu tiro proveito, eu vou pro lado só positivo da coisa, e nós vamos ficar vendendo delivery agora e para sempre”.


Aos que enfrentam situação igual, Izabel Pinheiro pede que persistam. “Não desista, tem que botar o peito para frente e enfrentar a condição. Não é fácil para ninguém, para nenhuma empresa. Todo mundo está sofrendo, está em condição difícil. Não desista, não baixe a cabeça. No lugar de reclamar, reza e pede a Deus luz, que ilumine o caminho, que vocês vão conseguir. Sejam fortes, e que Deus nos abençoe e tenha piedade de todos nós”.

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Compra de produtos eróticos cresce durante a pandemia; veja o que mais se procura

A pandemia do novo coronavírus prejudicou alguns setores da economia, mas o setor de produtos eróticos sentiu um movimento contrário: desde que o isolamento social começou, o mercado registrou uma alta. Dos produtos comprados, os vibradores e os produtos para sexo anal são os mais vendidos.

O Eufemea entrevistou duas empresárias que perceberam o aumento das vendas. Segundo elas, o momento atual que o mundo vive contribui para que os casais e os solteiros saiam da rotina experimentando produtos novos.

A empresária e educadora sexual Laylla Brandão tem o CG sex shop há 8 anos. Segundo ela, o aumento nas vendas de produtos durante a pandemia foi de 40% e os produtos mais vendidos são os vibradores.

“Acredito que a liberdade sexual feminina tenha influenciado nesse aumento. Hoje, com a ausência de grandes contatos para o sexo, por conta da pandemia, está acontecendo uma busca pelo prazer individual”, disse.


“Já para os casais existe uma busca pela versatilidade no sexo com brinquedos e produtos”, explicou a educadora.

Laylla divulga os produtos pelo Instagram (cgsexshop) e as vendas são fechadas também pelo whatsapp. Antes da pandemia, a educadora em sexualidade também fazia venda presencial e realizava consultoria, mas por causa do isolamento, ela precisou interromper.

“Fiz mais pedidos semana passada por causa da demanda. Vem vibrador e plug anal a torta e à direita. Eles são entregues embaladinhos bem discretos. Ano passado eu estava vendendo mais por causa das consultorias e eventos, mas esse ano pessoas de outros estados estão buscando os produtos que estamos enviando pelos Correios”.

Brandão comemora não só as vendas, mas também o resultado da procura. “Isso mostra o quanto estamos buscando sair da zona de repressão que nossa cultura patriarcal nos plantou. Nós mulheres fomos cortadas ao meio, quando buscaram nos privar do nosso próprio prazer”.

Mulheres ainda compram mais

Ane Mendes tem o Nudo Íntimo faz um ano, mas ficou surpresa com a quantidade de pedidos que começou a receber desde que o isolamento social começou. O aumento no número de vendas foi de 70%. Mendes utiliza o Instagram (@nudointimo) para divulgar os produtos.

“Nunca imaginei que poderia acontecer esse aumento. Essa época, no ano passado, eu não tinha vendido tanto assim”, disse. A empresária faz entrega por meio de delivery com todos os cuidados necessários por causa da pandemia e de maneira discreta.

Produtos para sexo anal como lubrificantes, plug anal, entre outros, estão entre os mais vendidos. Além deles, os vibradores também lideram o ranking. “Está saindo bastante”, conta.

A empresária ressaltou que as mulheres continuam sendo as que mais compram, mas que os casais que a procuram dizem que querem sair da rotina. “Eles querem algo para mudar e pedem sugestão. Percebi que durante o isolamento, os homens também estão comprando mais”.

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Do preto ao pobre, projeto leva aula para estudantes da rede pública que vão fazer o Enem

O Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) foi adiado, mas isso resolve o problema do estudante da escola pública? Se a situação já era difícil, diante de um sistema educacional excludente, com a pandemia do novo coronavírus piorou. Desde março, as aulas foram interrompidas na rede estadual para tentar conter o avanço do vírus e os alunos ficaram à deriva, muitos sem acesso à internet, computador, wi-fi e condições estruturais para estudar em casa. E agora, o que fazer?


Pensando não apenas nessa situação específica, mas em trabalhar a política de inclusão, a estudante do curso de Letras-Português da Ufal e professora do ensino médio da rede privada Taynara Silva idealizou e coloca em prática o projeto ‘Gente que se Educa’, que “nasce como uma proposta de luta e protesto por uma educação de qualidade e realmente democrática, da melhor forma: educando-se. Nossa ideia é ir além de preparar para o Enem. Queremos fazer política. Política no sentido de (re) conhecimento e reivindicação por direitos”, revela Taynara.


Mais do que ensinar para o vestibular, o projeto, cujas aulas estão previstas para iniciar nessa segunda-feira, dia 25, tem como missão levar ensino aos alunos pobres, pretos e excluídos do sistema educacional, como ressalta a professora.


“Que o Enem não foi 100% democrático e que alunos (as) de escolas públicas continuam em desvantagem na hora de prestar o maior vestibular do país, não é novidade. Trabalharemos com a perspectiva político-pedagógica e ensinaremos mais do que ser aprovado no vestibular, estamos aqui para que o povo preto e pobre incomode-se, sinta-se acolhido, ouvido e atendido. Não queremos ajuda, reivindicamos oportunidades”, ela diz.


O objetivo do projeto, a princípio, é oferecer aulas gratuitas com foco no Enem, e correção de simulados para estudantes da rede pública.

“A nossa equipe de professores (as) e colaboradores (as) é total e exclusivamente voluntária. Pessoas que acreditaram no projeto e resolveram abraçar a causa. A ideia é que esses (as) estudantes saibam e percebam que somos nós pela educação e que levamos muito a sério a ideia de inserir a classe trabalhadora dentro das universidades”, ressalta Thaynara, que é também membro-fundador da Frente Antirracista de Maceió e do Coletivo União das Letras, da Ufal.


Questionada como nasceu essa determinação, Taynara relata que o amor pela profissão vem da própria vivência. “Eu não estou professora, eu sou professora. Fui aluna da rede pública de ensino durante toda a minha vida escolar. A primeira vez que pisei numa escola privada foi para dar aula. Eu sei exatamente como é difícil estar em desvantagem, passos atrás de quem tem o privilégio de uma educação elitizada, não de qualidade! Educação de qualidade é um direito. Decidi criar esse projeto tanto por saber as dificuldades quanto em forma de protesto. Esse projeto é um manifesto em defesa da educação pública de qualidade”.


Como participar


Para participar, basta seguir o instagram (@gentequese_educa) do projeto, que disponibilizará um código. As aulas serão totalmente on-line. Por enquanto não há nenhum apoio financeiro, mas o grupo está aberto para ajuda.

“O projeto nasce com a proposta de crítica ao Estado, mostrando que nós professores estamos aqui, dando aulas gratuitas para todo mundo, mas não recebemos esse retorno. E o que fazer? Pós-pandemia, nós conseguiremos atingir essas pessoas, mas enquanto isso estamos mostrando que a pandemia está mexendo não só com a saúde, economia, mas com o direito de estudar”, diz Taynara.


As aulas serão liberadas pelo IGTV do instagram, com no máximo 10 minutos, de segunda a sábado. Neste dia, logo após o encerramento das atividades, será liberado o simulado, e na semana seguinte o gabarito.