Categorias
Cotidiano Interna Notícias

“O profissional da psicologia é visto como o mais forte, mas nós também cansamos”, diz psicóloga

A segunda parte da reportagem que mostra a rotina das psicólogas que estão na linha de frente no combate à covid-19 traz a história da Eveline Menezes Lima, de 36 anos, que trabalha no Hospital Renascença, em Aracaju, Sergipe.

Segundo Eveline, trabalhar na psicologia hospitalar em específico é vivenciar aprendizados diariamente. “E com esse momento em que nós estamos vivendo com tudo acontecendo, os aprendizados são ainda maiores”, disse.

Para ela, por causa da pandemia, o corpo clínico está mais humano, mais empático e as pessoas começam a valorizar mais o trabalho da psicologia. “Vejo que os profissionais da psicologia precisam se fazer mais presentes nesse momento. Não vejo, pelo menos na minha cidade, tantos profissionais na área hospitalar como linha de frente. E eu me sinto um pouco só”, desabafou.

Sobre as experiências, Eveline disse que são muitas e que é possível até escrever um livro contando sobre cada uma delas. “São pessoas que você acompanha, que chegam praticamente mortas e que com o passar do tempo, dos dias, de muitos dias, aquela pessoa vai se recuperando. Porque a covid é um doença que pra sua recuperação é bastante lenta”, explicou.

Por causa disso, é preciso que se tenha paciência, principalmente os familiares. “Eu falo isso pra todos os familiares. A gente precisa trabalhar a nossa ansiedade. Eu sei que angustiante, a gente não têm notícias o tempo inteiro. Eu sei que os dias passam e a paciência precisa ser uma virtude porque o medo é grande. Então é o que eu mais busco trabalhar nos pacientes e familiares”.

A psicóloga disse que a rotina consiste em lidar com muitos pacientes que estavam em estado grave recebendo alta, mas também com muitas mortes. “Sabe quando você se assusta e no elevador tem um corpo… aí você sobe e no outro andar tem outro corpo. E no nosso dia a dia, no hospital, não vemos isso constantemente. E mesmo que você uma experiência vasta, você não tem a frieza de não se impactar com isso, né?”.

Segundo Eveline, chega a ser assustadora a rotina e isso traz uma sobrecarga grande. “O profissional da psicologia é visto como o profissional mais forte da instituição, aquele que recebe a sobrecarga de tudo, é aquele que recebe que passa, segurança, fortaleza, totalmente centrado, tranquilo, harmônico, né? E você está recebendo uma sobrecarga dos familiares, pacientes e funcionários. Mas nós também cansamos”.

“Então, esse profissional da área da saúde, o psicólogo, ele precisa ter um acompanhamento psicoterápico, precisa praticar atividade física, de qualquer jeito, em casa, faz uma uma caminhada no condomínio, na esquina, no quarteirão da casa. Ele precisa fazer meditação e é isso que eu estou buscando a fazer”, comentou.

Mentalmente, Eveline disse que se sente cansada. “Lido com situações emocionantes e vivências que trazem aprendizado. O que realmente é válido na vida da gente? E o nosso papel? Porque a nossa profissão é muito desvalorizada”.

Entretanto, conforme ela, nesse momento em que estamos vivendo, as pessoas estão sentindo a necessidade de um acompanhamento psicoterápico. 

“E isso, infelizmente, aconteceu em um momento ruim, mas felizmente isso me deixa muito bem, muito feliz, porque as pessoas estão reconhecendo a nossa importância. O nosso papel”, afirmou.

A psicóloga disse que durante a pandemia não perdeu apenas pacientes para a covid, mas também pacientes oncológicos e até pacientes que receberam alta.

Ela disse que não tem como escolher qual paciente mais a marcou, mas que alguns vínculos foram criados com ela. “A gente teve uma paciente que ficou com a gente um mês, uma pernambucana de uma felicidade absurda, ela foi entubada, ficou na UTI, foi pro quarto e recebeu alta. Ela até me ligou dias depois dizendo que estava sentindo falta das nossas conversas no hospital”.

O momento mais feliz para Eveline é quando o paciente tem alta. “Os pacientes saem com a sensação que eles venceram a si mesmo, as inseguranças, angústias. Eu me emociono, os profissionais da saúde ficam bem alegres com as altas”. E a maior lição é: “de que esses pacientes conseguem passar por problemas e que eles são fortes”.

Por fim, Eveline disse que a tecnologia tem ajudado nesse momento difícil e que fica emocionada com as ligações de vídeos dos familiares para os entes queridos. “Renova a energia. O paciente fica mais forte. São experiências surreais”, finalizou.

Categorias
Estilo de vida Interna

Dia do Amigo: na pandemia, tecnologia é aliada para ‘matar a saudade’ e manter rede de apoio

“Amigo é coisa pra se guardar debaixo de sete chaves, dentro do coração …”. Quem nunca se viu cantando este clássico escrito por Fernando Brant e Milton Nascimento? É quase um hino de amor a um amigo, que em tempos de distanciamento social se torna ainda mais importante, seja para ouvir, orientar, ou simplesmente silenciar diante de tantas incertezas. Venha o que vier, como diz a canção, amigo é aquele que mesmo distante fisicamente costuma estar bem próximo no pensamento.  

No Dia do Amigo e Internacional da Amizade, comemorado nesta segunda-feira, 20, o Eufemea traz o relato de mulheres que fazem questão de preservar as amizades, apesar do distanciamento necessário para conter o coronavírus, e mostra como os bate-papos ocorrem neste período e como era antes, quando se podia viver em aglomeração. 

A jornalista Gilka Mafra define o que representa um amigo para ela. “Aquela pessoa sempre disposta a ajudar, orientar e participar da minha vida e de minha família como um todo. Amigo está sempre junto, mesmo sem ser fisicamente. Ter um verdadeiro amigo é saber que eu sempre poderei contar com aquela pessoa, nos momentos alegres, (de festas, encontros e viagens juntos), e também nos momentos tristes, quando precisamos daquele abraço e apoio tão importante”, ela diz.  

De muitos amigos, Gilka lembra que o número cresceu com o casamento e o nascimento dos filhos. “Tenho muitos amigos! Amigos da época de escola, adolescência, faculdade, pós-graduação. Amigos que conquistei ao longo da minha carreira como jornalista, e outros que ganhei após meu casamento. Meu ciclo de amizade aumentou ainda mais com o nascimento dos meus filhos, Tiago e Davi”.

“Com a ida deles pra escola (e a amizade que criaram entre os coleguinhas da sala) surgiram novos amigos pra mim e meu esposo. Temos hoje um grande grupo de amigos (13 casais) onde criamos laços fortes que envolvem todas as famílias… as crianças, os maridos, nós esposas, os avós.  Uma amizade que já passa dos 12 anos. Os nosso filhos, que eram bebês quando entraram na escola, já estão adolescentes, e nossa amizade só se fortalece. Sempre saímos juntos, viajamos juntos, e estamos sempre presentes”, revela.  

“Minha relação é sempre próxima com a maioria dos meus amigos. Estamos sempre em contato, nos falando, marcando encontros, almoço, jantar, momentos de lazer e diversão. E se acontece algo ruim, também estamos juntos, dando força, ajudando a superar as adversidades da vida”, conta Gilka.  

A jornalista lembra que em várias situações precisou da ajuda de um amigo. “Mas lembro em especial do apoio que recebi de Zara, Anita, Amanda e Christiane quando me separei do meu primeiro marido. Passamos o fim de semana numa casa no Pontal da Barra, onde conversamos e nos divertimos bastante. Essa relação de amizade que temos é muito transparente, verdadeira e importante pra mim. Somos 5 e estamos sempre juntas, torcendo uma pela felicidade da outra. Temos uma linda relação de amizade que passa dos 20 anos e hoje integra nossos maridos e filhos”. 

Gilka e o grupo inseparável de cinco amigas antes do decreto de isolamento social: “Amizade que passa de 20 anos”

Tatuagens, encontros virtuais…tudo pela amizade 

E como momento marcante, ela descreve: “Fazer tatuagens com amigas. Eu amo tatuagens! Tenho 15 ao todo, com significados importantes pra mim, que envolvem família, trabalho, amor, fé e amizade. Três dessas tatuagens, fiz em conjunto entre três grupos de amigas diferentes. Um gato, um laço e um avião com coração. Cada tatoo com seu significado especial!”, revela. 

Nesse momento de pandemia e distanciamento social são os telefonemas e a tecnologia digital que a mantém próxima dos amigos. “WhatsApp sempreeeee nos nossos grupos individuais. E também organizamos encontros virtuais pelo zoom ou ligação de vídeo”.  

“Esses encontros são sempre muito agradáveis, leves e divertidos. Dependendo do grupo, os assuntos podem variar: família, filhos, aulas on-line, estudos, paixão por vinhos e etc. Mas todos os encontros são sempre recheados de carinho e saudade”. 

Gilka sobre um dos grupo que se reúne para bater papo e tomar vinho. “Esse é um grupo de jornalistas que apreciam vinhos. Já faz um tempo que a gente se encontra pra conversar e beber vinho, seja na casa de alguém ou num bistrô. Com a pandemia, tivemos a ideia de fazer um encontro pelo zoom e foi muito bom! Conversamos, nos divertimos e brindamos virtualmente”. 

“Amigos são presentes de Deus.  Eu já nasci recebendo de presente minha maior amiga, minha mãe Guida, minha base, a quem devo tudo o que sou. Minhas duas irmãs Daniela e Giuliana também são grandes amigas incondicionais que amo e conto pra tudo nessa vida!!! Também sou eternamente grata aos amigos que conquistei ao longo da vida. Uma amizade verdadeira é valiosa demais e deve ser estimada e cultivada com todo carinho. Os amigos nos aceitam como somos, sabem falar as palavras certas na hora certa, tornam nossa jornada de vida mais leve, feliz e florida. Amigos deixam nossa vida repleta de respeito, amor, carinho e união. Sou bem mais feliz pelos amigos que tenho! 

Gilka Mafra

“Chamadas de vídeo aproximam” 

Luciana Martins, também jornalista, define o que representa um amigo para ela: “Um amigo é um encontro de alma, ele é aconchego, é ombro amigo, é sorriso, é esporro mas sempre com um objetivo: te trazer a felicidade. E não há distância, nem tempo que consiga apagar essa relação, se ela realmente for verdadeira”.  

Luciana Martins e as amigas da época do colégio: “Não há distância, nem tempo que consiga apagar essa relação”

Ela revela ter diferentes grupos de amigos. “As minhas relações hoje são bem próximas com alguns colegas de profissão, que se tornaram amigos, e os amigos da época da escola. É engraçado porque sempre tento tirar o melhor de cada grupo, afinal cada um deles tem a sua particularidade e vou somando pra minha vida a simpatia e leveza de cada personalidade dos grupos”, diz. 

Luciana se considera num meio termo quando o assunto é a relação com os amigos, estra sempre próxima ou acompanhar um pouco mais à distância.  “Eu acho que estou no meio termo. Não sou de ligar a todo tempo, mas acredito que tenho um perfil de boa ouvinte porque normalmente quando algum amigo está com problemas sou procurada para aconselhar e quem convive comigo sabe da minha sinceridade, então, vou falar o que penso acreditando que este seja o melhor caminho para a felicidade do meu amigo”, ela afirma,  ao se dizer um tanto quanto reservada. 

 “Eu sou um pouco mais reservada, não sou de compartilhar muito meus sentimentos, vez por outra é que decido pedir ajuda. Mas sim, houve um amigo que me ajudou num momento difícil. Eu enfrentei um problema familiar e quando precisei de ajuda, liguei pra essa amiga que prontamente atendeu o meu pedido. Essa mão estendida é sinônimo de amor, cuidado e carinho”. 

Nesse período de distanciamento social ela conta que “a internet tem sido uma grande aliada, as chamadas de vídeo nos aproximam ainda que virtualmente”.   

“Os encontros são uma bagunça, risos. Todo mundo querendo falar ao mesmo, talvez porque há muito tempo não nos vemos pessoalmente. Se eles me completam? Isso é o que pode ser feito por agora, a gente sente falta do toque, do abraço, do apertão de mão, mas imagina se não tivesse a tecnologia? Acredito que seria bem mais difícil”.  

Segundo ela, o grupo já exista antes da pandemia. “Sempre que possível, a gente se reunia para conversar, compartilhava os vinhos e com a pandemia os encontros presenciais foram suspensos. E recentemente decidimos fazer um encontro virtual, cada um com a sua taça de vinho, e contando um pouco como tem sido a vida neste tempo de pandemia, fizemos até um brinde virtual, risos. Acho que todo encontro virtual ameniza o distanciamento, porque sempre há um momento de descontração, de sorrisos que nos fazem esquecer que estamos isolados”. 

Aos amigos, Luciana manda a mensagem: “Eu digo que a pandemia me trouxe como maior experiência de vida a importância da relação social. A minha rotina de trabalho sempre foi intensa e as saídas para descontrair eram deixadas de lados para o descanso no final de semana e hoje, sinto falta de um café na casa de uma, da caminhada na areia da praia com outra e do banho de piscina na casa aos domingos na casa das minhas primas. A mensagem que deixo a cada um deles é que a partir de agora, vou priorizar esses encontros porque eles são fundamentais para um vida mental saudável e cada um deles tem uma importância na Luciana que sou hoje, contribuindo para que seu seja um ser humano melhor a cada dia”. 

Luciana Martins

“Cantinho especial na minha vida” 

Jornalista e assessora de imprensa, Andrezza Tavares falou com o Eufemea sobre a importância da amizade e como tem feito para se manter presente na vida dos amigos neste tempo de confinamento. 

“Os amigos são fundamentais na minha vida. São encontros de alma! Amigos são a família que a gente escolhe. Eles representam muito, não sei como seria minha vida sem meus amigos”, afirma. 

E conta: “Nunca fui uma pessoa popular, extrovertida, sempre fui mais tímida, mas graças a Deus por onde eu passei, eu fiz amigos. Então hoje trago comigo poucos, mas bons amigos de cada momento da minha vida: amigos das faculdades (Teatro e Jornalismo), de trabalho, amigos dos amigos, amigos do trabalho da minha irmã que também se tornaram meus amigos… Eu amo meus amigos e preservo as minhas amizades”, afirma. 

Andrezza Tavares “Hoje, uso mais as redes sociais para matar um pouco da saudade dos meus amigos”

Quanto a relação com os amigos, ela diz que é ótima. “Cada um tem um cantinho especial na minha vida. Com o passar do tempo, cada um seguiu caminho pessoal e profissional diferente – uns casaram e tiveram filhos; outros mudaram de cidade e até de país -, o contato físico ficou um pouco mais difícil, o que é natural. Mas o amor e bem querer continuam os mesmos. E a tecnologia e as redes sociais, contribuíram para uma aproximação e interação ainda maior, tornando o contato mais próximo, o que ajuda a matar um pouco da saudade, principalmente agora com o isolamento social”.  

Andrezza conta ainda que costuma ser daquela amiga que liga, dá força. “Sim. Sempre que posso estou em contato com meus amigos, seja por meio de ligações telefônicas ou por mensagens de WhatsApp, procurando saber como eles estão, principalmente nesse momento tão difícil que a gente está vivendo com a pandemia. Assim, a gente se faz presente, mesmo distante fisicamente”, diz.  

“Mesmo antes da pandemia eu já tinha vários grupos de amigos no WhatsApp a gente sempre mantinha contato por lá, então, mesmo distantes fisicamente estávamos conectados. Acho que amizade é troca, é carinho, é companheirismo. Então a gente está sempre querendo saber como o outro está, prontos a ouvir, aconselhar e também ser ouvida e aconselhada quando precisamos. Eu adoro ter amigos e procuro ser uma boa amiga também. Eu tenho amigas que a gente pode passar meses sem se falar, mas quando a gente se fala ou se ver, é a mesma coisa, nada mudou. A amizade é a mesma, o carinho e o bem querer são os mesmos”. 

Nesse momento de pandemia e distanciamento social, Andrezza diz que tem sentido muita falta dos amigos. “Saudade do calor humano, do abraço, das risadas, mas eu entendo que o distanciamento social é fundamental para contermos a disseminação do vírus. Hoje, uso mais as redes sociais para matar um pouco da saudade deles, principalmente o WathasApp”. 

“Como eu disse, mesmo aqueles que normalmente eu não tenho contato físico por morarem fora ou terem uma rotina diferente da minha, a internet tem sido uma ótima ferramenta para encurtar distâncias. Amigos de verdade continuam amigos mesmo com a distância”. 

Grupo de mulheres, café e sorrisos 

Ela diz ainda que tem um grupo só de mulheres. “Somos seis amigas, que de vez em quando se reúne para matarmos a saudade. O grupo no WhatsApp já é antigo e bastante movimentado (risos), mas os encontros virtuais, por chamada de vídeo, são uma novidade e tem dado muito certo. Então nesse período nos encontramos, virtualmente, para comemorar o meu aniversário e o aniversário de mais duas amigas: a Carla e a Lisi. E foi ótimo! Nos divertimos bastante! Esses encontros amenizam o peso de tantos dias reclusa em casa. Eu estou há quatro meses sem ver minhas amigas e esses encontros ajudam bastante até para a gente relaxar, depois de um dia de trabalho intenso”.  

Antes da pandemia, elas sempre se reuniam “para um café na casa de uma amiga e pelo menos uma vez por mês ou a cada dois meses a gente se encontrava”

Andrezza conta que antes da pandemia elas sempre se reuniam “para um café na casa de uma amiga e pelo menos uma vez por mês ou a cada dois meses a gente se encontrava. Fora isso a gente sempre dava um jeito de estar juntas: ou num barzinho, praia, pizzaria, restaurante. Ah, nossos aniversários nunca passam em branco, sempre procuramos estar próximas umas das outras”, lembra. 

 “Amigos são presentes que todos devem ter em suas vidas. Amigos verdadeiros podem ser poucos, mas são fundamentais. Eu amo meus amigos e estou morrendo de saudade de abraçá-los. Já disse a mim mesma que quando essa pandemia passar eu vou marcar pra encontrar todos os meus amigos. Quero abraçar todos eles, os mais próximos, os que nunca mais vi, todos. Tudo será motivo de festa. Não vejo a hora de encontrá-los, mas enquanto isso, vamos nos encontrando virtualmente, seja por chamadas de vídeo, ou por troca de mensagens”. 

Andrezza Tavares

Para este Dia do Amigo, ela conta o que prepararam. “Estamos organizar um encontro por chamada de vídeo com o grupo das seis meninas (risos).  Também já tenho outro encontro marcado com duas amigas da época da Faculdade de Teatro, são amigas-irmãs que eu não vejo há muito tempo, uma delas mora na Itália. A internet tem sido uma grande aliada, as chamadas de vídeo nos aproximam ainda que virtualmente”.  

Categorias
Cotidiano Interna Notícias

Na linha de frente, psicóloga conta rotina dentro de hospital e diz como cuida da saúde mental

Elas são responsáveis por cuidar da saúde mental dos pacientes que são diagnosticados com covid-19 e que ficam internados nos hospitais. A rotina delas é intensa e requer cuidado. O Eufemea ouviu psicólogas que estão na linha de frente no enfrentamento à covid-19. Hoje, o portal traz a primeira parte da reportagem e conta a história da Ana.

A psicóloga especialista em Saúde com foco em UTI, Ana Carolina Maia, de 30 anos, mora em Manaus e atua no hospital Samel.

Ela contou ao Eufemea que, atualmente, Manaus está com casos de covid estabilizados e que o pico da doença já passou. Mas antes não era assim. “No hospital que trabalho já passamos a fazer mais de 50 internações por dia. Nós chegamos a ter uma média de 165 de pacientes por dia”.

Quando Manaus enfrentava um caos na saúde por causa da covid-19, Ana Carolina trabalhava desde a recepção dos pacientes que iam ficar internados até a internação deles na UTI, enfermaria, apartamentos.

Na época, eles contavam com boletins virtuais, mas garante que foi um desafio para equipe médica. “A equipe não estava adaptada a passar esse tipo de informação. Então a família que estava em casa ficava apreensiva e você tendo que passar a notícia virtualmente, dando um suporte, o trabalho foi bem extenso”.

A psicóloga entrava no hospital 8h00 da manhã e saía por volta da meia-noite. “Obrigatoriamente eu deveria trabalhar 12h por dia, mas não tinha como ficar só isso. Pra mim, naquele momento, eu ficava mais. Foi um momento que você não pensa no dinheiro, nem no período e muito menos no desgaste físico”, contou.

Ana utilizava EPIs [equipamentos de proteção individual] e confessa que lidar com eles era complicado. “Pra gente da psicologia é bem complicado, sabe? A voz fica baixa, abafada, às vezes o paciente não entende muito bem. Exige esforço e paciência”.

A psicóloga contou que sente que foi preparada para lidar com a pandemia. Ela disse que morou em Israel aos 16 anos por causa de um intercâmbio. “Quando morei lá em 2006 teve uma guerra entre Israel e Líbano. Por estar lá, eu acompanhei a guerra de perto. Com 25 anos, eu já formada fiz a residência multiprofissional e eram plantões de 12 horas num hospital de infectologia e eu perdi vários pacientes. Tudo isso veio contribuindo para que eu enfrentasse de uma forma tranquila”.

Questionada sobre como ela se cuidava durante a pandemia – já que a função dela era cuidar da saúde mental dos pacientes -, Ana disse que o maior cansaço dela era físico. “Nossos atendimentos são todos em pé. Teve dias que eu tive veias estouradas nas pernas. Emocional não porque eu estava preparada para zona de guerra”.

Segundo a psicóloga, para se manter bem, ela tentava substituir o negativo pelo positivo. “Eu lidei mentalmente falando por causa da experiência de vida e profissional. Usei muitas vezes a respiração diafragmática quando a ansiedade subiu um pouco. Tenho uma capacidade de enfrentamento boa por estar anos me trabalhando”.

Ana também contou que o fato de ser reikiana (que é uma terapia integrativa) e ter um contato bom com a natureza também a ajudou no processo. “Então eu também apliquei muito reiki em mim. Mas quero deixar bem claro que não tem nada a ver com psicologia. Quando estava mal, assistia meus vídeos fazendo trilha, ouvia barulho de cachoeira e me deixava mais tranquila”.

Por fim, a psicóloga ressaltou que o trabalho dela dentro do hospital é minimizar a ansiedade e promover mecanismos de enfrentamento durante a hospitalização, através de intervenções focais. “Não enxerguem a doença, enxerguem a pessoa! Nenhuma pessoa deve ser resumida à uma doença, somos seres incríveis e cheios de possibilidade”.

Categorias
Estilo de vida Interna Notícias

Mulheres contam como tiveram de adaptar trabalho ao mundo virtual: “Não existe idade”

A pandemia de Covid-19, que levou ao isolamento social, alterou não apenas rotinas, mas as formas e dinâmica de trabalho. Não foi somente o home office a entrar na vida dos profissionais e a impor mudanças no cotidiano, mas as tecnologias, o universo digital, para muitos até então distante. Mudar de uma hora para outra o trabalho que se fazia presencial e entrar ‘de cara’ no mundo virtual não foi tarefa das mais fáceis para quem nunca havia lidado com as ferramentas digitais. Um desafio e tanto.  

O Eufemea conversou com duas profissionais que contaram sobre as novas rotinas frente a tecnologias que elas até então não utilizavam, mas precisaram se adaptar. 

Rozeilda Lopes, 59 anos, é consultora empresarial (RH, Marketing e Empreendedorismo). Mãe e avó, ela fala de sua trajetória profissional e das mudanças trazidas com a pandemia.  

“Conquistei meu primeiro emprego formal (CLT) quando eu tinha 16 anos. Fui bancária por oito anos e, aos 24, recebi o primeiro convite de transferência profissional, de Caruaru, em Pernambuco, para Penedo (AL), para gerenciar o Banorte. Em 1987, fui convidada para exercer a gestão da Credicard/Redecard onde atuei por 15 maravilhosos anos, nos estados de Alagoas, Sergipe, Ceará, Bahia e Pernambuco. Empresas multinacionais, com tecnologia e modelo de gestão sempre inovadores que tive o privilégio de ter como escola. Em seguida, iniciei minha carreira ‘solo’ como empresária, professora e consultora empresarial”, conta Rozeilda.    

Ela diz que antes da pandemia o trabalho era desenvolvido de forma presencial. “Visitando as empresas para realizar consultorias e fazendo cursos e palestras na capital e interior de Alagoas”. 

Rozeilda Lopes, do presencial ao virtual: “A mudança faz parte da minha trajetória”

A chegada da pandemia, diz Rozeilda, trouxe a “suspensão de contratos com os clientes…uma grande interrogação… a necessidade de replanejar”. E aí foram necessárias mudanças.  

“Na impossibilidade de realizar as consultorias da forma tradicional (presencial), procurei adaptar o material que tinha, em especial na área de marketing com foco em vendas. Refiz a formatação da consultoria com tanto carinho, pensando na ajuda que poderia dar ao empresário num momento tão singular, que o material desenvolvido, e já aplicado por diversas vezes, tem se mostrado de grande utilidade prática na gestão das empresas. Receber esse depoimento dos clientes, não tem preço”, ela afirma. 

“Jornada ficou muito intensa” 

A profissional conta que não foi tão difícil para ela mudar. E explica por que. “A mudança faz parte da minha trajetória de vida: Já morei em oito cidades e em cinco estados diferentes. Porém, em todas as situações havia um planejamento e opção de escolha. O momento atual não ‘pediu licença’ e nem foi exclusivo para o meu núcleo familiar. Claro que tive que me adaptar como profissional e dona de casa também. A jornada ficou muito mais intensa”.   

Rozeilda conta ainda que sua última visita a empresa/cliente aconteceu no dia 9 de março.  

“O trabalho de consultoria empresarial pede geração de relatórios e estes, normalmente, já eram desenvolvidos em home office. Tive ajuda dos ‘universitários’ para aprender a usar algumas plataformas de mercado para fazer a interação com os clientes e compartilhar material”.  

A profissional revela que ainda sente dificuldades, mas toca o trabalho em frente. “Senti e ainda sinto. Mas, a ajuda sempre vem da filha, genro, amigos… Criei até um grupo de consultores onde nos reunimos virtualmente para compartilhar nossa experiência e nos ajudamos mutuamente”. 

Mas ela reconhece o lado bom da história ao dizer que as ferramentas digitais otimizam o trabalho.  

“Ajudam bastante a mim e ao cliente também. Otimizam nosso tempo e diminuem os custos sensivelmente. Obviamente que, em algumas situações, a visita presencial será necessária. Acredito que pós-pandemia possa trabalhar de forma híbrida: parte online e parte presencial. O que aprendi serve para dar continuidade ao meu trabalho, contudo, a necessidade de atualização é constante”. 

E transmite uma mensagem para quem pensa em investir em cursos, em atualização e acha que já passou do tempo. 

“Para quem deseja se manter no mercado profissional é imprescindível buscar conhecimento digital. O cliente espera essa expertise do profissional. A pandemia de Covid-19 só abreviou o futuro. E, como essa mudança na forma de interagir com o cliente (via remota), vem a necessidade de exercitar outras habilidades, como por exemplo: objetividade, bons conteúdos, presença digital interessante, busca de parcerias. Ou seja, um aprendizado praticado ‘puxa’ outra necessidade que poderá já estar presente (ou não) no nosso comportamento. A busca por novos conhecimentos é uma constante”. 

“Quero aprender mais, fazer cursos” 

Madalena Freitas, é formada em Psicologia, e tem 20 anos de atuação. Casada e mãe de um filho, ela trabalha com a abordagem de atendimento cognitivo-comportamental, com adultos. Ela conta que realizou e continua fazendo diversos cursos, especializações na área, “sempre no sentido de ajustar essa abordagem com as necessidades do paciente”, revela, ao afirmar que é uma pessoa alegre.  

“Gosto de viver saudável, tenho algumas preferências e uma delas é uma boa leitura. Para mim, como psicóloga, preciso estudar muito e ler bastante. Acredito que um bom repertório faz diferença nos atendimentos, e como faz! Meu trabalho sempre foi pautado em muitas responsabilidades e ética”, ela ressalta. 

Psicóloga Madalena Freitas passou a fazer consultas virtuais: “É só a gente se disponibilizar a aprender”

A psicóloga conta ainda que sempre trabalhou de forma presencial e com a chegada da pandemia a situação mudou.  

“Tive também, como os meus pacientes, de me reinventar no atendimento em casa, principalmente. Precisei encontrar um local de privacidade e uma boa internet, porque em casa, com a família, é bem complicado. Tentei harmonizar para dar uma ideia de que estaria realmente no consultório e quando o paciente estivesse sendo atendido ele percebesse que estava existindo isso”, revela Madalena. 

A psicóloga diz que alguns pacientes presenciais “não fizeram uma boa adesão e eu, como profissional, procurei acolher e entender cada um. Sei que privacidade, o barulho em casa, é muito difícil para as pessoas. Às vezes não tem um equipamento, um computador legal, é um para todo mundo, nesse momento que estão todos em casa. Então, eu entendi essa necessidade de eles darem uma parada por conta disso”. 

Porém, ressalta Madalena, “eles não imaginavam que essa pandemia, essa situação iria demorar tanto. Aí ao longo do tempo, voltaram a me procurar informando que não estavam dando conta em lidar com as suas emoções e os sofrimentos diante disso, porque já tinham surgido outros. Então retomaram a terapia e a gente começou a trabalhar as dificuldades, como também chegaram outras pessoas, através de indicação ou mesmo de divulgação que faço na minha página do Instagram”.  

Quanto ao atendimento on-line, ela diz se sentir hoje muito segura em afirmar que “não deixa nada a desejar. Trabalhamos todas as técnicas, sem problema nenhum. Não tive nenhuma observação negativa dos pacientes. Ao contrário. Todos eles estão até gostando mais, além da segurança, de não ter que sair de casa, estacionar em qualquer lugar”. 

A única dificuldade, ressalta a psicóloga, “é a gente não conseguir fazer uma leitura corporal do paciente, não vê a reação do paciente”, destaca. E como orientação, Madalena deixa uma reflexão. 

“Para que todos que gostarem de fazer a psicologia, de trabalhar como psicólogos e estão ainda inseguros de saber como vão fazer, como os pacientes  vão chegar, que se movimentem, saiam de onde estão, tentem, estudem, vão para a ação, porque foi assim que eu fiz, coloquei em prática tudo o que eu já sabia fazer, só que em um outro formato, o on-line, dentro dessa perspectiva, numa plataforma, aprendendo a lidar com os equipamentos, os aplicativos, entre outras questões”. 

E o que era um desafio, virou algo prazeroso para a psicóloga. “Hoje eu já percebo uma relação harmoniosa comigo e com a tecnologia de uma forma geral. E os bons frutos estão chegando aos pouquinhos. Estudar, fazer cursos sempre foi uma rotina para mim e agora, mais do que nunca, nessa época eu não imaginei que pudesse ler mais e estudar mais e me encantei com esse mundo digital”.

“Quero aprender mais, fazer cursos, saber como é que mexe nos aplicativos, ter um conhecimento mais amplo para não estar dependendo de outras pessoas. Não existe idade para isso. É só querer e enfrentar. Qualquer um de nós pode fazer. É só a gente se disponibilizar a aprender. Enquanto a gente estiver com um bom cognitivo, a nossa mente está aberta para novos saberes”. 
Categorias
Destaque

Quando os grupos de whatsApp formados por mulheres viram redes de apoio

Antes mesmo da pandemia começar me colocaram em dois grupos no Whatsapp. Os grupos são formados por mulheres. Algumas já eram minhas amigas de longas datas. Outras nem tanto. São nesses dois grupos que debatemos – todos os dias – sobre assuntos diversos: maternidade, sexo, relacionamentos, família, notícias. E também desabafamos. E ah, como desabafamos! É uma terapia em grupo.

Nesse meu processo de autoconhecimento e na minha busca por ser cada vez mais uma mulher mais forte, destemida, guerreira, eu entendi que esses dois grupos não eram apenas grupos de whatsapp. Mas que eles eram uma verdadeira rede de apoio. De vez em quando, os dias não estão legais, e são nos grupos que encontramos sorrisos, abraços virtuais e conselhos. 

Também encontramos opiniões diferentes, mas aprendemos a respeitar, ouvir e acolher. E sabe qual o maior ensinamento que tirei sobre esse tempo que venho conversando com essas mulheres? Que divido o peso de ser mulher com elas.

Não é fácil ser mulher. Por mais que eu tente explicar como é ser mulher para um homem, ele não vai entender. Ele não vai entender quais são as minhas dores. 

Em uma dessas semanas estávamos conversando sobre exames ginecológicos e descobrimos que uma das nossas amigas não fazia alguns dos exames. Conversamos e mostramos à ela a importância de se cuidar, de curar traumas e de buscar a saúde. Entende por qual motivo é tão necessário ter essa rede feminina?

Sororidade: deixar a rivalidade de lado e estabelecer o apoio mútuo e saudável entre as mulheres. É disto que precisamos para o fortalecimento feminino. 

Não importa como funciona sua rede de apoio. Não importa quem seja. Mas é fundamental que se tenha esse elo feminino para que você entenda que, neste mundo, não está sozinha. E que independente do que acontecer, você tem com quem contar. Afinal, é isso que vale na vida.

Categorias
Cotidiano Interna Notícias

Vendedora tem casa incendiada por ex-marido e sonha em reconstruir para morar com os filhos

Era um sábado, dia 2 de novembro de 2019, quando a vendedora de semijoias Samara Melão, 38 anos, foi surpreendida pelo ex-marido, que ao chegar em casa bêbado e após uma discussão, ateou fogo no imóvel. Ela perdeu tudo o que construiu com muito esforço. Não sobrou nada. Móveis, roupas, fraldas do filho, alimentação. Tudo foi queimado. A casa era seu maior bem material. Virou cinza. Restaram só as paredes. 

Passado o desespero, Samara decidiu recomeçar, arregaçou as mangas e iniciou a reconstrução de sua casa. Uma foto no Instagram, onde ela mostra a situação, acabou viralizando e uma campanha foi iniciada para ajudá-la a reconstruir seu lar.  

Samara mora em Teresina, no Piauí, está em medida protetiva e a visita do filho dele está suspensa. Ela falou com o Eufemea, a quem contou sua história.  

“Ele chegou em casa bêbado, me xingando e querendo dinheiro. Como não dei, ele me deu um soco no rosto. Nesse momento, eu estava com meu caçula nos braços. Na época ele tinha 8 meses. Ele tentou tomar meu filho de meus braços, mas consegui fugir com o bebê. Quando saí de casa, ele trancou o portão sorrindo e tocou fogo na casa”, conta Samara, ao dizer que os quatro filhos mais velhos estavam com os pais dela, que moram em frente. 

O ex-marido, ela conta, “foi preso em flagrante e solto no dia seguinte. Está respondendo na Justiça. Agora estou na casa de meus pais com meus 5 filhos. O filho dele, o caçula, não recebe pensão nenhuma”, ela revela. 

Samara lembra que o relacionamento “sempre foi conturbado. Ele é violento, descontrolado e agressivo”.  

“Missão de volta ao lar”

Mas hoje, ela encara a retomada da vida e decidiu pôr a mão na massa, literalmente. Até deu um nome para a sua luta: “Missão de volta ao lar”, foi como intitulou o desafio de recuperar por conta própria a casa destruída pelas chamas. No Instagram, ela postou fotos da casa destruída e diz que “ficarão na lembrança do quanto fui forte e do tamanho da minha fé”. Num outro vídeo, ela mostra a força que a faz recomeçar.  

Samara decidiu iniciar a reconstrução da casa por conta própria e hoje apela por doações para conseguir voltar para o lar com os filhos

“Quero passar o Natal com meus filhos em minha casa. Eu vou conseguir. Depois do incêndio criminoso que sofri do meu ex-marido, decidi que está na hora de voltar para casa. Tudo que a gente precisa é a nossa casa.  Com a ajuda de alguns amigos e sem experiência nenhuma, vou reformar a minha casa e nada vai me impedir”, ela diz otimista num vídeo postado em 4 de julho. 

Samara Melão, 38 anos

Numa das postagens, antes de conseguir apoio, ela desabafa: “Eu que sempre posto fotos arrumadinha, hoje decidi postar fotos da minha realidade dos últimos dias: eu suja de fuligem. Estou na luta para conseguir reformar minha casa. Depois de pedir e implorar por ajuda em vários sites de vaquinhas e programas e não ter tido retorno, decidi eu mesma fazer isso. Eu que tenho asma, estou aqui sem ar por causa da fuligem. Me recupero e volto para lá, porque lá é minha casa. E vou lutar por ela, para ter ela de volta todos os dias. A violência contra a mulher não é de tanta importância de audiência. É uma coisa tão banal, tão comum”. 

Hoje ela diz que se sente mais forte, embora ainda conviva com o trauma. Os filhos, quatro meninos e uma menina, estão com 13, 10, 6, 4 e 1 ano e 6 meses. O bebê era o único filho do marido que ateou fogo criminosamente na casa. 

“Estou mais forte, mais confiante. Sei que ainda falta minha casa para minha felicidade estar completa, mas sou muito feliz, livre, inteira. As mensagens de mulheres se inspirando em mim me deixam muito forte e abraçada”. 

Questionada de onde veio a determinação para começar a reconstrução da casa, ela responde: “Da vontade de ter meu canto, de dar conforto a meus filhos. Como não tinha ajuda, decidi fazer o q podia vendo vídeos no YouTube”, revela. 

O drama de Samara, que está desempregada e não tem condições de arcar com os custos da obra, chamou a atenção e viralizou. Foi criada uma ‘vaquinha eletrônica’ para ajudá-la.

Quem quiser e puder contribuir, pode doar na vaquinha https://voaa.me/casa-samara 

 Ou na conta caixa Econômica Federal 

Conta 60461-4 

Ag 1606 

Op 013 

Samara Patrícia Melão da Silva 

Bradesco 

Conta 15310-9 

Ag: 3848 

Samara Patrícia Melão da Silva 

Categorias
Estilo de vida Interna Notícias

Ouviu que está mais gordinha na quarentena? Nutricionista fala sobre autoestima e alimentação

Você ouviu durante esse período de quarentena que está mais gordinha? Escutar isso impactou a sua autoestima? Te deixou triste? Preocupada? Não se deixe abalar por isso, está tudo bem. O Eufemea conversou com a nutricionista e coach em abordagem comportamental, Tainan Monte, que falou sobre o atual momento da pandemia e enfatizou que a nova rotina mudou até a nossa alimentação, mas que essa situação pode ser revertida.

Segundo Tainan, com a pandemia as pessoas começaram a vivenciar uma nova rotina: com mudanças de horários, home office, filhos em tempo integral em casa, entre outros.

“Foi tudo de uma maneira inesperada, não tivemos tempo de nos preparar para o distanciamento”, disse.

Tainan disse existem vários pilares que as mulheres precisaram administrar na pandemia. Desde o cuidado com a casa até o trabalho. “São muitos pilares que as mulheres administram, e outras até sozinhas. Nesse momento, começam a surgir prioridades do que se pode fazer ou não fazer”.

A nutricionista disse que a alimentação – por causa desse contexto – muitas vezes, não é prioridade. “Não falo pela alimentação em si, já que ela é sim prioridade, mas falo pela qualidade. Talvez ela não seja tão importante diante das situações que precisamos administrar”.

Por causa disso, Tainan disse que as pessoas começam a buscar comidas mais práticas que contribuem para o ganho de peso. Porém, a nutricionista ressaltou que outras situações ajudam para esse ganho de peso: medo, ansiedade, estresse.

“Toda situação que gere ansiedade ou estresse faz com que a gente tente compensar por meio da alimentação que traz a sensação de bem-estar e alívio”, destacou Tainan.

Ganhou peso?

Tainan pede que as pessoas que passam por esse processo de ganho de peso reflitam. “O que é importante para você? Manter a sua saúde mental? Ou você se preocupar com um ganho de peso que no futuro pode ser revertido?”.

Para a nutricionista é fundamental que cada pessoa saiba o que é importante para si. 

Tainan disse que muitas pessoas acabam condenando e apontando o ganho de peso de outras pessoas, mas que isso não é positivo. “Isso desperta nas pessoas gatilhos e faz com que com que elas se sintam desconfortáveis, e que talvez se não fosse pelo comentário alheio, isso nem fosse um problema”.

A nutricionista disse que cada pessoa vive uma realidade diferente e que é preciso que ela se respeite, e aceite sua história. “Não se obrigue a fazer algo que você não queira. Comece a se respeitar. A partir desse respeito, desse cuidado, você começa – com ajuda profissional – a identificar o que precisa adequar e parar de olhar o outro como perfeito”.

Tainan disse que independente do que as pessoas falam, se você ganhou peso na quarentena, você tem uma escolha a fazer. “E aí? Você quer continuar ganhando peso? Ou o que você fazer dentro da sua realidade atual para não ganhar ganhar mais peso? É a partir da sua decisão que as coisas começam a mudar, mas faça isso se você estiver querendo fazer e não pela opinião dos outros”, destacou.

Segundo a especialista outros pilares também contribuem para a perda de peso. “O que posso adequar a alimentação? O que posso fazer para me alimentar? Você pode alternar aquele pãozinho que tanto gosta, ou cortar alguns alimentos que antes não faziam parte da sua rotina”.

Tainan também deu dicas de começar fazendo o que muitos consideram “pequeno”.

“Suba escadas, pule corda, adeque sua alimentação, organize seu sono”, explicou.

Por fim, ela ressaltou que é preciso lembrar que tudo começa na nossa mente. “Não adianta nada você fazer adequação na sua alimentação e atividade física, se você não trabalha sua mente. A nossa mente faz o que a gente diz pra ela fazer. Ela vai querer nos sabotar, mas se eu disser que quero fazer algo, eu consigo”.
Categorias
Cotidiano Interna Notícias

Na luta pela vida, mulher com tumor cerebral recorre a ‘vaquinha virtual’ para fazer cirurgia

Foram 30 dias seguidos de uma forte dor de cabeça, até que ela decidiu procurar um oftalmologista, acreditando tratar-se de problema na vista. O médico pediu que recorresse a um neurologista e após exames veio o diagnóstico que Rute Rodrigues Tenório Filha, 35 anos, não imaginava receber: estava com um tumor cerebral.  Passados nove meses da descoberta do tumor na região da glândula pineal, com aumento considerável de tamanho, ela corre contra o tempo para fazer uma cirurgia e recuperar a saúde.  

O custo total da cirurgia é de R$ 117.062,81. Dinheiro que nem Rute nem a família dispõe. Daí, ela teve a ideia e lançou uma ‘vaquinha’ virtual para tentar conseguir o montante e assegurar o procedimento. O Eufemea conversou com Rute, que contou sua história e a luta pela vida. 

“Descobri depois de ter dores de cabeça 30 dias corridos e aí pensei que era vista, mas o oftalmologista disse que não eram justificáveis as dores de cabeça e me orientou a procurar um neurologista, foi quando fiz exames e descobri”, ela conta.  

Os sintomas vão desde pressão na cabeça à visão turva, com risco de morte.  Já as sequelas, diz Rute, “são perda de visão, esquecimento, problemas neurológicos. Não existe mais tratamento medicamentoso. A cirurgia será feita em Curitiba (PR)”, informa.  

Desempregada, ela conta que mora com a família e recorre à fé para enfrentar o problema.  “Me sinto bem, pois creio no amor e cuidado de Deus na minha vida”, afirma Rute, mãe de uma jovem de 17 anos. 

Doença e perda da mãe 

Na sua rede social Instagram, ela tem divulgado a campanha e vídeos pedindo apoio para conseguir realizar a cirurgia e onde detalha também todo o processo, da descoberta à luta pelo tratamento.  

“Há nove meses, eu fui diagnosticada com um tumor na hipófise. Eu vinha sentindo muitas dores de cabeça e resolvi fazer uma ressonância, que detectou um tumor na hipófise. O médico pediu uma outra mais específica, para ver melhor. E aí descobriu que tinha também um cisto na glândula pineal. Fui para o neurologista no final de setembro, mas em outubro minha mãe adoeceu e precisou fazer uma cirurgia cardíaca e aí tive que dá atenção a ela na UTI, que era humanizada e precisava de uma pessoa com ela”, lembra Rute. 

Rute conta que precisou cuidar da mãe, que faleceu o ano passado: “Depois disso, foi quando eu pude atentar mais para o meu problema”

Rute revela que ficou com a mãe praticamente 100% do tempo, “dia e noite. Eu não tinha nem como me preocupar comigo diante da situação dela, que contraiu uma bactéria, teve muitas complicações e depois de três meses na UTI veio a falecer, no dia 27 de janeiro (do ano passado). E aí, depois disso, foi quando eu pude atentar mais para o meu problema”. 

Com a pandemia do novo coronavírus, conta, “os médicos pararam de atender e eu tive que esperar mais dois meses e quando voltei para o médico, e fiz outra ressonância, o tumor já tinha aumentado. O que era apenas um cisto líquido, virou uma massa palpável e dobrou de tamanho e aí veio a necessidade da urgência de fazer uma cirurgia porque esse tumor estava crescendo de uma forma muito rápida. Na verdade, dobrou de tamanho em quatro meses e depois eu fiz outra ressonância, ele já tinha aumentado um pouco mais”, ela diz, ao ressaltar que há risco de o tumor provocar uma hidrocefalia.   

“Se isso acontecer, eu posso perder a visão, entrar em coma e muitas outras sequelas. O que o médico adianta é que eu deveria fazer a cirurgia o quanto antes para não abusar da sorte, foi a palavra que ele usou, porque tendo uma crise é certeza de sequela. Fazendo a cirurgia antes, eu posso não ter nada e ficar bem. Pode acontecer de ficar alguma sequela, porque toda cirurgia tem esse risco, mas a probabilidade de ter sequela é mínima”, diz Rute. 

Uma amiga a convidou para ir a Curtiba, indicou um médico. “Falei para ela que estava sem condições, que estava sem trabalhar e aí ela mesma se dispôs a comprar as minhas passagens e eu fui, fiz a consulta com o médico. Ele disse que se eu tivesse com tudo pronto, eu ficaria e nessa mesma semana ele já faria a cirurgia, porque a indicação é de fazer o quanto antes”, ela informa, ao dizer que apesar da ajuda que tem recebido desde que iniciou a vaquinha virtual, ainda está muito distante de obter o valor necessário.  

“Tem o pós-operatório, precisa ter uma pessoa me acompanhando, que no caso vai ser a minha filha, vou ter despesas com hospedagem, alimentação, medicação”, lembra. 

Quem puder contribuir, pode fazer transferência ou depósito para as seguintes contas: 

Banco do Brasil 

Agência: 2332-9 

C/Corrente: 20972-4 

Rute Rodrigues Tenório Filha 

Caixa Econômica  

Agência: 1545 

C/Corrente: 22456-6 

CPF: 062.682.014-69 

Rute Rodrigues Tenório Filha 

Categorias
Estilo de vida Interna Notícias

Mulheres aproveitam o isolamento para retomar projetos, se reinventar, cuidar do corpo e da mente

Que a pandemia de Covid-19 trouxe ao planeta muitas angústias e incertezas não há dúvida. Mas ela trouxe também razões para repensar as práticas humanas e despertou em muitos a vontade de mudar, de reconstruir, ressurgir, ressignificar. De retomar projetos, sonhos que haviam sido adiados ou de tocar algo que o momento aguçou. Um livro, uma ação social, uma prática esportiva, um novo hábito. Nem tudo está sendo dor e sofrimento. Tem muita gente dando lições de vida. 

O Eufemea traz histórias de três mulheres que durante o isolamento social buscaram inspiração e estão tocando projetos que haviam deixado para trás.    

Jornalista e escritora, Vanessa Alencar fala de sua paixão pela dança, que na pandemia ela voltou a praticar. Não só. No isolamento social ela se reencontrou com a escrita e está prestes a lançar o quinto livro. 

“Sempre fui apaixonada por dança e, desde criança, na escola, quando tinha que optar por uma atividade física, era a que escolhia. Fiz ginástica rítmica e até balé, mas minha preferida é a dança solta mesmo, de ritmos variados. Nunca foi profissional e, apesar de ser a forma que realmente gosto de ‘me mexer’, não dançava há alguns anos”, ela conta. 

“Reencontrei durante o isolamento o prazer e a alegria de dançar. Percebi que precisava me movimentar de alguma forma e também espairecer, extravasar a tensão, então procurei umas aulas on-line de ritmos variados e me identifiquei com as aulas de um professor que tem gravado vídeos especialmente pra quem está em casa, na quarentena. Comecei a fazer pelo menos três vezes por semana, o que melhorou muito meu humor e até meu sono (que estava bem irregular)”, diz Vanessa. 

Ela descreve o que a dança significa em sua vida e os planos futuros. “A dança é a minha atividade física favorita e só percebi o quanto ela me fez falta quando a reencontrei. No pós-isolamento, além de continuar dançando, quero começar a fazer musculação também”. 

Quando ao livro, prestes a ser lançado, Vanessa conta como foi a retomada.  

“Na verdade eu voltei a escrever em 2019, contos curtos que compartilho no Instagram (vanessa_alencar), mas no isolamento a inspiração, e consequentemente a produção, aumentaram muito, talvez por eu ter mais tempo comigo mesma, mais tempo pra pensar e mais emoções pra colocar pra fora”, diz Vanessa. 

A jornalista conta ainda que “assim como ocorreu com a dança, a necessidade de extravasar a tensão e a angústia me motivou a escrever mais. Dançar e escrever são as minhas formas de manter a sanidade do corpo, da mente e do coração, principalmente nesse longo período de isolamento”. 

“Não voltei a escrever pensando necessariamente em lançar um novo livro – o quinto, pois tenho quatro publicados, dois de poesias e dois de contos -, mas os contos curtos, que são quase poesias sem métrica, foram surgindo e algumas pessoas começaram a sugerir que eu reunisse todos eles em um livro. Gostei da ideia. Se acontecer, esse livro será um “presente da quarentena” pra mim”, ela afirma. 

Segundo a jornalista, “embora sejam todos escritos na terceira pessoa, os contos se dividem em autobiográficos e ficcionais, mas o foco de todos é a paixão, o amor. O amor romântico, o amor pela profissão, pelo cinema… O livro terá desde a história do casal que se apaixonou “pela janela” durante o isolamento até o “causo” da jornalista que foi consolada por uma prostituta durante uma matéria”. 

Vanessa revela que “o livro ainda não tem data para ser lançado, nem título (aceito sugestões!). Tenho quatro livros publicados. O primeiro lancei aos 16 anos, e o mais recente, em 2007… Ou seja, já passou da hora de um novo, né?”. 

Yoga  e controle da ansiedade 

Foi no yoga que a jornalista Natália Souza encontrou o caminho para cuidar do corpo e da mente nesse período de confinamento.   

“Eu sempre achei que a prática de yoga poderia me ajudar com a pouca flexibilidade que eu tenho, então faz anos que eu vinha pensando nessa atividade, mas nunca tinha dado o pontapé inicial, sempre empurrava com a barriga”, ela conta.  

Durante a pandemia, diz Natália, veio o estresse da incerteza causada pelo vírus, muitas mudanças na minha vida, comecei a trabalhar em home office, então a yoga além de ajudar no quesito físico, também poderia me fazer bem mentalmente”.  

Natália Souza voltou e o yoga: “Vinha pensando nessa atividade, mas nunca tinha dado o pontapé inicial, sempre empurrava com a barriga”
“Mas foi só quando eu perdi o meu avô, que comecei realmente a praticar yoga. Tem me ajudado bastante a controlar a ansiedade e a me conectar comigo mesma. Venho me fortalecendo físico e mentalmente”, relata a jornalista.  

Para praticar o yoga, ela diz que conta com o auxílio de ferramentas digitais nesse período de isolamento social, mas faz planos para o futuro. “Uso apps e vídeos no YouTube de instrutores, mas quando a quarentena passar quero fazer aulas presenciais também”. 

Livros e vídeos: atividade prazerosa 

Maria Fábia Moraes da Assumpção é jornalista e assessora de Comunicação do Ministério Público do Estado de Rondônia. Ela também conversou com o Eufemea, a quem falou sobre o novo hábito de gravar vídeos na rede social para falar sobre livros. 

“Sempre gostei muito de postar fotos de livros que li ou estou lendo nas minhas redes sociais, como Instagram e Facebook, como forma de dar dicas às pessoas sobre minhas experiências de leitura.  Durante esse período de pandemia, postei nas minhas redes sociais um vídeo de minha filha, feito para a escola, no qual ela falava sobre o que achou da leitura do livro Dom Quixte, por Marina Colasanti. Percebi que os amigos que me seguem gostaram do vídeo, mas Alice não topou fazer outros (risos). Daí, pensei: porque eu não faço meus próprios vídeos falando dos livros que gosto de ler? Fiz um primeiro vídeo e vi que os amigos que me seguem, em especial no Instagram, curtiram e fizeram comentários positivos sobre a iniciativa”, revela Fábia. 

Fábia Assumpção conta com a ajuda da filha Maria Alice, de 9 anos, para gravar vídeos e falar sobre livros: “Uma forma de sair da minha rotina de trabalho remoto”

O que era apenas uma ideia, ela diz, virou algo prazeroso.

“A experiência se transformou, então, numa atividade prazerosa, uma forma de sair da minha rotina de trabalho remoto, com prazos a cumprir e muitas reuniões virtuais, além de ter que conciliar com minhas obrigações domésticas (aulas da filha online, faxina, lavar pratos rsrs)”, diz Fábia. 

Com a ajuda da filha, ela faz as gravações. “Os textos são todos improvisados. Não produzo nenhum texto, falo na hora o que me vem da cabeça sobre os livros que ofereço como sugestão de leitura. Os vídeos são gravados pela minha filha Maria Alice, de 9 anos, que reclama um pouco dos horários que chamo ela para filmar (risos), mas tem gravado direitinho. Tudo no improviso aqui na sala de brinquedos dela (ou da bagunça melhor dizendo) onde montei um home office improvisado”. 

“Minhas redes sociais não têm grande número de seguidores, a maioria são amigos de trabalho ou pessoas da família, mas o engajamento a esses vídeos de dicas de leitura tem sido muito bom. Como não utilizo o chamado “patrocinado” e temos os algoritmos das redes sociais que limitam o acesso àquelas pessoas que mais interagem com você, acho que a receptividade tem sido bem acima do esperado, uma média de 100 pessoas têm visualizados os vídeos, curtem e algumas comentam sobre os posts”, ela conta. 

Ao afirmar: “Como não sou blogueira famosa, nem tenho pretensões disso, estou muito satisfeita. Fiquei ainda mais feliz quando vi meu cunhado fazer um post da compra de um livro que eu tinha indicado. Para mim não importa quantidade, mas que a mensagem seja positiva e ajude as pessoas que enfrentam a solidão e as dificuldades de lidar com o isolamento social vejam como ler um bom livro pode ser uma boa companhia. Aliás, é hora de aproveitar esse tempo de isolamento para fazer coisas que deem prazer, ler um livro, fazer um artesanato, até organizar a casa, aproveitar o tempo “ocioso” da melhor forma possível”. 

“Não sei se após retornar a rotina de trabalho presencial, terei esse tempo para gravar os vídeos. Mas quem sabe, futuramente, quando me aposentar, possa trilhar o caminho de lançar um blog ou algo semelhante nessa área de literatura”, diz. 

Fábia conclui ao dizer que “nesses tempos de pandemia e até de tanta intolerância, nada melhor que um livro para abrir mentes e corações. Como diz o mestre Mário Quintana ‘Livros não mudam o mundo, quem muda o mundo são as pessoas. Os livros só mudam as pessoas’”. 

Categorias
Destaque

Marina Ferro: ela largou o emprego e criou uma marca especializada em tie-dye 100% feminina

Foi com a intenção de colocar um toque de personalidade e cor em peças próprias que surgiu, em 2011, a Marina Ferro Handmade. A marca alagoana é especializada em tie-dye (técnica de tingimento artístico de tecidos) e traz cor e muito estilo para quem compra. Quem comanda a marca de sucesso é Marina Ferro, 31 anos, nascida em Santos (SP), mas que têm Alagoas no coração. Hoje, por trás da empresa, existe uma equipe formada 100% por mulheres.

Marina conversou com o Eufemea e contou sobre sua carreira de empreendedorismo que foi recheada por desafios, empoderamento e amor. A história de Marina é uma inspiração para quem pensa em largar tudo para seguir os sonhos. A marca dela não ficou apenas no Estado, mas ultrapassou fronteiras e foi parar no exterior.

“Comecei usando a técnica do tie-dye como brincadeira em shorts jeans. Aquela história que a amiga gostou e pediu; depois, a amiga da amiga, e assim foi”, contou Marina.

Na época, Marina trabalhava como jornalista e tentava conciliar a marca com a profissão. Entretanto, segundo ela, foi preciso ir além. “Eu tinha que me dedicar a marca e eu não estava conseguindo como gostaria. Então, tomei a coragem de empreender e me tornar apenas a diretora criativa da MFhandmade”, disse.

Engana-se quem acha que a decisão foi fácil. Marina tinha um filho, estava divorciada e não tinha dinheiro em caixa. “Mas aí eu fui construindo aos poucos, investindo com fruto do trabalho”.

Para que Marina deixasse o trabalho como jornalista, o apoio do namorado – hoje noivo dela – foi fundamental. “Ele morava em São Paulo e veio para Maceió. Ele me deu muita força para que eu saísse do meu trabalho de jornalista e me dedicasse 100% a marca. É positivo quando temos alguém que nos apoia”.

A empresária largou a carreira como jornalista e o noivo deu o suporte para que ela focasse no negócio. “Ele me disse que estava do meu lado para isso e eu aceitei. É muito importante ter alguém que te apoie”.

Desafios no processo de crescimento

Marina enfrentou alguns desafios durante o crescimento da sua marca. Um dos principais foi a parte financeira/administrativa da empresa. 

“É muito difícil aqui no Brasil a gente colocar em prática, principalmente os artistas que não têm esse apego grande à parte burocrática. A gente gosta de criar, não gosta disso de burocracia”. 

Ela contou que muitas pessoas falaram para ela que essa parte burocrática, só um homem resolveria. “Como se eu precisasse de um homem pra resolver a parte financeira. Mas eu nunca quis trabalhar com homens por trás, sempre acreditei no poder feminino. Não precisa ser um homem para essa parte financeira”.

Esse problema foi sanado com a chegada da sócia, que hoje toma conta da parte administrativa. “Ela é ótima no que faz e super me ajudou nesse processo”.

A mão-de-obra na capital também foi um desafio para a empreendedora. “Como eu faço tudo desde a criação das peças, então a mão-de-obra era bem difícil de achar. Aqui em Maceió também é difícil encontrar matéria-prima e eu preciso sempre viajar”, disse.

A empresa de Marina hoje é 100% feminina e conta com mais de 10 mulheres empreendendo juntas. A MFhandmade produz todos os produtos desde o papel, até costura, toda fase de pintura – 100% feita-à-mão -, controle de qualidade, e a chegada ao cliente. “Eu admiro demais a minha empresa que só tem mulheres trabalhando com excelência. Desde a parte de vendas até a criação. A gente se une de uma forma bem bacana. Vendemos para todo Brasil e para o exterior”

Valorização da marca

Marina está com a marca há 8 anos em Maceió, lugar onde começou. Embora tenha passado algumas dificuldades com a aceitação do público que via o tie-dye como algo hippie, a empresária conseguiu mudar essa realidade.

“O que eu creio é que as pessoas em Maceió, embora seja um lugar totalmente praiano, olharam por muito tempo como se o tie-dye fosse algo hippie”, comentou.

Por outro lado, Marina também teve apoio e a aceitação de muitas pessoas dentro da cidade. “Consegui com o tye-die mudar um pouco esse cenário e vejo esse crescimento a cada dia. O tie-dye é para todos, super democrático para todas as idades e tribos. Dessa forma consegui expandir minha marca e torná-la mais acessível”, disse.

Ela acredita que hoje existe uma mudança no comportamento das pessoas em Maceió que valorizam a moda, diferente do passado. “No passado, procurei pessoas para fazer parceria e que queria que vestisse a roupa, mas que diziam que era roupa de hippie. Hoje em dia essas pessoas já me procuram por causa da moda, sabe? Foi a moda que trouxe isso”.

Recentemente, a empresária lançou um site para atender os clientes de todo o Brasil. Para pós-pandemia, Marina disse que vai ser a vez da nova loja/ateliê que fica pronta no mês que vem. 

“De fato, sonhei, acreditei e continuo acreditando na moda autoral/intuitiva, na moda como propósito e, acima de tudo, na arte. Essa é a grande magia”, finalizou.
Categorias
Estilo de vida Interna

Penhora de auxílio emergencial e contrato de namoro; o que muda na pandemia? Advogada explica

A pandemia do novo coronavírus impôs mudanças não apenas de hábitos de higiene e proteção, mas no Direito de Família. Você sabe o que mudou nas relações jurídicas? Sabe quais os direitos que possui? O Eufemea ouviu Michelle Teixeira advogada atuante na área de Direito de Família e Sucessões e traz as várias modificações na lei.  

“A pandemia gerou não só uma crise de saúde mundial como também uma crise econômico-financeira e isso trouxe grande impacto às relações obrigacionais”, afirma a advogada, ao citar como primeiro exemplo a prisão do por dívida alimentícia. 

Ela lembra que em 10 de junho deste ano foi publicada a Lei nº 14.010 que dispõe sobre o Regime Jurídico Emergencial e Transitório das Relações Jurídicas de Direito Privado (RJET) no período da pandemia, que estabeleceu as mudanças, entre as quais na questão da prisão por dívida alimentícia.  

“Com relação à prisão domiciliar do devedor de alimentos, o Artigo 15 da referida lei determina que, até 30 de outubro de 2020, a prisão civil por dívida alimentícia, deverá ser cumprida, exclusivamente, sob a modalidade domiciliar, sem prejuízo da exigibilidade das respectivas obrigações”.  

Domiciliar para evitar o contágio pandêmico, ressalta Michelle Teixeira. “E sem prejuízo da exigibilidade. Significa que, quem presta alimentos determinados em acordo ou sentença judicial, não está isento ao pagamento, podendo sofrer inclusive bloqueios de seu patrimônio caso seja pedido na Justiça. O devedor de alimentos pode, inclusive, ter penhorado o auxílio emergencial para pagamento da verba alimentar”, alerta.  

Advogada Michelle Teixeira

Para tanto, diz Michelle Teixeira, “basta procurar um advogado para que o mesmo entre na Justiça com essa solicitação ou protocole um requerimento nesse sentido caso já exista processo judicial, seja de fixação de alimentos ou de execução de pensão alimentícia”.  

“A demanda no escritório sobre penhora do auxílio-emergencial aumentou bastante. Eu venho atendendo vários clientes que questionam não estar recebendo o valor da pensão alimentícia mesmo o devedor estando recebendo o auxílio emergencial. Mesmo que seja pouco é importante pagar algo no momento e depois fazer um acordo do valor que faltou porque quem tem fome tem pressa”, ela revela. 
Contrato de namoro 

Quanto aos namorados confinados durante a quarentena, a advogada orienta para que sejam evitados processos futuros.  

“Considerando-se que, para a caracterização da união estável não é necessária a coabitação e que, havendo a ajuda financeira habitual ao ‘namoro’, não importando a razão, já haverá a configuração da união estável, ainda que não morem juntos, o contrato de namoro é a alternativa jurídica indicada. Embora não tenha previsão legal, é bastante aceito nos tribunais”, orienta Michelle Teixeira. 

A profissional orienta que “quando o casal mantém essa relação que pode ser confundida com uma união estável e não é do interesse de ambos a extensão a um projeto de vida juntos (noivado, união estável ou casamento), pelo menos por ora, esse documento trará expressa e formalmente cláusulas minuciosas quanto a vontade de que esta relação não configure união estável, e, portanto, não sofra seus reflexos patrimoniais”. 

“Os bens não precisam ser imóveis, podem ser também investimentos, verbas rescisórias, FGTS, dívidas de cartão de crédito, até mesmo a guarda compartilhada do animal de estimação. Eu já atendi vários clientes querendo se respaldar destes futuros problemas. A procura maior é de homens querendo evitar esse vínculo, mas já atendi mulheres com essa preocupação”, revela. 

Michelle alerta ainda para as incertezas do momento e as precauções necessárias.  

 “Nessa fase em que não sabemos por quanto tempo o coronavírus fará parte da pauta do dia e quando o isolamento social deixará de ser necessário, ser cauteloso e tentar evitar ações judiciais futuras é uma opção bem sensata”, diz.
Estrangeiros no Brasil 

Quanto à entrada de estrangeiros no Brasil durante a pandemia, a advogada explica o que está proibido. “Temos, no aspecto de Direito de Família, exceções constante no Artigo 4º, parágrafo VI da Portaria Interministerial nº 255, de 22 de maio de 2020 o qual prevê que cônjuge, companheiro, filho, pai ou curador de um brasileiro são um dos casos de exceção autorizadores da entrada de estrangeiro no país”. 

“Quando essa situação está provada, isto é, quando há certidão de casamento ou declaração de união estável ou certidão de nascimento comprovando a filiação, ou de curatela, os estrangeiros não estão tendo grandes empecilhos para entrar no Brasil. Assim, uma vez conseguido o estado civil de “casado” o estrangeiro(a) está na exceção prevista no Artigo 4º”, pontua Michelle Teixeira. 

Categorias
Inspiradoras Interna Notícias

Potinho pós-pandemia e higienizador: estudantes do Ceará lançam projetos contra a Covid

Enquanto as aulas presenciais seguem suspensas nas redes pública e privada do Brasil por causa dos decretos de isolamento social para conter a pandemia do novo coronavírus, no município de Carnaubal (CE), a comunidade escolar se desdobra para levar conteúdo aos estudantes e mantê-los engajados, além de incentivá-los a exercerem a cidadania. A Escola de Ensino Médio em Tempo Integral (EEMTI) Antonio Raimundo de Melo lançou os projetos “Potinho pós-pandemia” e o “Jovem Empreendedorismo” e vem mostrando que apesar da distância é possível, sim, manter a educação funcionando, mesmo diante das dificuldades enfrentadas. 

Destaque com o programa Delivery Armelo, divulgado pelo Eufemea e que virou notícia no Caldeirão do Hulk, que usa mototaxistas para entregar as lições na casa dos alunos que não têm internet, a unidade de ensino sai na frente e planeja com os projetos o retorno às aulas presenciais. O Eufemea conversou com os educadores para saber como funcionam as iniciativas.  

“Os professores combinaram com a turma de alunos quais seriam as possíveis metas, sonhos e objetivos quando tudo isso acabasse. Surgiu o Potinho pós-pandemia. Todos customizaram pequenos potes para toda semana irem depositando dentro pedaços de papéis com anotações sobre sonhos e metas”, conta a Mahra Danyelly Pinto Farias, uma das coordenadoras da escola. 
Os potinhos, serão abertos quando as aulas presenciais forem retomadas e neles os alunos colocam seus sonhos e metas

O potinho, ela diz “será aberto quando as escolas retomarem as aulas presenciais ou de forma híbrida. Os resultados esperados são alunos resilientes que sonham um futuro promissor, fortalecendo a esperança dentro de cada um. Essa ação acontece nas aulas de formação para cidadania que fazem parte do Projeto Diretor de Turma da rede estadual do Ceará. Não há coleta. Eles guardam em casa para quando retornarmos. Haverá uma aula de acolhida e socialização do mesmo”, informa a professora. 

Empreendedorismo virtual e cidadania 

Outro projeto que vem incentivando os estudantes é o Jovem Empreendedorismo. O professor Francisco Marnon de Oliveira Melo da disciplina Química e Eletiva de Empreendedorismo, da 1º, 2º, 3º séries e EJA ensino médio, coordenou a iniciativa.  

“O projeto Jovem Empreendedorismo surgiu de uma parceria da Junior Achievement com a Seduc-CE (Secretaria de Educação) para proporcionar a estudantes do ensino médio a experiência prática em economia e negócios, na organização e na operação de uma empresa”, ele conta. 

De acordo com o educador, o projeto “é desenvolvido em duas tapas: Jovem Empreendedor I e Jovem Empreendedor II, divididas em dois semestres e realizadas na escola em jornadas semanais com duração de 1h40 para despertar o espírito empreendedor nos jovens ainda na escola, estimular o desenvolvimento pessoal, proporcionar uma visão clara do mundo dos negócios e facilitar o acesso ao mercado de trabalho”. 

Ao chegar na escola, estudantes encontrão higienizador produzido pelos próprios alunos na disciplina de empreendedorismo, que teve até Oscar dos melhores de 2020

Participam 44 estudantes na formação e nesse período, o educador informa que  foi preciso uma adaptação, “utilizando o ensino a distância (aulas síncronas e assíncronas), para estimular os alunos a criarem soluções para este cenário do Covid-19 e que possamos desenvolver o protagonismo dos nossos jovens neste momento de tantas incertezas”, diz Marnon. 

Foi através de grupos de WhatsApp, aulas remotas no google Meet, atividades impressas no Delivery Armelo e google Classroom que o projeto foi desenvolvido, como revela  o educador. “Para aumentar o engajamento neste desafio à distância, dividimos a turma em grupos, integrando o máximo possível de alunos, onde cada grupo tinha um líder responsável pelas ideias de negócio, e motivados pela oportunidade de fazer parte dos 20 melhores projetos no cenário Covid-19. A equipe selecionada participará do programa JA Startup 2020 com mentoria da JA Ceará”. 

Os resultados são de encher os olhos. “A nossa miniempresa Empree-Higienizer com o produto final que foi o higienizador de mãos e calçados produzido com materiais acessíveis e de baixo custo, foi premiado num evento que batizaram como ‘Oscar Jovem Empreendedor 2020’ em que nossa equipe –  formada pelos alunos Aline Farias, Vitória Veras, Ianna Sampaio, Kauã Chaves, Ana Tyssia Eleotério e Soldhalas – se destacou em 4 categorias do Oscar como melhor apoio a sua escola, melhor solução para vencer o Covid-19, melhor projeto na dimensão de sustentabilidade ambiental e miniempresa destaque”. 

O projeto, segundo Marnon, “foi prototipado pelos alunos e monitorado pelo professor. A ideia surgiu de um pai de nossos alunos membro da equipe, que logo foi aperfeiçoado e projetado pelos mesmos, sendo o diferencial a higienização dos calçados afim de contribuir com o trabalho de proteção e prevenção da Covid-19 nas comunidades escolares, familiares, comerciais e principalmente a proteção de todos os alunos e funcionários da nossa escola quando for possível o retorno às aulas presenciais”. 

Na avaliação do professor, esse tipo de iniciativa contribui para a cidadania. “O estudante desenvolve conceitos relacionados ao desenvolvimento sustentável e à sustentabilidade, que fornece condições para que eles possam refletir criticamente sobre os problemas socioambientais, na experiência prática da economia tão influenciadora no dia a dia dos mesmos, introduzir a importância de tomar sábias decisões financeiras que permitam destacar-se em suas comunidades e a lidar com suas emoções”.

“Somos uma escola de tempo integral, então a realização de um projeto com essas características faz acontecer a concretização do objetivo de nossa instituição, que é garantir aos nossos educandos o seu desenvolvimento em todas as dimensões”, destaca Marnon . 

“Gratidão em poder ajudar” 

Antonia Aline Silva Farias, 18 anos, cursa o terceiro ano do ensino médio e foi uma das participantes da equipe que desenvolveu o higienizador de mãos e pés para o retorno às aulas presenciais. Ela também conversou com o Eufemea. 

Aline cursa o 3º ano do ensino médio e se sente gratificada em poder ajudar para a não-propagação do vírus

“Por conta do momento em que estamos vivendo tivemos que nos readaptar, e vendo o perigo e a falta de cuidados adequadas em nossa cidade, tivemos a ideia de criar algo que ajudasse nesse período tão delicado. É muito gratificante ver algo criado por nós ajudando na proteção de tantas pessoas. Depois de todas as dificuldades que tivemos que enfrentar, o sentimento agora é de gratidão por ver nosso projeto dando tão certo”, diz a jovem. 

E descreve como funciona o higienizador. “Ele tem dois pedais que são pressionados, fazendo assim a higienização dos pés e mãos”, diz ao falar que para realizar o projeto foi preciso que se encontrassem presencialmente. 

“Fizemos primeiramente uma videoconferência, foi onde tivemos a primeira ideia, que não deu certo e tivemos que mudar. Com a ajuda do pai de um dos integrantes da equipe, criamos o nosso projeto atual. Marcamos um encontro pessoalmente, discutimos alguns detalhes necessários para o funcionamento e então criamos o protótipo”, ela relata.  

Questionada sobre as perspectivas com o projeto, Aline responde: “Esperamos poder contribuir para a não-propagação do vírus, e ajudar o máximo de pessoas possíveis da nossa cidade, e se Deus quiser, também de outras cidades. No momento que estamos enfrentando, o melhor para todos seria algo para auxiliar na proteção, e ajudar para que tivéssemos uma volta segura às atividades cotidianas”, avalia.  

Quanto ao curso eletivo de empreendedorismo, ela é só elogios. “Faz um ano que eu faço esse curso. O empreendedorismo me faz lembrar muito inovar, criar algo, transformar ideias em negócios, aprimorar também ideias já existentes”, afirma. 

“Vai me ajudar desde a criar métodos novos de estudo até futuramente em minha carreira profissional, em meu caso quero ser fisioterapeuta, me ajudará no momento que eu decidir abrir minha própria clínica”, afirma a estudante.