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Mulheres raspam a cabeça para apoiar amiga com câncer em Maceió: “Raspamos porque a amamos”

Até onde você iria por uma amiga sua? Você já pensou nisso? A auxiliar de serviços gerais, Glecia Pereira da Silva, de 50 anos, não imaginava o quanto era amada até receber o diagnóstico do câncer de mama. Junto com a fase difícil e a queda do cabelo provocada pela quimioterapia, veio um apoio marcante por parte de três amigas dela que rasparam a cabeça em solidariedade à amiga.

O Eufemea traz a história de Glecia, Cely Chrystian, Mônica Souto e Francirrégida Campos. As quatro se conheceram após trabalharem juntas em uma escola situada no bairro do Clima Bom, em Maceió.

Francirrégida, ou apenas Régida, é coordenadora pedagógica da escola. Cely é diretora da instituição. Glecia e Mônica trabalham como serviços gerais.

Glecia contou à reportagem que trabalha há 12 anos na escola. Foi daí que se formou a amizade entre as quatro. 

A descoberta do câncer

Glecia descobriu que tinha câncer de mama após notar que tinha algo estranho na mama esquerda. “Só que eu tinha 38 anos quando comecei a ter a sensação de algo diferente. A minha médica disse que eu não tinha idade para fazer a mamografia, mas após insistir bastante, eu fiz o exame e deu tudo normal”.

Mesmo assim, Glecia achava que algo não estava certo. Quando completou 40 anos, a alagoana continuou repetindo as mamografias que não acusavam nada. 

“Aí em 2019, eu fiz a mamografia em outubro. Em março de 2020, senti um incômodo e procurei um médico. Mas por causa da pandemia, muitos médicos estavam afastados”, contou.

Glecia procurou um médico particular, repetiu os exames e descobriu o câncer. “Eu achava que era na mama esquerda, mas ele estava na mama direita”. Após o resultado, a auxiliar de serviços gerais foi encaminhada para um oncologista e iniciou o tratamento com a quimioterapia pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A queda do cabelo

Foto: Cortesia ao Eufemea

“Estava muito inchado meu seio, então resolveram tratar com a quimio. Eu tinha feito uma selagem no cabelo, por isso meu cabelo caiu mais rápido do que o normal”. Em setembro, Glecia iniciou o tratamento, mas em 15 dias o cabelo já havia caído.

Foi aí que ela pensou em raspar a cabeça. “Chamei meu sobrinho que é cabeleireiro e raspei no dia 14 de outubro”.

Dois dias depois, Glecia recebeu um telefonema. “Elas me disseram que chamasse meu sobrinho que elas tinham uma surpresa pra mim”.

Surpresa que emocionou e marcou a vida delas. Foi na casa de Glecia que tudo aconteceu. As amigas deram adeus aos cabelos. O momento foi marcado por lágrimas, sorrisos, abraços e muito amor.

Ao Eufemea, Glecia disse que sabia o quanto as amigas gostavam dela, mas não imaginava o quanto seria. “Eu não sei se eu seria capaz de ter tanta empatia, sabe? Fiquei surpresa com todas, mas principalmente com a Cely por causa da hierarquia. Ela é diretora da escola e eu não imaginava que chegaria a isso”.

O amor por Glecia

“Vejo na Glecia uma pessoa muito forte, destemida e vaidosa”. É assim que Cely definiu a amiga. Quando soube que Glecia tinha perdido o cabelo por causa da quimioterapia, Cely notou que ela ficou abalada. “Eu admirei essa coragem, força e garra, pois sei que não é fácil se desprender da moldura do nosso rosto, o reflexo da nossa vaidade”.

A diretora confessa que teve medo de ‘perder’ o seu cabelo, mas sabia que o amor que sentia por Glecia era maior. “Nós mostramos para ela que o cabelo não é mais importante do que o apoio das pessoas que estão ao nosso redor. Foi por isso que raspei a minha cabeça”.

“Me vi também como vejo a Glecia: forte, corajosa e linda mesmo sem cabelo, pois cabelo não é tudo, o amor sim”, enfatizou. A atitude de Cely também foi copiada pela filha mais velha, de 12 anos, que decidiu cortar o cabelo e doar para Glecia.

Foto: Cely e a filha de 12 anos.

Para Régida, Glecia é uma mulher que sempre cuidou das pessoas. Raspar o cabelo, segundo ela, foi um desafio, já que o cabelo é um símbolo de beleza feminina e de poder. “Algo que a sociedade rotula que se a mulher raspar a cabeça ou está doente, ou é referente a opção sexual, nunca como uma vontade ou desejo de mudar de ficar diferente”.

Régida raspando a cabeça. Foto: Cortesia

E acrescenta: “Raspamos porque a amamos e cuidamos de quem amamos”.

Amizade além do cabelo

A auxiliar de serviços gerais, Mônica Souto, não faz mais parte do mesmo trabalho que Glecia. Mas a amizade não mudou. “Conheci todas elas no ano passado quando comecei a trabalhar na escola. Saí de lá em abril deste ano, mas a amizade não mudou”.

Foto: Cortesia. Mônica no dia que raspou o cabelo.

Pelo contrário, Mônica afirma que elas são amigas em todos os momentos. “Não foi só raspar o cabelo.  Nós também a acompanhamos na quimioterapia”.

Glecia ainda está fazendo o tratamento contra o câncer, mas sabe que amor não falta. A atitude das quatros impressiona e emociona quem sabe da história. “As pessoas dizem que é difícil encontrar uma amizade assim”, finaliza Mônica.

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Estilo de vida Interna

Médica alerta para riscos de disseminação de coronavírus com festas de fim de ano em família

O alerta vem da médica infectologista Raquel Guimarães, que chama atenção para os riscos de disseminação e contágio pelo novo coronavírus nas festas de fim de ano e reuniões em família.   A profissional orienta sobre os cuidados e diz que em vez de presenciais, os encontros podem ser via internet. O crescente número de pessoas de uma mesma família contaminadas pelo vírus preocupa. 

“É  possível que diante das festas de Natal e Ano Novo as regras de prevenção sejam totalmente relaxadas, com a possibilidade de contaminar pessoas que estão sob risco, como pessoas que têm  imunidade comprometida e idosos”, afirma a infectologista. 

Mas ela lembra que num momento como esse de pandemia é preciso mudar a forma de estar em família.

“Os encontros podem ser por uma plataforma de Internet, de forma presencial  de forma pouco demorada,  preservando o mínimo contato com  pessoas com comorbidades, tipo hipertensão e diabetes, obesidade mórbida, pessoas em quimioterapia ou radioterapia”, orienta  Raquel Guimarães. 

Quanto ao avanço número de casos de Covid-19 no Brasil, a médica lembra que se dá por vários fatores. “As pessoas estão aflitas pelo abraço,  pelos encontros e desprezam um pouco as medidas protetoras essenciais. As famílias relaxaram, estão saudosas de seus familiares, superam o medo, mas se confraternizam sem a devida proteção”, ela diz. 

Infectologista Raquel Guimarães: “É  possível que diante das festas de Natal e Ano Novo as regras de prevenção sejam totalmente relaxadas, com a possibilidade de contaminar pessoas que estão sob risco”

Mas não são apenas os encontros em família a contribuir com a disseminação do vírus, como informa Raquel Guimarães, que aponta para o período de campanha eleitoral e segundo a qual é possível dizer que “a onda é a mesma pois os casos diminuíram um pouco, mas se mantêm”. 

“O que pode ter mantido o número de casos, foi o relaxamento do distanciamento social (em função das aglomerações durante a campanha política, sem nenhuma proteção da população, guiada pelos políticos, sob o olhar complacente da justiça, do governo de Alagoas e também por ter havido muitas festas e reuniões sem nenhum padrão de protocolos de prevenção”. 

Já os casos de reinfecção, a médica revela que há uma portaria do Ministério da Saúde, onde os critérios estão bem definidos. Ela ressalta que “existem inúmeras vacinas sendo elaboradas,  porém as principais ainda não estão em uso no Brasil. Começam a ser utilizadas na Inglaterra e Estados Unidos, aquelas que foram aprovadas pelo FDA [a agência reguladora ligada ao departamento de saúde do governo norte-americano], exemplo a vacina da Pfizer”.  

“No Brasil ainda não temos um plano nacional consistente, que exige a logística da cadeia de frios, da compra de insumos, da definição por faixa etária e da aprovação da Anvisa. Tudo isso ainda é  muito incipiente,  sem muitos detalhes do planejamento”. 

A infectologista conclui mandando a seguinte mensagem para a população: “Não negligenciar a higiene das mãos nos vários momentos do dia; entender que a lavagem das mãos com água e sabão e o uso de álcool a 70 para higienização, acompanhado pelo álcool em gel, são simples e fáceis de cumprir. A etiqueta respiratória ao respirar e tossir, são condutas que já fazíamos desde a emergência de outros quadros virais e o distanciamento social. Essas medidas simples, salvam vidas, preservam as famílias e as comunidades”, afirma. 

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Inspiradoras Interna Notícias

De dentro do quarto: durante isolamento, alagoana cria projeto com poemas em forma de vídeos

Quem diria que seria dentro do quarto e contaminada pela covid-19 que a alagoana Ruana Lins, 29 anos, ganharia mais força para criatividade? O momento era difícil, segundo ela, mas foi entre 4 paredes e em contato consigo que Ruana descobriu uma nova paixão. A jovem criou um canal no Youtube para disponibilizar vídeos gravados e editados por ela com poemas de sua autoria.

Ao Eufemea, Ruana contou como se deu esse processo. Ela é formada em Relações Públicas e em Fotografia, mas é através da escrita que Ruana consegue se expressar. O amor pela escrita veio desde criança. “Desde pequena que eu escrevo contos e poemas. Sempre gostei de escrever e contar história”, disse.

Foto: Cortesia ao Eufemea

Dessa paixão pela escrita surgiu o primeiro livro dela chamado ‘Atrasos’. Ele está disponível na Amazon para quem desejar comprar.

No começo de 2020, Ruana viajou para Bélgica para um intercâmbio de seis meses. A paixão por fazer vídeos nasceu lá. “Eu trabalha com vídeos e entrevistas na Bélgica”.

Quando Ruana retornou ao Brasil, ela foi pega de surpresa. Foi diagnosticada com a covid-19. “Eu voltei no final de março para começo de abril e lá estava no pico da doença. Então quando eu voltei, precisei ficar isolada dentro do meu quarto. Só tinha contato com a minha cachorra e via a vida pela janela”.

Ficar em isolamento fez com que Ruana pensasse bastante e entrasse em contato consigo. Não foram dias fáceis, de acordo com ela. Mas foi lá dentro que a alagoana começou a produzir vídeos com crônicas sobre os dias dela no quarto.

“E aí, quando eu saí do isolamento, eu comecei a produzir alguns dos meus poemas. Voltei a escrever para os vídeos”, ressaltou.

E não parou por aí. Ruana pensou em ir além e criou um canal no Youtube para divulgar os vídeos. “Acabei juntando tudo que eu amava – a direção da fotografia e o poema -. Quis passar um pouco dos meus sentimentos e um pouco do meu jeito de ver o mundo para as pessoas”.

Clique aqui para acessar os vídeos https://www.youtube.com/c/RuanaLins

A relações públicas acredita que mesmo tendo pouco espaço, ela foi capaz de enxergar naquele momento que poderia produzir vídeos legais sem sair do espaço dela. 

“O meu trabalho lá na Bélgica me pediu para fazer um vídeo porque eu tinha mandado uma crônica para eles. Foi ali que surgiu meu primeiro desafio”, enfatizou.

Desafio aceito, Ruana disse que foi um pontapé inicial para que ela tocasse o projeto. Além disso, a alagoana teve apoio de uma amiga que disse que ela precisava contar as histórias por meio de imagens.

Para quem quer conhecer o trabalho de Ruana, deve acessar o Instagram @rualinspoemas e ou no canal do YouTube Rua Lins Poemas. 

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Estilo de vida Notícias

Empresas precisam estabelecer práticas de combate ao assédio sexual, e não de esconder, alerta advogada

O caso de assédio sexual  e moral denunciado pela atriz Dani Calabresa, cujo acusado é o humorista Marcius Melhem, é algo conhecido por muitas mulheres brasileiras, vítimas da prática criminosa de chefes, muitas vezes ‘abafadas’ pela empresa, que acaba por proteger o acusado. Além disso, a demora das instituições que deveriam agir em defesa da mulher e a omissão da sociedade acabam por desencorajar a denúncia.  

É o que avalia a Anne Caroline Fidelis, advogada, presidenta da Comissão de Direitos Humanos da OAB/AL, mestra em sociologia pela Ufal (Universidade Federal de Alagoas), ao falar que a denúncia encoraja outras mulheres a fazerem o mesmo. 

“Sem dúvida a denúncia encoraja, mas é fundamental que as instituições funcionem, que a sociedade se indigne e que a denúncia encontre eco. A demora na denúncia – ou mesmo a não denúncia – é consequência direta da ausência de funcionamento das instituições que devem apurar e punir, bem como da naturalização ou descrédito ao redor da denúncia e da denunciante que, infelizmente, ainda acontece também”, ela afirma. 

Somente na última terça-feira (8) a Rede Globo se pronunciou sobre o caso, o que, de acordo com a advogada, infelizmente é uma postura corriqueira.  

“As empresas, além de procederem, em regra, com base no lucro e não na integridade psicossocial de seus e suas funcionárias, sabem que em face de sua omissão podem também ser responsabilizadas e, consequentemente, ter de indenizar a funcionária ou funcionário ofendido em suas dependências durante o exercício da função. No caso específico da atriz Dani Calabresa penso que a situação vivenciada pode ser objeto de uma ação para reparação e danos”, ela pontua. 

A conduta da Globo num caso como esse, diz Anne Caroline, deveria ser em defesa da vítima, a atriz Dani Calabresa.  

“Penso que a empresa depois de ter conhecimento do fato, deveria ter afastado o assediador e dado apoio à vítima, inclusive psicológico. Posteriormente, apurada a conduta, poderia ter demitido por justa causa (se o vínculo era trabalhista) ou rescindido o contrato (se a relação era contratual). Além disso, estabelecer práticas e regras de combate a este mal, demonstrando uma conduta ativa de prevenção e repúdio”.  

A advogada diz ainda que “infelizmente a conduta de esconder ao invés de combater é a mais comum, tanto por aparentemente ser mais fácil, como também pela naturalização desse tipo de comportamento como se “fosse assim mesmo”. Precisamos, sem dúvida, caminhar sempre na direção da desnaturalização desse comportamento que afeta, especialmente, mulheres e é extremamente ofensivo”. 

Assédio é crime 

A advogada lembra que assédio sexual  é crime que, definido no artigo 216-A do Código Penal, refere-se ao ato de “constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente da sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função” e pode ocorrer mesmo sem o toque no corpo da mulher. 

“O assédio pode se concretizar através de palavras, mensagens, tentativas de aproximação, enfim, qualquer situação que constranja, humilhe, ameace ou oferte algum tipo de ascensão ou prejuízo no trabalho através de “favores sexuais”, revela Anne Caroline. 

No caso específico do assédio sexual, nos termos da lei, a advogada lembra que trata-se de situações que ocorrem nos ambientes de trabalho, em regra praticados por superiores hierárquicos ou mediante anuência destes.  

“Porém, a objetificação do corpo feminino, o constrangimento, a humilhação e o machismo, infelizmente, fazem parte da rotina das mulheres, afetando sua existência em todos os lugares. Para outros espaços onde as mulheres são muito subjugadas temos outras leis importantes como a lei Maria da Penha e a Lei da Importunação Sexual, assim como dispositivos fundamentais como o que define o crime de estupro e o rol dos crimes contra a honra: calúnia, injúria e difamação”. 

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Comportamento Cotidiano Interna

Psicóloga explica como covid-19 afeta emoções de pacientes: “Sofrimento gerado pela angústia”

De repente, o diagnóstico de que a pessoa foi contaminada pela covid-19. O medo e a angústia aparecem. Lidar com as emoções nesse momento da doença é um desafio para algumas pessoas. Principalmente quando se fala nos pacientes que estão nos hospitais – seja na UTI ou leitos clínicos -. O Eufemea conversou com a psicóloga Daniela Maria que falou como a doença afeta o psicológico dos pacientes e quais são as técnicas para que esse medo seja amenizado.

Segundo a psicóloga, os acometimentos mentais em pacientes infectados acabam se dando pela dimensão do sofrimento gerado pela tensão e angústia. 

“Sobretudo pelo enfrentamento de ser uma situação nova e inesperada, o que implica em perturbações psicológicas”, explicou.

A especialista disse que desta forma é possível que surjam ou que alguns comportamentos sejam “exacerbados”. E citou: “Tipos de transtornos emocionais, principalmente depressão, crises ansiosas e picos de estresse”.

Em algumas situações, os pacientes que ficavam internados não entendiam o quanto a saúde mental era importante. De acordo com a especialista, compreender que a saúde mental é tão importante quanto à saúde física ajuda no processo de minimização dos danos.

Para quem foi contaminado pela covid-19 e está em isolamento social, ou internado, Daniela recomenda algumas medidas.

“Recomenda-se reduzir a leitura ou contato com notícias que possam causar algum tipo de desconforto emocional; estabelecer ou criar novas rotinas; estreitar a conexão com pessoas e manter ativa a rede socioafetiva”, citou.

E acrescentou: “investir em atividades e ações que auxiliem a redução do nível de estresse como: meditar, ler, exercício de respiração. Isto com o objetivo e direção à fase de retomar as habilidades e experiências utilizadas em outras fases passadas”.

Daniela destacou também que “nem todos os problemas psicológicos e sociais apresentados poderão ser qualificados como doenças”. 

“A maioria será classificada como reação normal diante de uma situação anormal que é a contaminação”, comentou.

Questionada se as pessoas estão prontas – do ponto de vista emocional – para uma ‘segunda onda’, a psicóloga disse que relativamente sim. 

“Mas nenhuma medida sozinha é perfeita, e algumas são responsabilidades das pessoas. Com o momento enfrentado na história mundial de restrições severas, convívio com sentimentos e emoções apavorantes de insegurança e medo da fatalidade, ou seja, diante dos traumas emocionais conhecidos, acredito que uma parte significativa das pessoas têm se protegido e se atentado para o risco real e ainda muito presente”, afirmou.

Porém, segundo ela, ainda é bastante recorrente no comportamento humano, atitudes egoístas. “E até irresponsáveis no que se refere às medidas protetivas, o que desta forma corrobora para essa possível fase da segunda onda”.

Conforme a psicóloga, neste sentido,  ainda é o comportamento humano um dos principais motivos para a permanência dos casos.

“Ainda há muito o que se preparar para que as pessoas estejam prontas para esta e outras situações que possam surgir”, finalizou.

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Cotidiano Interna Notícias

Advogada infectada por Covid lembra isolamento: “Dia mais difícil foi não poder abraçar meu filho”

A advogada trabalhista Carolina Agra é militante há 20 anos.  Por causa da pandemia da Covid-19 ela estava fazendo audiências e sustentações orais on-line e poucos atendimentos presenciais, com hora marcada e obedecendo a  todas as medidas de segurança, como uso de máscara, álcool em gel, distanciamento. O que ela não esperava era contrair o vírus, mesmo tomando todos os cuidados. 

A notícia de que estava contaminada causou apreensão, mas em momento algum a fez perder a fé e a calma, que a ajudaram na recuperação. Carolina é mais uma na estatística das pessoas infectadas pelo novo coronavírus, cujo aumento de casos no Brasil volta a preocupar as autoridades de saúde, que temem uma nova onda da doença até então controlada em estados como Alagoas. Ela contou ao Eufemea como foram seus 15 dias no isolamento social, distante da família. 

“Dois dias antes de testar positivo estava prestes a voltar a fazer a minha primeira audiência presencial e seria em São Miguel dos Campos. Com o resultado, peticionei explicando o resultado eu solicitei o adiamento”, relembra Carolina. 

Ela conta  como acabou sendo contaminada pela doença. “Tive contato com duas pessoas que testaram positivo e ao sentir dores de cabeça insistentes resolvi fazer o exame. No fundo, ali eu já tinha quase certeza que estava contaminada porque meu corpo já não era o mesmo, senti moleza e estado febril. Me isolei no mesmo dia do marido e dos meus dois filhos, fiquei no quarto de um deles e eles ficaram com o pai em outro quarto. Evitei circular pelo apartamento, mas dentro do quarto resolvi que não ia me paralisar, ali seria meu novo lar pelos próximos dias. Muitos filmes, livros, pesquisas, trabalho on-line, dança, alimentação e até musculação leve para melhorar a circulação do sangue”, lembra Carolina. 

Força interior e calma

Ao descobrir que estava contaminada, Carolina revela que buscou na força interior e na calma a saída para se curar do vírus tão temido. “A primeira coisa que pensei foi em ter calma, que tomaria todas as medicações prescritas, que me alimentaria bem, que os sintomas iriam aos poucos desaparecendo e que a cura seria breve”. 

“Eu sempre fui muito ativa, pratiquei muitos esportes na adolescência e já faço musculação há 20 anos. Malho de segunda a sexta-feira, sou regrada na alimentação, vitaminas e suplementação. Acredito que tudo isso tenha contribuído na minha boa recuperação”. 

Mas não foi apenas nos exercícios e alimentação que ela se sustentou. Carolina buscou no espiritual a ajuda que precisava para vencer a guerra contra o coronavírus.  

“A fé move montanhas e de fato ficamos mais sensibilizadas nesses momentos. Fiz boas reflexões, fiz uma retrospectiva sobre minha vida, sobre vitórias, superações, saudades, gratidão, conversei muito com meu pai Dênis [ela é filha do jornalista Dênis Agra, morto por um câncer em 1992] que é meu eterno conselheiro e acredito que esse jeito de lidar com a doença só ajudou”.  

O dia mais difícil do período de isolamento, Carolina conta que foi o do aniversário de um dos filhos.   

“O dia que fiquei mais sensível foi quando meu filho fez 16 anos, no dia 26 de novembro, e não pude sequer lhe dar um beijo, um abraço, apenas nos falamos por telefone, mas sabia que logo, logo iria fazer tudo aquilo e comemorar da melhor forma com ele”, ela lembra.  

Na  casa, só ela contraiu o vírus. “Meu esposo e filhos testaram negativo. Fiz o IGg e já não transmito mais”, relata ao falar sobre a lição que fica para ela ao vencer a Covid-19.  “A lição é justamente reagirmos com positividade, esperança, confiança, de modo que possamos aprender as boas lições que geralmente as crises têm para nos ensinar”. 

E não só! Carolina diz que é preciso manter a calma para atravessar os dias de incertezas e aconselha a quem estiver passando pela situação agora:  “Calma, fé e sabedoria para não nos entregarmos para a doença. Levanta da cama, mesmo sem força, caminha um pouco, movimenta as pernas, faz uma massagem em você mesma, toma aquele banho gostoso, passa hidratante, perfume, assiste um bom filme, faz uma leitura, toma todos os remédios prescritos e acredite que a cura vai chegar. Foram dias de aprendizado, autoconhecimento e boas reflexões”, ela diz.  

Hoje, a advogada é só gratidão por ter superado a doença. “Gratidão a Deus, minha amada família, amigos por tanto carinho recebido no período, isso ajudou muito”. Mas ela alerta às pessoas para a gravidade do vírus e os cuidados que precisam ser mantidos.  

“Eu quero alertar que a doença não causou grandes estragos em mim, mas ela está aí, forte, misteriosa, rápida. Então, faça a sua parte, proteja quem você ama, se cuide, use máscara, lave as mãos, álcool em gel, distanciamento e pense sempre positivo!”. 

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Inspiradoras Interna Notícias

Com alternativa para aliviar Judiciário, advogadas se unem e lançam Câmara para resolução de conflitos

Foto: Algo Mais

Amani significa paz. E foi com esse objetivo de trazer pacificação social e de ‘aliviar o Judiciário’ que duas advogadas uniram os sonhos e inauguraram a Câmara Amani (uma das primeiras Câmaras da Região Nordeste). Elas são pioneiras no estado de Alagoas quando se fala em atendimento de pessoas físicas. O propósito da Câmara é oferecer uma conciliação através de mediação e arbitragem, garantindo celeridade, tratamento diferenciado e confidencialidade na resolução de conflitos de forma online ou presencial.

A ideia surgiu das advogadas Oneyka Albuquerque, 35 anos e da Sumay Larré, 41 anos. Para que a Câmara fosse criada, as advogadas buscaram inspirações em duas professoras Marizângela Melo e Rita Régis que também integram a Amani como Diretoria Técnica.

Ao Eufemea, Oneyka contou que conheceu Sumay no curso para mediadoras. Mas que na época, ambas não pensavam em seguir por esse caminho.

“Nós recebemos convites de outras pessoas para abrirmos a Câmara, mas negamos”, disse.

Assim como algumas empreendedoras, a pandemia trouxe uma luz para que as duas tocassem o projeto. “Na pandemia percebi a necessidade da mediação. Vi muitos desgastes nas relações e a necessidade de mudar esse cenário”, disse Oneyka.

Oneyka estudava para concurso público, mas sempre foi apaixonada por mediação. “Só não sabia como viver disso”, comentou.

Foi a partir de um post nos stories de Oneyka que tudo mudou. “Eu fiz uns stories falando sobre os benefícios da mediação, a partir de um caso e a Sumay já me escreveu dizendo que estava pensando em investir nessa área”.

E foi em agosto desse ano que durante um café, as duas advogadas perceberam que tinham mais em comum do que imaginavam.

Sumay sempre atuou na área de família e via de perto a dificuldade que as pessoas encontravam sem a mediação. “A mediação na prática é diferente. No mínimo, levamos uma hora para cada sessão. E quando se chega na Justiça isso é diferente: são cerca de 20 minutos. Ou seja: o resultado não é o mesmo”.

Segundo Sumay, com as técnicas de mediação, as pessoas saem transformadas. “Hoje entendo que abrimos a Câmara no tempo certo. O nosso objetivo é realmente fomentar a cultura da paz que é contrária do litígio. Nós queremos a pacificação social”.

Como funciona a Câmara?

Ela substitui a judicialização de um problema através dos métodos adequados para resolução do caso, retirando as partes da chamada ‘espiral do conflito’ para que enxerguem possibilidades de solução. 

Assim, diferente de um processo judicial onde um ganha e o outro perde, há um consenso ou ‘ganha-ganha’, onde ambas as partes retomam o diálogo e trabalham rumo à construção da cultura de paz – aquela baseada na superação de divergências através da conversa, sem recorrer a brigas ou violência.

Maternidade impulsiona

O tempo das duas é um verdadeiro ‘se vira nos 30’. Ambas são mães e reforçaram que foi a maternidade que impulsionou para que elas lutassem pela criação da Câmara.

“Tenho dois filhos. Eles são tudo em minha vida. Eu confesso que não teria toda essa coragem se não fosse por eles. Eles são minha maior inspiração e me impulsionam a exercer o meu melhor trabalho. A rotina é cansativa, mas vale a pena”, destacou Oneyka.

E Sumay acompanha o pensamento da sócia. “Tenho três filhos que me ajudam e me incentivam. Ser mãe nunca me impediu de fazer nada”.

“Somos uma opção para acelerar a Justiça”

Mesmo com a rotina puxada, as duas não deixaram de lado os sonhos e planos para 2021. “São infinitos planos. Temos como referências as grandes Câmaras do Brasil. Então nada impede que nós possamos atuar em parceria ou com metas”, reforçou Oneyka.

A advogada Sumay também acrescenta: “Nós queremos conscientizar os clientes e auxiliares da Justiça de que eles podem utilizar da Câmara. Não somos concorrentes. Somos uma opção para acelerar e melhorar o trabalho deles, a morosidade da Justiça que prejudica advogado e cliente”.

A Câmara Amani terá lançamento oficial no próximo dia 09 de dezembro, através de live no seu canal oficial no Youtube. Até lá, mais informações sobre sua proposta e serviços podem ser encontradas no Instagram @camara.amani ou no site www.camaraamani.com.br.

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Tatuadora vence preconceito e se destaca no mercado: “Me sinto realizada e incentivo outras mulheres”

Uma profissão até bem pouco tempo predominantemente masculina, está atraindo cada vez mais mulheres que se destacam no mercado e conquistam a clientela. São as tatuadoras, que precisaram vencer o preconceito para se firmar na área antes dominada pelos homens.  Elas ocupam cada vez mais espaço no mercado e se destacam, como é o caso da pernambucana da cidade de Garanhuns, Gleyce Lima, 33 anos, tatuadora profissional com trabalho reconhecido pela delicadeza e perfeição dos traços.  

Gleyce, que hoje mora em Maceió (AL), conversou com o Eufemea, a quem contou os caminhos que precisou percorrer para se firmar na área, do amor pelo que faz e do preconceito que ainda enfrenta.   

“Isso acontece mais do que eu própria gostaria de admitir, inclusive em vários casos surgem de outras mulheres, como se uma tatuadora mulher não tivesse uma voz que fosse ouvida, ou que fosse um sinônimo de inexperiência. Isso em nenhum momento me fez pensar em desistir da minha carreira, mas traz à tona a falta de apoio entre mulheres, que não acontece nesse caso isolado”, ela conta. 

No passado, foi no pai que ela encontrou resistência, hoje superada. “Por parte do meu pai, houve uma grande resistência. Não o culpo, é um homem simples, de origem humilde que viveu outros tempos. Já o restante da minha família, mãe, irmãs e irmãos, foram cruciais, disponibilizaram-se para que eu fizesse minhas primeiras tatuagens e para que eu permanecesse convicta que realmente era meu destino me tornar uma tatuadora. Acredito que hoje, além de meu filho e marido, sejam meus maiores apoiadores”, diz Gleyce. 

Gleyce Lima: “Não acredito que hoje seja um universo absolutamente masculino, pelo contrário, estou convicta que em um futuro próximo teremos a mesma quantidade de mulheres tatuadoras, e por que não, a maioria”. Fotos: Arquivo pessoal

Qualificação

Apesar das barreiras, ela considera que o mercado da tatuagem já não é predominantemente dominado pelos homens.  

“Não acredito que hoje seja um universo absolutamente masculino, pelo contrário, estou convicta que em um futuro próximo teremos a mesma quantidade de mulheres tatuadoras, e por que não, a maioria. Me sinto realizada e feliz em poder ser uma mulher que não só não desistiu, como hoje incentivo outras mulheres a também seguirem na profissão. 

E para as mulheres que desejam se firmar na profissão, ela orienta buscar qualificação. “O melhor conselho que eu posso dar para uma mulher, que almeja ser tatuadora ou não, é que ela sempre busque o caminho do conhecimento, que se especialize, que busque evolução, sem atalhos, sem facilidades. Com toda certeza nosso caminho é mais difícil e não traz margens para erro, então nós mulheres, infelizmente, ainda temos a injustiça batendo à porta todos os dias. Combatemos isso com eficácia, profissionalismo, ética e muito esforço”, orienta a profissional. 

Com a desmistificação da tatuagem moderna, o público tem aumentado consideravelmente, diz a tatuadora

Trajetória 

Foi justamente na qualificação que Gleyce se apegou para levar adiante o sonho de ser tatuadora. “Divido minha carreira como tatuadora em duas fases. A primeira me levou 3 anos de estudos e tudo que envolvia a tatuagem não só artisticamente como desenho, maquinário e técnica, mas questões como biossegurança, atendimento ao cliente e administração”. 

A segunda fase, diz Gleyce, foi realmente como tatuadora, “onde trabalhei no estúdio Maceió Tattoo por mais 4 anos, onde ganhei grande experiência no mercado e numa visão além de artística, empreendedora da tatuagem, o que me levou há um ano ser sócia-proprietária do meu próprio estúdio, o Leste-Oeste Tattoo Studio”.  

Mas o início de tudo, ela lembra que surgiu a partir do apoio do marido, o também tatuador Rommenigge Gama. “Ele não só me ensinou e ensina, como me incentiva até os dias de hoje. Meu marido é minha inspiração desde o início, além de outros amigos que também conheci dentro do universo da tatuagem”. 

Atualmente ela é sócia-proprietária do Leste-Oeste Tattoo Studio, que tem em torno de um ano, como conta. “Ele é localizado no bairro da Mangabeiras, e é composto por uma equipe incrível de outros 6 profissionais, 4 tatuadores, um piercer, um auxiliar”. 

Desmistificando  a arte 

E se num passado próximo fazer tatuagem – arte que existe há milhares de anos – era um estereótipo de tudo o que a opinião pública conservadora reprovava, hoje a arte de marcar a pele atrai cada vez mais pessoas.  

“Com a desmistificação da tatuagem moderna, o público tem aumentado consideravelmente. Como tatuadora mulher tenho plena convicção que o meu público é em grande parte feminino, mas isso não é uma regra. Acredito hoje que mulheres se tatuem mais, desenhos menores, minimalistas em muitos casos, faz com que tenhamos uma quantidade maior de mulheres tatuadas que homens, que a grosso modo, por sua vez, buscam tatuagens maiores, mas isso é um ponto de vista muito superficial já que a tatuagem é livre de estereótipos, gêneros ou um limite artístico”, diz Gleyce. 

As tatuagens, ela conta, variam muito. “Nós contamos como tatuagem não apenas agulha, tinta e pele, mas sim todo o processo, que vai da criação de uma arte no papel ou digitalmente, os ajustes feitos, toda a conversa que é necessária”. 

As tatuagens variam e “vão desde a criação de uma arte no papel ou digitalmente, aos ajustes feitos, toda a conversa que é necessária” e podem levar até 10 horas para serem feitas

O processo, Gleyce diz que “pode levar em torno de uma hora. Existem tatuagens maiores onde suas sessões levam 8 horas, 10 horas. Tudo vai de cada cliente e tatuagem isoladamente, não há padrões, todo cliente, trabalho (tatuagem/processo) leva o tempo necessário pra que as ideias sejam alinhadas e tenhamos um ótimo resultado”. 

“Tatuamos de tudo, homenagens, tatuagens por pura estética, algumas extravagantes até. Cada uma tem sua própria importância não apenas para o tatuado, mas para mim como tatuadora. Há uma conexão entre ambas as partes, por alguns momentos estamos juntos e alinhados em prol de algo a mais, de um momento que ficará marcado não na pele, mas na história desse cliente. Isso faz do tatuador ou tatuadora muito mais que uma profissão, nos permite realizar pelas nossas mãos momentos únicos”.  

A profissional finaliza falando sobre o trabalho que mais lhe marcou. “Houve um caso, a que mais me marcou, uma tatuagem de um ipê, a árvore amarela, onde as cinzas da irmã da cliente haviam sido enterradas. A irmã costumava ler abaixo dessa árvore, e sempre tinha a ideia de tatuar uma fênix, então a cliente resolveu tatuar o ipê amarelo com a imagem de uma garota lendo em sua sombra, juntamente de uma fênix, simbolizando o renascimento da irmã junto ao ipê. Essa, com certeza, foi uma das tatuagens mais importantes que já fiz”. 

Gleyce, numa visão além de artística, empreendedora da tatuagem, se tornou sócia-proprietária do próprio estúdio, o Leste-Oeste Tattoo Studio
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Inspiradoras Interna Notícias

Em Maceió, odontólogas inovam e trazem técnicas especializadas em harmonização facial

Foto: Assessoria

Graduadas em odontologia, Aline Barbirato, 34 anos e Marcy Nobre, de 31 anos, se conheceram quando faziam um curso de harmonização facial. Elas não imaginavam, mas seriam sócias no futuro. As duas criaram um espaço físico chamado ‘Harmona’, que fica situado no bairro da Pajuçara, em Maceió.

Aline é capixaba e Marcy alagoana, natural de Olho D’Água das Flores. Com o novo espaço físico, a proposta delas é oferecer um serviço com técnicas em harmonização facial; como botox, preenchimentos de boca, olheiras, mandíbula, malar, dentre outros. 

“Trata-se de um procedimento  que surge a partir de uma avaliação facial, sobretudo, elevando ainda mais  beleza já existente com naturalidade”, explicou Aline.

A parceria surgiu após as duas perceberem que amavam a profissão, mas que precisavam investir em novas oportunidades. Foi daí a ideia de empreender.

“Nós começamos a ministrar cursos juntamente com outros grandes nomes da harmonização, criando-se posteriormente excelente parcerias, uma delas em uma renomada instituição de pós graduação odontológica em Maceió, onde coordenam toda a área de harmonização facial”, disse Marcy.

Além do trabalho na instituição de ensino, elas oferecem cursos profissionalizantes nesta área.

Segundo Aline, ambas estão em busca de técnicas atualizadas para oferecer o melhor ao paciente. “Nós vemos que o Nordeste ainda sofre uma carência muito grande de bons cursos que são essenciais na carreira do profissional”, destacou.

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Cotidiano Notícias

Surto de Covid-19 atinge seis pessoas da mesma família; do hospital, cientista social alerta: “Não se aglomerem”

A cientista social Elis Lopes Garcia, 47 anos, está internada há dez dias na Santa Casa de Misericórdia de Maceió, onde ela e a família ocupam praticamente uma ala da unidade de saúde. Eles são vítimas da Covid-19, que infectou quase toda a família ao mesmo tempo. O surto do novo coronavírus bateu à porta da família e infectou seis pessoas, causando sofrimento e muita apreensão. Das seis, apenas a mãe de Elis não precisou ficar internada.

Do hospital, Elis conversou com o Eufemea, a quem contou como se encontra hoje, ao mesmo tempo em que lançou um alerta num momento em que a doença volta a preocupar em Alagoas.  

“Foi um surto. Mesmo com todos os cuidados, sem aglomerações, o vírus entrou pela porta da frente. Fomos seis pessoas infectadas. Eu, minha mãe, minha irmã, meu cunhado, minha tia e o meu Tio Gil Lopes, artista plástico e carnavalesco. Inclusive o caso dele requer mais cuidados. Ele está na UTI entubado, devido as comorbidades, principalmente a diabetes e obesidade. Mas ele está reagindo bem. Graças a Deus”, relata Elis. 

Ela diz ainda que “graças a Deus também, acreditamos que por milagre, os idosos não foram acometidos. Mesmo com contato direto com eles. A gente não sabe, ainda, como o vírus chegou. A casa da minha vó é super arejada, sempre que íamos pra lá ajudá-la íamos de máscaras”. 

E manda um alerta para as famílias, que em tempo de fim de ano já se preparam para as festas de Natal e Ano-Novo.  

“De qualquer forma é importante que as famílias não se aglomerem nesse final de ano. Eu sei que será difícil não fazer isso, temos nossas tradições natalinas. Mas nesse momento de pandemia precisamos cuidar um do outro não aglomerando. Esse ano vai ser um dos mais tristes pra nossa família pois não iremos nos reunir”. 

Ao agradecer a rede de solidariedade dos amigos e familiares, Elis Lopes diz que “as orações e todas as energias positivas emanadas, estão nos ajudando imensamente. Obrigada. Só nós sabemos o que é estarmos ocupando quase uma ala aqui na Santa Casa. A angustia que é saber que as pessoas que você ama estão contaminadas”. 

Sintomas 

Nela, os sintomas da Covid-19 foram dores nas costas e febre, que a levaram à unidade de saúde, onde veio o susto ao ouvir do médico que precisaria ficar internada.  

“Precisei de oxigênio nos dois primeiros dias de internação, mas logo se estabilizou minha situação. É um susto saber que vai ficar internada, mas se é o melhor a ser feito é preciso encarar de frente e lutar. Além do mais ficar em casa sem tratamento por medo é irresponsável, coloca a própria vida em risco e a dos outros”, ela afirma. 

Elis Lopes faz questão de ressaltar que “a Santa Casa é um hospital de referência, os médicos que me atenderam, entre eles o dr. Ravir, explicou com atenção que meu caso precisaria de cuidados de internação, de acordo com o protocolo. Meu pulmão estava com uma lesão de 25% a 50%”. 

“Graças a Deus estamos nos recuperando bem, até mesmo o tio Gil, que aos poucos e com muita força, luta pela vida. Ele é guerreiro. Vai conseguir como todos nós.  Agradecer as equipes médicas aqui da Santa Casa, equipe de referência, com médicos altamente competentes, mas que estão preocupados com essa segunda onda. E agradecer a equipe do Hospital Vida que está cuidando do meu tio Gil. Se cuidem, usem máscaras, lavar sempre as mãos é importante. O presente de Natal é toda a família com saúde. Agradecemos também”. 

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Comportamento Notícias

Preservativo feminino: “Muitas mulheres deixam a prevenção na mão da parceria”, diz educadora em sexualidade

Atualmente, segundo dados do Ministério da Saúde (MS), cerca de 920 mil pessoas vivem com HIV no Brasil. Sendo que 89% delas foram diagnosticadas e 77% fazem tratamento com antirretroviral. Quando falamos em mulher, para prevenção contra aids, hepatites virais e outras doenças sexualmente transmissíveis, existe a camisinha feminina. Mas será que esse preservativo é usado pelas mulheres? Quantas mulheres que você conhece que realmente já experimentaram essa camisinha? Muitas sequer viram.

Hoje, no Dia Mundial de Luta contra a Aids, o Eufemea conversou com a educadora em sexualidade Laylla Brandão sobre o assunto. 

Segundo ela, socialmente falando, se foca muito na questão de prevenção de gravidez e doença. Porém, por mais que o preservativo feminino esteja nos postos de saúde, a camisinha masculina ainda é a mais ofertada.

“É muito fácil a questão do manuseio da camisinha na hora do sexo quando se fala no homem. A masculina é mais prática e muitas vezes, a mulher acaba deixando essa prevenção e responsabilidade na mão da parceria”, ressaltou.

A educadora acredita que há informação sobre a camisinha feminina, mas não tanto quanto a masculina. “A prova disso é que as camisinhas masculinas são comercializadas nas farmácias de forma mais fácil do que a camisinha feminina”.

Outro ponto que também a educadora chamou atenção é sobre a prática de introdução e a ausência de informação sobre a aplicabilidade da camisinha feminina. “A do homem é apenas vestir. Quando falamos na mulher até percebemos que existe essa ausência de informação. Ou seja: muitas mulheres não sabem usar, não levam o preservativo na bolsa, por exemplo. E quando levam, é sempre o masculino”.

A dica que a educadora deu é para que a mulher compreenda que o uso do preservativo feminino é responsabilidade também dela e que ela não pode deixar isso nas mãos da parceria. 

COMO USAR – O preservativo feminino é bem maior que o masculino, pois envolve todo o colo do útero e os grandes lábios; tem cerca de 15 centímetros de comprimento e oito de diâmetro e possui dois anéis flexíveis. Um é móvel e fica na extremidade fechada, servindo de guia para a colocação do preservativo no fundo da vagina. O segundo, na outra ponta, é aberto e cobre a vulva (parte externa da vagina).

Clicando nesse vídeo você assiste a demonstração completa. O preservativo feminino é tão eficaz quanto a camisinha masculina, tanto como método contraceptivo como de prevenção da transmissão do HIV/aids, da sífilis, da gonorreia, do vírus zika e de outras infecções sexualmente transmissíveis (IST).