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Vereadoras de Maceió contam quais são os maiores desafios de ser mulher e estar na política

A Câmara Municipal de Maceió (CMM) tem a bancada feminina mais jovem da história. As quatro integrantes têm entre 21 e 35 anos, e ocupam cargos eletivos pela primeira vez. O Eufemea conversou com as vereadoras sobre o desafio de ser mulher, estar na política e o conselho que elas dão para outras mulheres que também têm o desejo de ingressar na política.  

 Igualdade de gênero 

 Aos 35 anos, a advogada Gaby Ronalsa (DEM) afirma que o maior desafio é a igualdade de gênero, que apesar da popularização dos debates, combate ao machismo e ao assédio é uma das grandes lutas. 

Para Gaby Ronalsa, “coragem, persistência e muita certeza do que você quer, são alguns dos atributos que as mulheres que querem ingressar na política devem possuir”

 “As mulheres têm mais dificuldade de entrar e chegar a cargos de chefia, e ganham menos que os homens cumprindo a mesma função”, ela lembra. 

Na opinião da vereadora, ter “coragem, persistência e muita certeza do que você quer, são alguns dos atributos que as mulheres que querem ingressar na política devem possuir”.

Gaby Ronalsa faz um apelo às mulheres para que “participem de movimentos, se engajem em causas, mesmo que ainda tímidas, a presença cada vez maior de candidatas é algo fundamental para o fortalecimento da democracia”, diz. 

“A representatividade feminina é extremamente necessária quando pensamos nas lutas pelos direitos das mulheres em um contexto que ainda há muito preconceito, exclusão e violência contra as mulheres.” 

Gaby Ronalsa

Determinação e voz 

A advogada Olívia Tenório (MDB), de 28 anos, afirma que são muitos os desafios em ser mulher e estar na política e que ainda existem muitos preconceitos.  

Eleita vereadora aos 28 anos, a advogada Olívia Tenório entende que é preciso que as mulheres incentivem outras mulheres

“Um ranking elaborado pela Organização das Nações Unidas (ONU) revelou que o Brasil ocupa o 154º lugar em representação feminina nos parlamentos mundiais, com 55 das 513 cadeiras da Câmara dos Deputados ocupadas por mulheres, o que equivale a apenas cerca de 10% do total. Aqui em Maceió o resultado não é muito diferente, apenas 4 mulheres ocupam lugares na Câmara Municipal, sendo 25 vagas”, diz Olívia. 

Olívia Tenório

O resultado, ela ressalta, “deixa o Brasil na retaguarda em termos de representação feminina nos parlamentos, atrás de países como Afeganistão e Arábia Saudita”. 

“Para mim, o maior desafio da mulher na política é quebrar essas barreiras que envolvem questões culturais, políticas, sociais, econômicas, institucionais e estruturais. Apesar de a mulher estar cada vez mais presente em todos os segmentos e de muitas serem chefes de família, ainda vemos uma sub-representação absurda nas esferas de Governo do Brasil. Apesar de já estar provado e comprovado que países/estados/municípios ou cargos representados por mulheres tendem a ter um nível de desenvolvimento e aprovação maior.” 

Conselho da vereadora para as mulheres que desejam ingressar na política: ”Sim! Ingressem! Se engajem! Faça valer a sua vontade, determinação e voz. Preciso que as mulheres incentivem outras mulheres. Por muitos anos as mulheres não tinham direito a voz, a vez, a nada. Não podiam nem votar e até para viajar precisavam da autorização do marido”.

Olívia entende que “as coisas vêm mudando, embora ainda lentamente, mas o meu conselho para aquela mulher que gosta e se sente atraída a pleitear um cargo político é que elas devem, sim, fazê-lo. Devemos mostrar que somos capazes de fazer tudo que quisermos, sem discriminação de gênero.” 

Aliança feminina 

Em seu quarto mandato como vereadora da capital e com vários projetos e leis aprovadas voltadas à pauta feminina no currículo, Silvania Barbosa (PRTB) acredita que a maior barreira a ser vencida é conquistar a confiança de outros políticos, até mais do que a do eleitor.  

Em seu quarto mandato como vereadora, Silvania Barbosa afirma que as mulheres precisam brigar por mais representatividade

“O espaço das discussões é predominante masculino, e é preciso de firmeza nos posicionamentos para garantir meu lugar de fala e espaço na carreira pública” e acrescenta que “precisamos brigar por mais representatividade. As mulheres não podem ser coeficientes nos partidos, elas precisam ser protagonistas em suas legendas”, diz. 

Silvania Barbosa

O conselho da vereadora para mulheres que desejam ingressar na política é  seguinte:  “Coragem, perseverança e personalidade são características necessárias. Acredito na força e na aliança feminina como principais aliadas do nosso sucesso”. 

Machismo 

A vereadora mais jovem de Maceió, a estudante de Relações Internacionais Teca Nelma (PSDB), de 21 anos, conta que o principal desafio é lidar com o machismo, que ainda é muito presente em todas as esferas sociais e na política não é diferente. Ela afirma que a única forma de desfazer esse problema estrutural e cultural é cada vez mais mulheres participarem ativamente e ocuparem os espaços de poder. 

Eleita aos 21 anos, a estudante de Relações Internacionais, Teca Nelma orienta: “Mesmo diante das adversidades, não desistam”

“Essa resistência dos homens e dos partidos políticos em si, não se trata apenas de sexista. É um mecanismo masculino de proteção do poder. A entrada de mulheres acirra essa competição para os homens que já estão inseridos na política, até porque tradicionalmente as mulheres tendem a ser mais qualificadas”, diz Teca. 

Outro fator importante que colabora para essa segregação, ela acrescenta, “é o fato de a mulher, tradicionalmente, não ser esperada nesses espaços, não apenas por uma questão histórica, mas também cultural de que a mulher deveria, supostamente, apenas ficar em casa e cuidar da família.” 

Conselho da vereadora para as mulheres que desejam ingressar na política: “Mesmo diante das adversidades, não desistam. Precisamos continuar lutando para apoiar essas candidaturas e não só cumprir com os números”. 

“É muito triste quando vemos candidaturas de mulheres laranjas. Esse apoio, ao contrário do que muitos pensam, vai além de apenas aceitar a candidatura, mas significa repasse de recursos, tempo no horário eleitoral e, principalmente, dar visibilidade para essas candidaturas. Muitas dessas mulheres trabalham dentro e fora de casa, são mães solteiras e enfrentam uma tripla jornada de trabalho para sustentar as famílias. E é desse tipo de suporte que precisamos oferecer.  É preciso abrir espaços para nós, não apenas na política, mas em todo contexto social.” 

Teca Nelma
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Elas se uniram e criaram um clube para a geração 60+ de Maceió: “Nossa ideia é gerar ocupação criativa”

Você já deve ter ouvido a frase: ‘Ela largou tudo para empreender’. Essa frase se aplica bem ao caso da psicóloga Vanessa Fagá Rocha, de 48 anos, que trabalhou por 24 anos em uma grande empresa de Maceió, sendo 12 como gerente. No meio do caminho, Vanessa encontrou a arquiteta Evelyne Enoque Cruz. As duas uniram os sonhos, empreenderam e fundaram o Clube Vida Criativa para a geração de 60 + com o objetivo de despertar a criatividade, motivação e o bem-estar, promovendo a longevidade e conexões entre as pessoas.

O começo de tudo

Vanessa contou ao Eufemea que na época, aproveitou o programa de demissão voluntária da empresa para viver um novo momento, mas que já estava se preparando para o negócio. Vanessa ‘largou tudo’ e decidiu empreender.

“Eu já tinha feito o teste do modelo de negócio, já estava rodando a empresa meio que em paralelo com a minha sócia e trabalhávamos na época até 23h”, disse.

Vanessa disse que queria trabalhar com a terceira idade e que ao longo do período que trabalhou no Sebrae, ela se apaixonou pelo empreendedorismo.

“Afinal de contas, a gente fala disso o tempo todo, vê o sonho das pessoas e eu tinha o sonho de ter a minha empresa”, afirmou. Vanessa disse que a motivação veio dos pais, das amigas da mãe e da sócia.

Como Evelyne também queria trabalhar com pessoas acima dos 60, elas uniram os sonhos e criaram o Vida Criativa que é um clube da longevidade.

Foto: Cortesia ao Eufemea.

“A ideia foi ter um negócio que pudesse ter um olhar específico para essa geração prateada. Dos 60 até os 100 existem várias terceiras, quartas e quintas idades, mas as necessidades são diferentes”, reforçou Fagá.

Vanessa disse que nota que mesmo com a aposentadoria, com os filhos casados, morando sozinhos, ou longe, existe uma lacuna na vida de boa parte dos prateados em aprender coisas novas.

“Eles se veem com muita vida pela frente. A expectativa de vida do brasileiro aumentou e ele tem ficado mais atento para alimentação e exercício físico. E isso tem feito com que a gente viva mais, mas a gente precisa viver bem”, afirmou.

Vanessa Fagá Rocha, psicóloga

Espaço no mercado para a terceira idade

A psicóloga também contou que desde 2018 que voltou a estudar todos os aspectos da cognição dos idosos. “A cognição é aquela coisa da memória, da atenção, da nossa capacidade de manter a nossa atenção por mais tempo. Muito se fala no esquecimento, mas muitas vezes não é um problema da memória, mas sim de atenção”.

Foi daí que ela e a sócia perceberam que tinha espaço no mercado que se prestasse a atender essa geração de uma forma diferenciada.

“A nossa ideia sempre foi gerar o que nós chamamos de ocupação criativa. E o que é isso? Ocupar seu tempo aprendendo novas habilidades, conhecendo novas pessoas, testando novas coisas e conhecendo novos lugares”, explicou.

E como funciona o clube? Segundo Vanessa, todas as semanas elas realizam atividades. Com o público quase 100% feminino, as mulheres aprendem a fazer artesanato diferente, jardinagem, oficina para estimular a memória, crossfit adaptado, entre outros.

Para fazer as atividades, as empreendedoras fizeram parcerias com empresas. “A nossa intenção é fazer uma grande rede de pequenas empresas que queiram atender esse público, mas tem que ser uma vontade genuína”, disse Vanessa.

Com a pandemia, as atividades presenciais precisaram ser suspensas, mas isso não impediu que elas fizessem os encontros de maneira online. “Nosso entendimento não é um momento de fazer negócio, mas sim de gerar relacionamento”, reforçou a empreendedora.

Conheça o Clube

Sobre os desafios de empreender, Vanessa disse que não é fácil, ainda mais numa pandemia. Entretanto, ela enxerga o momento como uma oportunidade de aprendizado.

“Nós temos acessado muitas consultorias do Sebrae que ajudam e estamos nos preparando com o possível retorno por causa da vacinação. A gente respeita muito a história de vida de quem já passou dos 60”, comentou.

Para conhecer mais o trabalho do Clube, basta entrar no https://www.clubevidacriativa.com.br/ ou no Instagram: clube.vidacriativa

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Alagoana lança livro feito à mão ‘Mário (& Rosina) – Uma Novela’: um convite a conhecer o que desempondera o feminino

Livro é uma obra de arte! Agora, imagine um livro todo feito à mão! “Mário (& Rosina) – Uma Novela” é uma dessas obras de encher os olhos, pelo texto e imagens, tudo produzido  pela artista, escritora e taróloga alagoana Ana Karina Luna, com o cuidado que os amantes da boa leitura merecem.  O livro, no delicado formato “cartonero”, feito reutilizando o papelão de caixas usadas (o “cartón”) para confeccionar as capas, é da editora Lua Negra Cartonera e a ilustração também é de Ana Karina. Ela conversou com o Eufemea e convida vocês a mergulharem na delicada e encantadora ‘viagem’ de seu livro. 

“A ideia de fazer um livro artesanal surgiu em 2017. Eu já tinha recebido três recusas para publicar meu primeiro livro. A primeira delas foi da Imprensa Oficial Graciliano Ramos, para onde eu tinha mandado meu manuscrito num dos seus editais, em 2016”, conta Ana Karina. 

Ela diz que “a instituição tinha vários editais anuais e envolvia várias categorias: crianças (coleção “Coco de Roda”), poesia, contos, romance, etc. Eles escolhiam 12 a 15 autores para publicar durante o ano. Fiquei surpresa quando saiu a lista com o resultado: 14 homens e uma mulher. Minha intuição apitou. Onde estão as mulheres? Quantas mulheres inscreveram seus trabalhos? Quase nenhuma? Qualquer coisa não cheirava bem; fiquei decepcionada”. 

Passado esse momento, Ana Karina conta que um dia estava no lançamento do livro de um amigo escritor “e uma conhecida (Lisley Nogueira, escritora/artista visual) me perguntou do meu livro, se eu não ia publicar. Relatei para ela o acontecido com a Imprensa Graciliano Ramos e como isso me desanimou. Ela perguntou se eu conhecia a Mariposa Cartonera, como uma possibilidade. Só pelo nome já gostei”. 

Ela então enviou seu manuscrito, mas diz que infelizmente eles já tinham fechado a chamada para autores.  

“Decidi fazer um protótipo do livro. Além de artista plástica, trago na minha bagagem a profissão de designer gráfica (por mais  de 20  anos) e de arquiteta (por 4 anos); sou boa com atividades manuais, então já confeccionei origamis, cartões, papel reciclado, já costurei cortina pra minha casa, e até um vestido pra mim. E ainda fui dona de uma oficina tipográfica (em Seattle, a Miss Cline Press, onde eu prensava poemas e gravuras à mão em prensas centenárias, em papel de algodão). Foi assim que criei a Lua Negra Cartonera, uma editora cartonera”. 

O que é um livro cartonero? 

 Livros cartoneros são feitos reutilizando o papelão de caixas usadas (o “cartón”) para confeccionar as capas. O Cartonero é um movimento Latino-americano iniciado por catadores de lixo na Argentina. Editoras cartoneras fucionam em sistema de mutirão, com voluntários, no melhor do estilo matrístico: cooperação, não-competição, e tudo feito à mão; apenas para o miolo são usadas máquinas de impressão (um dos presentes do patriarcado: a tipografia). São vendidos a preços justos e recuperam a autonomia do escritor. E, assim, eles são ‘disruptores’ da ordem normal de publicação e que tende a dar mais oportunidades a escritores homens. Estes livros são feitos, inteiramente, à mão, por uma mulher, em sua casa-atelier-templo. 

E a editora Lua Negra Cartonera, como surgiu? 

Lua Negra surgiu como a própria Lilith se fez: de recusas. A Lua Negra, que é a Lua Nova, que é a Lilith na astrologia, se guia pelo escuro para renascer em outros caminhos. Nos campos, é na Lua Negra que se planta a semente, a qual vai, sozinha, quebrar a própria casca — seguindo dentro da escuridão da terra, uma hora, ela acha a superfície. A Lua Negra Cartonera nasce e se põe em Maceió — acha caminhos, abre canais, e segue parindo seus livros à mão. 

Força feminina

O que você espera transmitir aos leitores e em especial às mulheres?  

 O que eu diria às mulheres é: nós não somos o que pensamos que somos. Ninguém é, mas as mulheres, em especial, foram “construídas”, como colocou a Simone de Beauvoir, e ficaram ainda mais longe do “chão”, da terra. Meus livros, meus escritos, meus poemas têm por tema falar de um feminino que não é o do feminismo. Eu chamo de “feminismo às avessas”.  

Na sociedade, ficou combinado que tudo o que é do feminino não presta, é pisoteado, descartado, evitado. Mas há uma força que é do feminino, e ele tem a ver com a força da vulnerabilidade, a força do buraco, do caos, do aguardar e isso não está só para o gênero mulher, está para todos. Existe em todos. Meu trabalho é um convite a limpar esse feminino, a conhecê-lo, pois isso ainda não se fez muito bem dentro do feminismo. E só assim podemos redescobrir o seu valor.   

Emponderar-se mesmo não é apenas ter um emprego, um carro, saber dirigir, poder votar. Isso foi necessário, é importante, mas não é o suficiente. Porque o poder mesmo vem de saber voltar para si mesma/o. Ou seja, conseguir conhecer-se, saber-se, quem sou eu, de fato. E esse é um poder que depois que se instala não se perde nunca mais. E melhor: é pacífico, acaba a guerra (inclusive a dos sexos). Mulheres, conheçam-se, cresçam emocionalmente para poderem crescer em outras áreas, pois se não for assim, serão sempre ganhos temporários e superficiais, e não reais. E disso… brotará tudo o mais. 

Pandemia e valores esquecidos 

O que a poesia representa para você e como você a expressa no livro?  

Ótima pergunta, obrigada por fazê-la. Sim, na minha opinião, a poesia é inerente, está em tudo, o tempo todo. Adélia Prado, a mais anciã das nossas poetas no Brasil diz o seguinte: “De vez em quando Deus me tira a poesia. Olho pedra, vejo pedra mesmo.”  

 Ora, a poesia sempre está, mas o bonito da poesia é que ela não age sozinha, ela exige da gente. Ela nos exige ativos. Estar passivo não funciona tão bem com a poesia. É por isso que ela é algo tão especial. Nos quer vivos. Nisso ela se revela. E quando digo poesia não só falo em poemas, mas a poesia que está em tudo: prosa, filmes, música, ficção, um passeio na praia, lavando uma roupa, até numa briga.   

Karina, que além de escritora é taróloga, fala também sobre a pandemia: “Alguns valores esquecidos se recolocaram”

Esta pandemia que vivemos também revela coisas grandes, ricas e poderosas para as almas que a olhem com abertura. Ouvi muita gente dizer que esse ano foi tão ruim quanto bom. Não é curioso? Isso é até meio poético. Ou seja, em meio a tantas coisas ruins acontecendo, várias coisas boas se desenterraram como que por milagre (ou mistério) e puderam ser vistas. Tantos comportamentos que já mudaram. Alguns valores esquecidos se recolocaram: amor, ajuda, família, compaixão, amizade, arte, o indivíduo, a casa.  Agora… não estavam já lá essas coisas boas? Sim. Tudo está o tempo todo. Quem vê ou não, somos nós. Porque o difícil, a dor, a morte, a solidão são profundos.   

SERVIÇO: 

MÁRIO (& ROSINA) 

É uma observação sobre o comportamento dos homens em relação às mulheres.

Uma Novela 
Ana Karina Luna 
Lua Negra Cartonera, 2020 
152 páginas 
Edição limitada: 300 exemplares 
 R$50,00 
(frete grátis para todo Brasil 
entrega: 6 – 9 dias úteis) 
Contate-me para compra via PIX ou pessoalmente. 

À venda na www.luanegracartonera.com/mariorosina.html 

FEITO À MÃO 

A capa é feita de caixas de papelão recicladas. A autora, Ana Karina, escolhe, coleta, desmembra e corta as caixas à mão. Os livros são costurados um a um. Depois as capas são ilustradas, também manualmente. Cada livro vem numerado, portanto, cada um é um original. Toda a diagramação é feita pela autora assim como as geometrias que se encontram em algumas páginas do livro, e que são de uma beleza delicada. 

RESENHA 

“Aparentemente despretensioso, Mário (& Rosina) resultou numa narrativa comovente, no melhor sentido da expressão; que comove pela aparente simplicidade com que fala da condição humana, com que nos faz rir do desencontro amoroso, sem pieguice. E o melhor: numa linguagem bem autoral, simples e ao mesmo bastante criativa, sem medo do novo. Um ponto que me chamou a atenção: um erotismo explícito em alguns momentos, implícito em outros, mas sempre presente. Um erotismo mesclado com simplicidade de linguagem, descontração e poesia, a poesia que pode estar nas coisas e situações mais inesperadas, como, no caso de Mário e Rosina, no mundo da mecânica e no mundo da cozinha.” 

Maria Heloisa M. de Moraes, 
Doutora, professora de literatura
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Chá de bênçãos: ritual fortalece gestante através de apoio e amor na preparação para o parto

Chá de bênçãos ou ‘despedida da barriga’. Você já ouviu falar? Diferentemente do chá de bebê que todos conhecem, o chá de bênçãos é focado na gestante e é um evento organizado pelas amigas mais próximas, familiares ou pela própria mãe. O objetivo dele é fortalecer e encorajar a gestante para viver a experiência do parto, e para aproveitar bem o final da gestação.

O momento é intimista e traz consigo um ritual de fortalecimento da gestante. O foco é mimar essa mamãe.

Para o momento prepara-se um escalda pés com ervas estimulantes, enquanto a gestante fica com os pés na água quente e uma amiga ou doula faz a pintura da barriga.

A proposta da pintura é materializar aquele bebê que está perto de chegar. O ambiente é decorado com flores, velas aromáticas e incenso. 

@bbarbarasantanaa faz o desenho e pintura do bebê

As amigas podem preparar esse ambiente para que seja o mais tranquilo possível para a gestante. Enquanto escalda os pés da gestante, as amigas podem ir declarando palavras de bençãos sobre a vida da gestante e do seu bebê. É fundamental que as amigas ou familiares que estiverem presentes reforcem o quanto aquela mulher é forte e corajosa.

O ritual remete às antigas tradições, baseadas na medicina chinesa, que incentivam a futura mãe a aquecer os pés para estimular o trabalho de parto.

Amor antes do parto

A enfermeira Cynthia Kássia, de 28 anos, viveu essa experiência antes da chegada do primeiro filho, o Heitor. Segundo Cynthia, ela não sabia do que se tratava o chá, mas uma amiga dela organizou tudo e preparou a surpresa.

Foto: Cortesia. Leonardo, esposo de Cynthia.

“Foi algo pequeno. Só estava minha família e poucas amigas. Eu não sabia o que viria”, disse.

Para Cynthia, o momento foi o mais mágico possível. “A Bárbara, minha amiga que preparou o chá e desenhou o meu filho na barriga. É uma verdadeira obra de arte. Deixou todo mundo encantado. Eu não queria nem tirar o desenho da barriga”, disse.

Ao longo do chá, Cynthia recebeu carinho, amor e muitas palavras de afeto. 

Momento inesquecível

No domingo (21) foi a vez de Talita Moureira, de 29 anos. A empresária está esperando a primeira filha, Maria Valentina. Organizado pelas amigas, o chá de despedida fez com que Talita sentisse o amor e a própria filha.

No chá de Talita foram usados alguns itens: pétalas, óleos, incensos, sal grosso, entre outros.

“Eu consegui me entregar no chá. Foi uma sensação muito boa e única. Sei que minha filha chegará repleta de amor. Foi um momento inesquecível”, comentou.

Talita desconhecia o ritual, mas a cerimônia trouxe para ela coragem e força para a chegada da bebê. Quem fez o desenho e pintura da barriga dela foi Bárbara Santana.

Foto: Cortesia. Talita espera a primeira filha, Maria Valentina.

“Reforçou a minha segurança e aliviou minha ansiedade. A mulher fica muito ansiosa antes da chegada do bebê, mas após o chá tenho certeza que renovei minha fé e minha esperança de tudo sairá bem”, finalizou.

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Karol Conká escancara xenofobia contra nordestino: “Legitimação de um discurso de ódio”, diz advogada

Karol Conká vem sendo bastante criticada por sua postura e falas no BBB21. Ela, que participa do reality show como uma das convidadas, foi acusada de ter praticado xenofobia contra a paraibana Juliette Freire ao se dizer mais educada do que ela por ser de Curitiba.  Ganhou uma avalanche de críticas e abriu a polêmica sobre a discriminação contra nordestinos. 

“Aí as pessoas dizem, ‘não, mas é o jeito, porque lá na terra dessa pessoa é normal falar assim.’ E eu, ‘ahh, tá’. Eu sou de Curitiba, é uma cidade muito reservadinha. Por mais que eu seja artista e rode pelo mundo, eu tenho os meus costumes. Eu tenho muita educação. Eu tenho meu jeito brincalhão, mas reparem que eu não invado, não desrespeito, não falo nem pegando nas pessoas”, disse Conká sobre Juliette. 

Conká sobre Juliette

Para falar sobre o que caracteriza a xenofobia e os efeitos na vida de quem sofre, o Eufemea ouviu a alagoana Anne Amaral Hermes, 34 anos, advogada na área do Direito de Família e Sucessões.  Ela explica que para compreender o conceito de xenofobia, podemos partir da epistemologia da palavra.  

“O termo origina-se das palavras gregas xénos, que nos remete a “estrangeiro”, “estranho” e “diferente”, assim como da palavra phóbos, cujo significado é sinônimo de “medo”, “repulsa”. Logo, xenofobia é o “medo do diferente” ou “medo do estrangeiro”. 

Intolerância, preconceito 

Entretanto, destaca Anne Amaral, “a prática da xenofobia não se resume ao simples medo de estrangeiros ou de pessoas diferentes, como a origem da palavra traduz. As atitudes xenofóbicas estão diretamente relacionadas à intolerância, preconceito, difamação ou exclusão de determinadas pessoas que possuem atributos distintos dos predominantes da região ou país que as recebe”. 

Ela diz que “essas diferenças são evidenciadas nos estereótipos raciais, nos costumes, na religião, no sotaque, nos aspectos culturais daquelas que recebem os estrangeiros”. 

Prática que que se assemelha a outras, como por exemplo, o bullying. “O bullying é uma prática violenta, tirana e abusiva de exclusão e perseguição do outro. A xenofobia se assemelha não somente ao bullying, como também às demais formas de preconceito e exclusão social, como o capacitismo, o racismo, a gordofobia, a homofobia e o tão famigerado cancelamento virtual”. 

Anne Amaral explica que são diversas as formas de caracterização. “Elas podem se manifestar em comentários maldosos sobre as características físicas e estereótipos específicos de uma região ou país, como olhos puxados, cor da pele. Rejeita-se o dialeto e os tipos de vestimentas, os costumes, quando essa exclusão está relacionada à cultura, por exemplo”. 

Discursos de ódio 

Porém, como informa a advogada, também existem formas veladas dessa prática. “Um grande exemplo está relacionado à criação de políticas que impeçam que imigrantes cheguem ao país distinto de sua origem ou quando estes só são aceitos em empregos que não remunerem bem. Esses comportamentos xenofóbicos surgem geralmente de grupos sociais de cultura predominante e quando somados à propagação dos discursos de ódio, passam a reproduzir um comportamento padrão de exclusão, apesar de baseado em achismo ou informações imprecisas”. 

“A ideia de que o oriental não é higiênico, que nordestino é burro, que os negros são agressivos, que mulçumanos são terroristas ou que religiosos de matriz africana são perigosos, são estigmas que marginalizam esses grupos sociais. Nota-se que essa rotulação é uma forma “sutil” de rejeição e não está relacionada somente ao medo do que é diferente. A xenofobia está diretamente relacionada ao preconceito e a intolerância e, por isso, se assemelha tanto às demais formas de banimento social de determinados grupos.” 

Anne Amaral Hermes, advogada, feminista,
mestranda em Sociologia pela Ufal

No Brasil, como ressalta Anne Amaral, a xenofobia é sofrida principalmente por pessoas oriundas das regiões Norte e Nordeste.

“Esse é o retrato da discriminação e da negação da história, etnia, religião e cultura do outro. Mas, não é só nesse sentido que os xenófobos acreditam que a sua região é predominante. O processo de migração de povos do Norte e Nordeste para as regiões Sul e Sudeste do Brasil está principalmente motivado pela busca de uma oportunidade de vida melhor. Isso acontece pelo marcante desequilíbrio socioeconômico de cada região, assim como a forte influência da globalização nas regiões onde estão as grandes metrópoles”. 

Migrar de regiões menos desenvolvidas para outras que possuem mais recursos, ressalta a advogada, “pode ser visto como um nicho maior de oportunidades para crescimento financeiro. Nesse sentido, quem pratica a xenofobia entende que os “estrangeiros” tomam seus empregos ou “mancham” a sua imagem e cultura”.

Além desses fatores, diz Anne Amaral, “a influência do eurocentrismo e o etnocentrismo determinam uma massa de conceitos elitistas que reverberam em comportamentos excludentes, pois definem quais os atributos são aceitáveis e os que não são, potencializando ainda mais as diferenças e dificultando sua aceitação”, explica a advogada, integrante do Grupo de Estudos Carmim Feminismo-Jurídico/Ufal e da Comissão de Direitos Humanos da OAB/AL. 

A cantora Karol Conká é acusada de xenofobia contra a paraibana Julliete. Foto: Divulgação

Poder do discurso midiático” 

No BBB 21, Karol Conká foi acusada de praticar xenofobia contra a paraibana Juliette Freire. O que dizer desse tipo de comportamento em um programa de tanta audiência? 

Precisamos atentar para o fato de que a sociedade tem evoluído e se politizado bastante nos últimos tempos. As pautas das minorias têm ganhado notabilidade nos veículos de comunicação em massa, como na TV aberta e nas redes sociais. É fato tão notável que a fama de futilidade que o programa possuía já não é tão marcante já que tem dado espaço para uma repercussão positiva de discussão sobre assuntos relevantes para a sociedade, como esse da xenofobia. 

Karol Conká é uma artista popularmente conhecida, que possui 1,2 milhões de seguidores em suas redes sociais e diversas marcas atreladas a sua imagem. A cantora é um símbolo de sua cultura, ritmo musical, sua cor, gênero e classe social e tem bastante representatividade na população de massa. Sua fala xenofóbica teve relação com o fato de ela ser sulista e, por isso, “ter educação”, o que ela acredita não ser um atributo da nordestina a quem ela se referiu. Ela foi muito infeliz em sua fala, mas escancarou, de maneira “natural” e em rede nacional, uma das maiores formas de discriminação sofrida pelos nordestinos em seu cotidiano.  

Então, quando uma pessoa com sua influência e representatividade tem esse tipo de comportamento, ela colabora para a legitimação de um discurso de ódio e para a naturalização de uma ideia preconceituosa contra o nordestino. E sem adentrar ao mérito de possíveis motivos psicossociais que possam ter influenciado não só essa fala como inúmeros outros comportamentos abusivos praticados pela artista dentro do reality, ela infelizmente está sendo “cancelada” fora da casa do BBB21. Ou seja, está acontecendo com ela exatamente o que fez com alguns colegas ali dentro. 

Ao agir dessa forma na televisão, a Karol estaria incentivando outras pessoas a fazerem o mesmo?  

O poder do discurso midiático dita como devemos nos comportar. Através dessa influência, trabalhada principalmente através de símbolos, são disseminados valores entendidos como aceitos e legitimados, manipulando os comportamentos dos indivíduos de uma sociedade. E por vivermos inseridos numa lógica capitalista, pertencer à sociedade significa consumir o que se vende nas novelas, realitys, propagandas, etc… E nesse mesmo caminhar, nessa ditadura de tendências, os comportamentos também são “comprados”. Afinal, entende-se que você só será aceito ou pertencente à sociedade se estiver adequado às suas “regras”. 

Para que se possa pertencer a ela, você precisa comprar bens, para que sinta a necessidade da utilização de serviços específicos ou adotem um estilo de vida aceito. Por exemplo, se formos adolescentes, devemos ser espertos, independentes e descolados. Para sermos uma pessoa de sucesso profissional, precisamos ser um grande empreendedor ou ter um cargo com salários altos. Já como mulheres, precisamos ser bonitas, magras, sensíveis.

Todos esses símbolos nos mostram como devemos ser, o que devemos comprar, o que devemos fazer para sermos aceitos como parte da sociedade. Ou seja, a tv é uma vitrine com imagens que conseguem fazer uma conexão com o que simboliza a sociedade e que você “precisa” relacionar com a sua identidade. Tudo o que está ali exposto deve ser consumido.  

Então, pessoas que já são preconceituosas e construídas culturalmente para excluir o outro, mas que ainda não se sentem encorajadas para tal, passam a ter seu comportamento legitimado ao se verem representadas por uma pessoa influente como a Karol Conká. 

Do ponto de vista legal, quais as penalidades para quem pratica xenofobia? 

 Para termos uma sociedade mais justa devemos tratar igualmente os iguais e desigualmente os desiguais, na exata medida de suas desigualdades. Essa é a essência do princípio da isonomia, que rege o direito à igualdade, uma garantia constitucional prevista no art. 5ª da Constituição Federal. Nesse sentido, a xenofobia é tipificada como crime de ódio, que são aqueles atrelados aos crimes que relacionam atos de preconceito e não aceitação das diferenças do outro.  

O artigo 140, § 3º, do Código Penal, estabelece uma pena de 1 a 3 anos de prisão (“reclusão”), além de multa, para as injúrias motivadas por “elementos referentes a raça, cor, etnia, religião, origem, ou a condição de pessoa idosa ou portadora de deficiência”. 

Diante da polêmica, os representes de imprensa de Karol Conká se manifestaram com post no Instagram

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Projeto “Vestindo minha família” visa gerar renda e resgatar autoestima de mulheres do Vale do Reginaldo

O projeto “Vestindo minha família” é uma iniciativa do Comovimento (Comitê de Desenvolvimento de Comunidades), que foi criado pela Sicredi Expansão com o objetivo de estimular parcerias cooperativas e inclusivas da causa social, como também viabilizar o fortalecimento das instituições filantrópicas.  

O objetivo é promover autonomia financeira, dignidade e expansão das comunidades locais, gerando renda e empregabilidade para essas mulheres em seu meio social, A Sicredi Expansão tem contado com a parceria intercooperativa da Sicredi União PR/SP, que implantou o projeto em 2018, na cidade paranaense de Paranavaí.  

 A primeira fase do projeto ocorreu com a abertura de um edital na comunidade Sementes do Vale, localizada no Vale do Reginaldo, para contemplar a seleção de 12 mulheres que exercessem o ofício de costureira, tivessem aptidão ou interesse pela profissão. 

As aulas estão sendo ofertadas pelo Senac Poço e tiveram início no dia 08 de fevereiro. Elas ocorrem das 14h às 18h, de segunda a sexta. Semanalmente, as mulheres, com idades entre 15 e 62 anos, também participam de um ciclo de palestras ministradas por colaboradores  da Sicredi, parceiros cooperativos  voluntários e profissionais da área de saúde. Os temas de palestras vão do cooperativismo, planejamento financeiro, marketing pessoal e de produto até empoderamento feminino e saúde da mulher. 

Primeira fase do projeto contemplou 12 mulheres que exercem o ofício de costureira

Apostando na seriedade e na relevância do projeto Vestindo Minha Família, várias empresas e instituições estão apoiando a iniciativa: Unimed Maceió, Almagis, Tribunal de Justiça de Alagoas, Sebrae, Senac, Indústria Strike, Ciclar Reciclagem, Th Hospital de Olhos Penedo, Century Comércio, Ferreira e Saraiva Ltda., Hospital Arthur Ramos, Vasus – Centro Vascular Integrado, Transamérica Turismo, Instituto da Visão e Magazine São Paulo. O projeto também conta com o apoio voluntário da assistente social Laís Lessa e da psicóloga Mayra Freitas. 

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Cotidiano Interna

Educadora parental cria comunidade online para madrastas: “As pessoas não entendem nossas dores”

Foto: Daniel Pinheiro

A figura da madrasta ainda é vista como vilã por muitas pessoas. Afinal, nos contos de fadas, a madrasta ocupa uma imagem de fria e calculista. Entretanto, tornar-se madrasta pode ser um caminho solitário e confuso. Foi partindo da própria experiência que  a gaúcha Mari Camardelli, de 35 anos, fundou a comunidade ‘Somos Madrastas’.

Mari é educadora parental, Especialista em Inteligência Emocional e madrasta. Ela criou em 2019, um instagram chamado ‘Somos Madrastas’ e um site. Ao Eufemea, Mari contou que a comunidade surgiu da solidão dela quando ela assumiu esse papel decidindo se casar com uma pessoa que já tinha filhos. 

“Me sentia confusa, realmente perdida e sem saber como agir dentro da minha própria casa. Depois de ser convidada para falar em um evento TEDx sobre o assunto, decidi criar uma comunidade que servisse de rede de apoio e acolhimento para mais mulheres neste papel”, comentou.

Segundo a educadora parental, a figura da madrasta ainda está associada à maldade. Porém, ela reforçou que madrasta não é palavrão. 

Com a comunidade, Mari disse que as mulheres se unem e compartilham as mesmas dores, mesmas angústias e especialmente o sentimento de invisibilidade e preconceito da sociedade.

“A madrasta é uma figura acompanhada de um tabu: ela é má por definição. As pessoas não entendem nossas dores, elas acham que a gente “já deveria esperar por isso”, porque sabíamos que nossos futuros cônjuges têm filhos”, explicou à reportagem.

De acordo com Mari, o Somos Madrastas oferece atendimentos terapêuticos individuais e de casal, grupos de WhatsApp para troca de experiências, eventos temáticos, um clube de leitura e muito conteúdo.

“Em breve teremos uma comunidade online em uma plataforma exclusiva: um ambiente seguro cheio de conteúdos incríveis, cursos e aprofundamentos”, comentou.

Por fim, Mari reforçou que é preciso que se tenha menos estereótipos, mais amor. “Ser madrasta importa, a gente se importa”.

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Estilo de vida Interna

“Sou gordofóbica”, diz mulher que evita comer em público e vive isolamento social por causa do corpo

Foto: Depositphotos

“Se eu me recusar, você fica chateada? É que é uma questão tão complicada pra mim… Na verdade, não tenho muito o que relatar de situações de gordofobia que sofri, porque na verdade, eu sou gordofóbica. Eu evito me colocar em situações em que possa sofrer preconceito por conta do meu peso”. O desabafo é de *Maria, nome fictício da personagem do Eufemea que pediu para não ser identificada, mas aceitou que suas informações fossem compartilhadas pela reportagem. 

Maria justifica: “Se você quiser usar o que falo aqui na sua matéria fique à vontade, mas não me identifique por favor, não quero que as pessoas sintam pena”. 

Durante a conversa, ela relatou o que sofre por estar acima do padrão imposto pela sociedade e ser gorda.  

“Tudo na minha vida gira em torno do meu tamanho. Não vou ao dentista porque da última vez que fui a cadeira deu um estalo, não aprendi a dirigir porque me envergonhava ficar ajustando o banco e o volante do carro, e não ando de ônibus porque tenho vergonha de me espremer para passar pela catraca”. 

O isolamento social não para por aí e afeta o simples e necessário ato de se alimentar. “Eu evito comer em público, porque acho que as pessoas vão ficar me olhando. Minha vida social é praticamente nula”. 

As roupas que usa, ela diz que é outro ritual e o casamento, que acabou, atribui ao corpo. “Eu só compro roupas em uma loja porque conheço a dona e ela me deixa levar as peças pra casa pra experimentar. E até a separação do meu ex-marido está relacionada com meu peso”, diz. 

“Eu tinha vergonha até dele, ao mesmo tempo que dizia que ele tinha que gostar de mim do jeito que eu era. Quando ele terminou comigo, não usou as palavras gorda, mas disse que era difícil conviver com quem não tem amor próprio”. 

“Armadura que criei” 

Ela buscou ajuda psicológica e ouviu do profissional que tem depressão. “No pouco de terapia que fiz, o psicólogo disse que eu tenho depressão desde a adolescência e que é difícil dizer se foi o peso que desencadeou a depressão ou a depressão o excesso de peso”. 

Porém, Maria conta que antes de ser gorda, ela era magra demais e também tinha vergonha do  corpo.

“Até a faculdade, pra falar a verdade, eu era magrela, queria ganhar peso porque aquele osso do quadril ficava despontando. Na terapia, me explicaram que meu ganho de peso foi uma armadura que criei pra mim, contra assédio, e também porque achava que as pessoas não me levavam a sério. Estou me organizando pra voltar a fazer terapia, não posso mesmo deixar que isso acabe com a minha vida. Eu nem chego a sentir gordofobia de fora, sabe?”. 

No relato-desabafo, ela fala sobre padrão. “Por mais que a gente saiba que o “padrão” só existe porque é uma das indústrias mais rentáveis do planeta, está misturada ao machismo e enraizada na mente coletiva”.

“Depois de nossa conversa ontem, passei a lembrar de tantas situações… por conta da suspeita de covid, fui em uma unidade sentinela e, na pré-consulta, verificaram minha pressão e glicemia. O enfermeiro ficou admirado por eu não ter pressão alta ou diabetes.  E nas últimas vezes que busquei atendimento médico, sempre os problemas de saúde são relacionados ao meu peso, para os médicos”. 

“É tão difícil ser gorda. Se geral soubesse o quanto é difícil, não achava que gordo é relaxado, preguiçoso, relapso…”. 

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Cotidiano Destaque Interna Notícias

“Famílias de Anjos”: Sem verba, mães pedem apoio para entidade que cuida de crianças com microcefalia

Foto: Rede Social

Fundada em setembro de 2017, a Associação das Famílias de Anjos do Estado de Alagoas (AFAEAL) acolhe mães e crianças com microcefalia e alterações neurológicas. A entidade, porém, passa por dificuldades financeiras para manutenção e a compra de equipamentos de alto custo. Sem isso, as crianças correm o risco de ficar sem o tratamento devido.  

Na associação, são atendidas 220 crianças, contando com capital e interior do Estado. A entidade funciona em uma sede emprestada,  no Conjunto Paulo Bandeira, Benedito Bentes ll, localizado na periferia de Maceió. Além das crianças, as mães também recebem assistência. Para assegurar que o trabalho continue, um apelo vem sendo feito pelo comando da instituição e pelas mães para os governantes, a sociedade civil e os empresários.  

“Enfrentamos dificuldade financeira pois a única ajuda do governo que recebemos é o leite liquido, que faz parte da aquisição familiar, e iremos começar a receber alimentos do PAA [Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar]”, revela a presidente da associação, Alessandra Hora dos Santos, avó de uma criança com síndrome congênita do Zika vírus. 

Ela diz que a associação sobrevive de doações, não recebe recursos governamentais e que sem ajuda há risco de fechar as portas. Alessandra conta que um dos equipamentos necessários ao tratamento é de alto custo.  

As crianças precisam de um macacão apropriado, adquirido nos Estados Unidos, e que custa R$ 8 mil, cada um (Foto: Arquivo pessoal)

“Precisamos do macacão que é utilizado para o atendimento do pedia suit (vestimenta ortopédica). Atualmente estamos precisando de três, onde cada um custa R$ 8 mil e vem dos Estados Unidos”, diz. 

Na associação, como informa a presidente, “é oferecido atendimento de fisioterapia intensiva, com o método do Bobath [abordagem terapêutica de reabilitação] e o pedia suit, assistência com cesta básica e suplementos das crianças, atendimento com psicólogo, encaminhamento com exames, atendimento com fonoaudióloga e jurídico”. 

Como ajudar? 

Na rede social, também é possível entrar em contato para ajudar a associação

Entrar em contato 

No telefone: 82 9872-80831 

Ou na rede social

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Estilo de vida Interna Notícias

Cultura do cancelamento: “Cancelar alguém pode ser uma forma do outro provar que é melhor”, diz psicóloga

Você já deve ter ouvido falar sobre a cultura do cancelamento. Nas redes sociais, as pessoas agem como se estivessem em um ‘tribunal’. É uma verdadeira onda que incentiva pessoas a deixarem de apoiar determinadas personalidades ou empresas, públicas ou não, em razão do erro de erro ou conduta reprovável. E o cancelamento vale para qualquer um. Seja ele artista ou não. O BBB21 trouxe esse assunto e tem gerado diversos debates na web.

A professora de psicologia do Centro Universitário Maurício de Nassau Maceió, Sabine Heumann, explicou que o cancelamento funciona como um “linchamento moral, uma punição para alguém que fez algo considerado errado”.

Em 2019, o Dicionário Macquarie, que seleciona anualmente as palavras e expressões que mais moldaram o comportamento humano, elegeu “cultura de cancelamento” como o termo do ano.

Segundo ela, a internet acaba facilitando comportamentos que, muitas vezes, não seriam feitos nas relações face a face.

“É mais difícil sentir empatia por uma pessoa que não está próxima, que não conhecemos, que é apenas um nome na internet”, afirma a psicóloga.

Além disso, existem os grupos que atuam em efeito manada. Por fazer parte de um grupo, as pessoas acabam agindo, muitas vezes, sem questionar ou refletir, apenas replicando. “Isso deixa os ‘canceladores’ mais à vontade, pois outras pessoas pensam da mesma forma, fortalecendo sua visão, e não colocando-a em questão”, completa.

Outro efeito da internet é a impressão de que as pessoas precisam se posicionar e emitir opiniões sobre todos os assuntos. Muitas vezes, sobre temas em que o indivíduo não tem embasamento para discutir. “Não é necessário ter opinião sobre tudo, muito menos opiniões formadas rapidamente, de forma simplificada. Esse reducionismo acaba gerando ainda mais canceladores”, pontua Sabine.

Quando o cancelamento se torna perigoso?

“Pessoas que são excluídas perdem oportunidades e são anuladas, tendo dificuldade de, até mesmo, reparar a ação que pode não ter sido legal”, explica Sabine.

A psicóloga diz que sempre se pergunta qual a razão do cancelamento e o que as pessoas querem ao repreender um erro. “Se quisermos que aquele comportamento seja reparado, precisamos olhar para a pessoa com empatia, entender que todo mundo erra em algum momento e que é possível se transformar”, defende a profissional.

Quais os impactos na vida e saúde mental do cancelado?

“Quando nossas relações nos dizem que não somos bons o bastante, que somos errados, isso pode gerar um impacto grande na autoestima, o que pode ser prejudicial para a saúde mental de maneira global. Também é possível gerar comportamentos que perpetuam esse cancelamento, devido a agressividade, ao descontentamento, a uma postura de defesa/ataque que ser cancelado pode gerar. Ou seja, muitas vezes os canceladores podem já terem sido cancelados ou então têm medo de ser. Quando eu cancelo o outro, coloco o foco nele e a chance de eu ser cancelado é menor, o que acaba gerando um comportamento que pode ser cíclico”, responde Sabine Heumann.

Sabine cita Freud: “quando Pedro me fala sobre Paulo, sei mais de Pedro do que de Paulo”. De acordo com a psicóloga, cancelar alguém, pode ser uma forma de provar ser melhor, mesmo que de forma não consciente. “Quando colocamos uma opinião sobre algo ou alguém, estamos colocando a nossa visão sobre aquilo, ou seja, a nossa subjetividade aparece. Quando algo nos chama atenção em alguém, nos intriga, nos revolta, nos causa tristeza ou outros sentimentos, isso está mostrando alguns aspectos meus”, fala.

“Se quisermos que, de fato, alguém modifique um comportamento, um caminho com mais empatia, diálogo, buscando compreender de onde vem aquela ação, seja um o mais efetivo. Temos a capacidade de mudar, aprender e transformar. Quando eu cancelo alguém, tiro dessa pessoa a possibilidade de transformação”, finaliza Sabine Heumann.

*com informações da Assessoria

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Sequelas da Covid-19 afetam rotina de trabalho e a vida de técnica em enfermagem: “Bastante dificuldade”

A técnica em enfermagem Anusca Carla Silva de Almeida,  tem 39 anos, trabalha no posto de síndrome gripal de Jacarecica, e em um hospital particular de Maceió. Em maio do ano passado ela foi diagnosticada com Covid-19, procurou ajuda médica e ficou 15 dias afastada do trabalho, na linha de frente de combate ao vírus. O que ela não imaginava era que sofreria com várias sequelas da doença, que até hoje se manifestam em seu corpo, o que leva a ser afastada das atividades sempre que os problemas aparecem.  

“Apresento bastante dificuldade na minha rotina porque eu sempre fui bem ativa, ágil e hoje passo uma semana super bem e a semana seguinte passo mal, com muitas dores, daí sou afastada da minha rotina de trabalho”, conta Anusca. 

Ela diz que não tem nenhuma comorbidade, mas que após dois meses e meio de ter sido infectada pelo vírus apresentou um quadro de pneumonia. Os médicos suspeitavam que se tratavam de uma reinfecção. “Mas não era ainda confirmada, então foi tratado como se fosse uma recaída”, diz a profissional. 

“Procurei um médico já no início mesmo, na emergência, onde fui afastada. Após isso, só sequência de médicos. Hoje está só se observando a cada sintoma que vai apresentando, tratando-se com as medicações, um antibiótico e observando, é o que eles me informam”, revela. 

Anusca conta ainda que foi encaminhada para vários médicos. “Para o pneumologista, cardiologista, para  o vascular, nefrologista, porque estou passando por uma bateria de exames, para investigação. Apresento várias semanas de náuseas, dores, fiquei com uma suspeita de pericardite, 20% do pulmão comprometido, muitas dores no corpo, celulite infecciosa nos membros inferiores e superiores, flebite, são várias sequelas que vêm se apresentando gradativamente ao longo dos dias”, ela informa. 

Hoje, a técnica em enfermagem revela: “Sinto ainda muita dor de cabeça, nas costas, no braço, perna e um leve desconforto respiratório, de vez em quando, muita náusea, tonturas, falta de ar e dormência no dedo, do membro inferior e uma dormência na língua, que é o que está em investigação hoje. Afetou um pulmão, que ficou com uma lesão de 25% e essa pericardite, que é a inflamação da membrana do miocárdio, mas que foi absorvida pelo organismo e hoje não tenho lesão nenhuma”. 

Contágio no trabalho 

O contágio, segundo ela acredita pode ter acontecido no trabalho. “Acredito que devo ter contraído no trabalho, mas como era um vírus novo, de pouco conhecimento e que estava se alastrando, não dava para precisar. Como na época não era suspeito qualquer paciente de Covid, só se tivesse apresentando algum sintoma gripal, então eu acredito que pelo contato com alguns pacientes eu deva ter contraído sim no trabalho porque eu saí debilitada já depois de dois plantões”. 

Ao sair do trabalho, em maio do ano passado, ela conta que sentia febre, coriza, muita dor no corpo e cefaleia. Diante do quadro, procurou a unidade de emergência, onde foi realizada uma tomografia. Apesar do problema, não precisou ficar hospitalizada.  

“Eu fiquei 15 dias afastada, retornei para o trabalho com algumas sequelas, cansaço, dor no peito, nas costas, mas fora isso estava bem, aparentemente. Não tive contato com os meus familiares, fiquei isolada numa casa durante 30 dias”. 

“Vírus silencioso e letal” 

À população, Anusca transmite uma mensagem de que se proteja, a si e ao próximo. “O que eu digo à população é que se proteja. Tenham cautela, consciência de que é um vírus bem silencioso e letal, que todos podemos nos contaminar e assim contaminar um parente, um colega ou até alguém desconhecido mesmo, que possa vir a não sobreviver”. 

 “Ter bastante responsabilidade, porque não é uma doença que a gente contrai e diz assim: ‘toma aqui uma pilulazinha e você tá bom’. Não! Requer cuidados, atenção e que é de uma gravidade impressionante, que pode acometer o ser humano e levar ele a óbito e assim todos nós saímos perdendo. Então é bom que a população se conscientize da gravidade e que deve ter todo o cuidado, porque você pode se reinfectar e ter um acometimento mais grave e passar por uma perda maior. Digo à população que se cuide e se proteja”. 

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Após agressões de esposo, mulher pede ajuda em bilhete na matrícula de filho: “Não me ignore”

Foi durante a matrícula do filho na escola estadual Laura Dantas, localizada no Cepa (Centro Educacional de Pesquisa Aplicada), no bairro do Farol, em Maceió, que o pedido de socorro veio. Uma mulher de 28 anos pediu ajuda relatando agressões físicas cometidas pelo companheiro em um bilhete que estava no meio dos documentos do filho do casal.

De acordo com informações registradas pela Segurança Pública de Alagoas, a vítima escreveu: “Por favor, me ajude. Estou sendo espancada, não posso falar, estou com hematomas na perna e meu filho foi seriamente sofrido psicologicamente (sic). Ele me bateu com o facão. Me ajude, ele não me deixa falar, me ameaça toda hora. Não consigo mais ficar calada, eu me cansei. Não me ignore”.

A Polícia Militar foi acionada pela direção da escola, e o homem foi preso em flagrante por violência doméstica.

Depois de ser detido, o investigado foi levado para a Central de Flagrantes do bairro Gruta de Lourdes. Ele está preso aguardando audiência de custódia.